por Rebeca Lerer

’’Aprendi a desapegar de um tema específico e encarar o ativismo de forma abrangente e integrada’’

Minha luta é feita de várias lutas. A realidade é dinâmica e o ativismo também precisa ser. Aprendi a desapegar de um tema específico e encarar o ativismo de forma abrangente e integrada, identificando e interagindo com os territórios e populações mais vulneráveis caso a caso.

Já trabalhei em muitas agendas ambientais (Mata Atlântica, Amazônia, Transgênicos, Poluição industrial de rios e mares, campanha contra o programa nuclear brasileiro, arborização urbana, direito indígena) e participo desde 2011 dos atos e protestos pela tarifa zero.

Atuo como militante da Marcha da Maconha e sou ativa em campanhas pelo fim da guerra às drogas e redução da violência, que estão diretamente relacionadas à pautas de racismo, desmilitarização da PM e reforma carcerária. Apóio trabalhos de direito animal, como o fim de testes por indústrias de cosméticos e feiras de adoção de cães e gatos de rua. Colaboro com coletivos de mídia independente e participei da maioria dos atos contra a Copa do Mundo.

No momento, meu foco de atuação é o colapso hídrico em São Paulo. Estou trabalhando na Aliança pela Água, rede de entidades que está monitorando a resposta do governo à seca e à falta d'água. Acredito em uma grande luta por sustentabilidade, justiça social e poder popular.

Para mim ativismo é disponibilidade, foco e raça. É viver o trabalho e trabalhar a vida. Não tem receita pronta, não tem faculdade, não tem curso técnico. Vem da vivência, do timing, da conexão com a realidade, de saber seu lugar e momento no mundo. Ativismo é mais do que manifestação, é mais que lobby.

Ativismo não é modinha, não é passatempo, não é bagunça. É um estar sempre atento. Ativismo é autonomia, é ter controle sobre a própria vida. É ser livre.

*Rebeca Lerer, jornalista e ativista, militante desde 1996. Integrante pela Marcha da Maconha e da Aliança pela Água

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