por Noor Shakouj

Duas notícia recebidas nas últimas horas caíram como uma bomba nos planos de Noor: os sírios estão proibidos de pegar ônibus no sentido de Edirne e centenas de refugiados foram barrados na fronteira com a Grécia nos últimos dias

15 de setembro de 2015. Primeiro dia.

"Saímos de Istambul rumo a Edirne de ônibus. Sabia que essa viagem, relativamente curta para qualquer pessoa, poderia nos tomar muito mais tempo. Somos sírios, afinal. A decepção não demorou. Logo nos primeiros quilômetros, fomos parados e pediram nossos documentos. Como estamos proibidos de viajar pela Turquia, nos barraram. Tivemos que descer do ônibus.

Eram 15:10 quando fomos largados, sozinhos, no meio da estrada. Houve uma conversa dura com os responsáveis pelo veículo, mas realmente não teve jeito. Ainda restavam 190 quilômetros pela frente e não tínhamos nenhuma ideia do que fazer. Talvez a gente seguisse andando, talvez a gente conseguisse uma carona.

Às 15h30 encontramos a primeira pessoa disposta a nos ajudar – isso só aconteceu porque não contamos nossa real história. Falamos apenas que somos viajantes, fazendo turismo pela Turquia. Colou. E o motorista topou nos levar de carro para uma pequena vila próxima à Edirne. Seguimos nessa carona por 100 quilômetros e tivemos que desembarcar por conta de um posto policial logo a frente, onde fatalmente pediriam nossos documentos. O motorista foi incrível por nos recolher da estrada e não queríamos colocá-lo sob qualquer risco.

O caminho estava cheio de sírios todo o tempo. Tinha muita criança. Gente em diversas condições: casais, famílias, idosos, grávidas, cadeirantes... Muitos estavam parados. Haviam sido impedidos pela polícia de continuar ou simplesmente não tinham mais forças para caminhar naquele dia. Quando descemos do carro, novamente estávamos sem saber o que fazer, que rumo tomar. Absolutamente confusos, não sabíamos se nos juntávamos aos outros sírios parados pela estrada ou se seguíamos em frente. Não tinha informações sobre a situação na fronteira.

Eu estava completamente confusa, mas tinha que tomar uma decisão. Eram quase 23h quando terminamos de armar a barraca que Mulham trouxe na mochila. Íamos dormir na beira da estrada. Fazia um pouco de frio, era preciso se aquecer e descansar. Com poucos biscoitos no estômago ao longo do dia, a cabeça e o corpo já não funcionavam bem. Amanhã, Joud, o irmão de Diala, deve se juntar a nós. Vamos esperar por ele aqui e por notícias para definir os próximos passos.

Hoje, as coisas não foram como esperávamos, mas conseguimos avançar. Que o amanhã seja mais cordial conosco."

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