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Diário dos bastidores de Tropa de Elite 2

A convite da Tpm, Maria Ribeiro registrou as cenas mais marcantes do set

Wagner moura e Maria Ribeiro em ação: olho no olho

Wagner moura e Maria Ribeiro em ação: olho no olho


Por Maria Ribeiro TPM #101

em 17 de agosto de 2010

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Hoje é dia 14 de dezembro de 2009 e eu ainda não comprei nenhum presente de Natal. Também não tenho a menor idéia de onde vou passar o Ano Novo e, por incrível que pareça, não estou me importando a mínima com fogos ou festas. Só penso que vou começar, às três da tarde de hoje, a preparação para o filme Tropa de Elite 2. Um trabalho como esse, de construir uma personagem através de você, mas que não é você, já é suficientemente desafiador e instigante. Só que eu ainda conto com os seguintes detalhes:

1 – Estou grávida de oito meses e meio e mal consigo caminhar da minha casa até à padaria da esquina.

2 – Os ensaios serão comandados por Fátima Toledo, temida preparadora de Pixote e Cidade de Deus, com quem já trabalhei no Tropa 1 e por quem nutro profundo respeito.

3 – Não estamos falando de um filme normal, mas de um fenômeno do cinema brasileiro. Um longa que, além das suas qualidades artísticas, expôs questões sociológicas do nosso país, como a corrupção policial e a rotina de guerra dos morros cariocas. E que agora se debruça sobre o poder das milícias no Rio de Janeiro.

Como se não bastasse, ainda temos que trabalhar sob absoluto sigilo, já que o primeiro filme foi pirateado e estima-se que visto por cerca de 11 milhões de brasileiros antes de chegar aos cinemas.

Chego à sala onde vamos ensaiar e reencontro Wagner. Não é só porque trabalhei com ele no primeiro filme que não fico, como qualquer atriz ficaria, encantada com sua presença. Wagner Moura é um grande ator, um parceiro de cena generoso, e, o melhor de tudo, uma pessoa maravilhosa. Mas sua doçura vai pelos ares pra receber Roberto Nascimento.

Wagner moura e Maria Ribeiro em ação: olho no olho
Wagner moura e Maria Ribeiro em ação: olho no olho

Antes que essa transformação aconteça, sou apresentada ao nosso filho. Pedro Van Held tem 15 anos e vai fazer Rafael, o filho de Rosane e Nascimento que agora é um adolescente. Na vida real, meus filhos são pequenos, e preciso encontrar uma maternidade diferente. A primeira coisa a fazer é conhecer Rafael, ouví-lo, chegar perto. Pelo menos é assim que funciona pra mim. Quero gostar do ator.

Pronto. No dia seguinte nossa família já existe. É verdade que a experiência do filme anterior ajuda. E, cá entre nós, não é difícil brincar de ser mulher do Wagner. Quer dizer, do Nascimento. Na outra preparação, passamos por tapas e beijos. Precisávamos ser um casal, conhecer o cheiro um do outro. E também tínhamos que conhecer o limite em que os personagens estavam. Rosane defendendo a família, Nascimento mergulhado no Bope.

Nesse filme a história muda um pouco, mas não posso contar… O que dá pra dizer é que um projeto como esse raramente acontece na vida de um ator: bom roteiro, bons atores e um grande diretor.

José Padilha é meu primo. Digo isso com orgulho e também pra avisar que o admiro sem cerimônia. Antes de saber tudo de cinema, Zé me ajudou em vários trabalhos de filosofia e me receitou vários antialérgicos (não sei como ele não é médico). Nas reuniões de família, só dá ele. Inteligente pra caramba. E simples, no sentido mais nobre da palavra. No set, não faz pose de diretor, embora saiba exatamente o que quer dos atores e da cena.

Bom, o filme estreia dia 8. Não vou dizer mais nada. Ainda não vi nenhuma cena. Mas há rumores… Já ouvi que o Seu Jorge está incrível. Que há cenas comoventes. Que o Wagner grisalho é um acontecimento. E que esta atriz que vos fala parece mesmo mãe do menino Rafael. Tomara que sim, porque mais importante do que o frisson que o Tropa possa provocar, é a história que queremos contar. E não faríamos uma sequência se não tivéssemos o que dizer. Missão dada é missão cumprida.

No set com José Padilha
No set com José Padilha