A maconha e o sexo das minas
Desde a antiguidade a erva é considerada afrodisíaca para o sexo feminino, mas só recentemente a ciência começou a quebrar o tabu e esmiuçar esses benefícios
Créditos: Creative Commons
Por Vanessa da Rocha
em 12 de setembro de 2017
Sexo tântrico, ayurveda, medicina tradicional chinesa… São diversos os registros milenares da maconha como um produto afrodisíaco. Contraditoriamente, em algumas culturas, o produto já foi recomendado para reduzir o apetite sexual. Ainda hoje é comum ouvir relatos de pessoas que se sentiram nas nuvens, enquanto outras tiveram sono.
A montanha-russa de efeitos aliada à dificuldade em tratar dos benefícios de uma droga que é ilícita em vários países colocaram os resultados sexuais da maconha num território incerto. Com a legalização em vários locais do mundo, no entanto, as pesquisas avançaram. Hoje, em linhas gerais, pode-se dizer que sim, a Cannabis produz benefícios na sexualidade, especialmente para as mulheres. A erva torna a atividade mais prazerosa. São os especialistas que dizem!
No consultório
“Olha, você não tem nenhuma doença ou complicação nos órgãos genitais. Está saudável. Mas eu recomendaria que você conhecesse melhor o seu corpo e relaxasse mais para a relação ser mais prazerosa. Vou prescrever que você consuma maconha, mas não exagera, hein!”
Não, os ginecologistas não estão receitando o consumo nos países onde a maconha é legalizada, mas faz algum tempo que especialistas têm observado os efeitos da droga na líbido. Uma pesquisa realizada em 1967 pelo sociólogo norte-americano Erich Goode evidencia esse interesse. Das duzentas pessoas que responderam ao questionário dele, 68% relataram efeitos e estímulos na atividade sexual, a maioria mulheres. Em 1970, a escritora Barbara Lewis publicou uma obra sobre o assunto chamada A maconha e a sexualidade. Na pesquisa, ela ouviu 32 pessoas, das quais 78% relataram usar a droga para aumentar a satisfação sexual.
As pesquisas mais atuais procuram desvendar como esses efeitos atingem o corpo humano e quais são as substâncias presentes na maconha que causam isso. No Uruguai, o sexólogo Santiago Cedrés, presidente da Sociedade Uruguaia de Sexologia publicou o artigo “A maconha e a sexualidade: os efeitos do consumo e a resposta sexual” — publicado em 2013, ano em que a droga foi legalizada no país, o texto coloca em termos científicos o que muita gente já sente na prática.
O especialista observou que o Tetrahidrocannabinol (THC), um dos mais de 400 compostos químicos presentes na maconha, tem poder afrodisíaco nas mulheres. A substância age no cérebro produzindo relaxamento e alterações dos sentidos visual, auditivo e olfativo. Esse barato, em baixa dose, tem poder de aumentar o desejo sexual. O canabinol, outra substância presente na planta, ajuda na desinibição, relaxamento, aumenta a sensibilidade e produz uma sensação de bem-estar.

Sempre há efeitos adversos
Quem exagera, pode ter problemas. A pesquisa uruguaia alerta que o THC em alta dose pode causar desorientação, taquicardia, nervosismo, ansiedade e paranoia. O excesso de canabinol também coloca em risco a estabilidade da ovulação e, consequentemente, do ciclo menstrual, além de reduzir a lubrificação vaginal, que pode evoluir para dor nas relações sexuais. Ou seja, melhor não passar da conta!
Esse estudo veio do Uruguai, o nosso reduto vanguardista sul-americano, mas quem se deu conta de usar os poderes afrodisíacos da droga para o bem da mulherada foi uma brasileira: Débora Mello, uma paulista que mora em Montevidéu e tem contribuído para o bem-estar sexual de várias mulheres no país.
Débora se inspirou na iniciativa de um norte-americano, que produziu o famoso Foria, um lubricante feminino afrodisíaco à base de Cannabis, para criar o óleo lubrificante XapaXana — que deve ser aplicado 20 minutos antes da relação sexual. “O nome é engraçado, mas a ideia é essa mesma: chapar a chana. O óleo proporciona orgasmos mais intensos e é orgânico, feito com óleo de coco e flores de Cannabis cultivadas aqui no Uruguai.”
No entanto, se a aprovação da maconha para fins medicinais já é controversa no Brasil, com diversas famílias penando para obter os medicamentos à base de derivados da planta, imagina a liberação do uso para a saúde sexual, né? Débora, portanto, segue comercializando o produto dela somente para as brasileiras que moram no Uruguai.
Mesmo tendo a clientela reduzida por causa da legislação brasileira, ela segue com princípios que estão bem acima da ideia de chapar a chana. “Eu sigo adiante porque acredito que as mulheres precisam estar em sintonia com a própria sexualidade. Já recebi relatos de jovens que estão há anos com o parceiro e vivem como atrizes, pois amam os rapazes, mas não conseguem ter orgasmo com eles. As mulheres precisam sentir prazer e viver em bem-estar sexual, afinal, o sexo faz parte da nossa vida e faz bem.”
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