Revista Trip

 
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Postado em 09.02.2010 | 16:02 | por Stephanie
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Oscar Quiroga, um sinônimo de astrologia, esteve no Trip FM da semana passada. Falou sobre como foi uma caçada de discos voadores em Arraial do Cabo, ocasião em que entrou em contato pela primeira vez com a astrologia, e do que o motivou. No site você ainda pode conferir os extras, onde ele explica melhor sobre sua passagem por Arraial do Cabo e conta de um sonho peculiar com alienígenas, também fala mais sobre meditação, sobre a divisão de nossas vidas em setênios, e outros temas. E como esse é o Trip FM com mais extras da história: resgatamos um programa de 14 de setembro de 2001, 3 dias após o atentado às Torres Gêmeas, em que Quiroga opinou sobre astrólogos que tentavam explicar o acontecimento: "É patético gente tentando explicar os fatores depois que acontecem, os acontecimentos ficam nas mãos dos historiadores..." E comentou : "Astrologicamente nada explica o atentado." Na página do Trip FM você descobre se havia como prever o desastre.

 

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Postado em 03.02.2010 | 17:02 | por Stephanie
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CALIL VERÓN, O MESTRE

A semelhança com o craque argentino não está apenas na testa avançada, mas principalmente na habilidade de conduzir e passar a bola. Diretor de redação à moda nova, mas com antiga elegância, Calil não grita nem bate a mão na mesa, não intimida nem pressiona. Mas está sempre presente, com firmeza que faz modesta questão de colocar em dúvida. Não à toa, Calil é também unanimidade no quesito simpatia, o que lhe rendeu um merecido troféu Shoiti no fim do ano. Pai de duas adoráveis meninas, ele é atencioso com amigos e colegas na mesma medida em que dá cuidadosa atenção ao trabalho. E, mesmo que fale e pense com educada ponderação, não se furta a ideias ousadas, originais, sempre recebidas nas reuniões de pauta com entusiasmo, polêmica, risadas.

Com tudo isso, fiquei surpreso de saber que ele tirou diploma de nerd num colégio conservador. Mas logo soube que construiu seu proverbial equilíbrio ao ser submetido a alguns raios de badauera e porra-louquice nas faculdades de jornalismo e cinema. Fez também cursos por três anos “sabáticos” em Nova York e aprendeu muita coisa na marra em várias redações, algumas delas cariocas. Crítico de cinema dos mais convincentes (mas ele insiste que “há controvérsias”), Calil colocou uma enorme telha de vidro sobre a cabeça e partiu pro outro lado: está com um documentário fresquinho na mão, pronto pra enfrentar o teste da telona.

Mas chega de conversa e vamos à conversa de fato, que aconteceu numa padoca aqui perto, em meio à balbúrdia de copos e talheres e o cheiro reconfortante de café. Muito bem casado com a bela Flor, Calil é meio reservado, não gosta muito de falar de si mesmo. No começo, respondeu a minhas perguntas casuais com relutância, com um gestual agitado, diferente de sua calma costumeira, certamente efeito colateral de uma verdadeira modéstia (que ele nega veementemente). No fim, mais desencanado, me deu uns bons dribles, mas também deixou generosamente que eu fizesse um golzinho ou outro. Coisa de craque.
*Por Daniel Benevides

 

Arquivo Pessoal

1.No casamento com a Flor, em 2003. 2.Entrevistando David Lynch, um dos meus ídolos, para a Trip em 2008. 3.Cafuné das filhas Teresa e Julieta. 4.Reencontrando os amigos Alex, Marcello e Lia, que foram meus roomates em Nova York.

1.No casamento com a Flor, em 2003. 2.Entrevistando David Lynch, um dos meus ídolos, para a Trip em 2008. 3.Cafuné das filhas Teresa e Julieta. 4.Reencontrando os amigos Alex, Marcello e Lia, que foram meus roomates em Nova York.



Fala um pouco da sua família. Da Flor, das suas filhas... Como você conheceu a Flor? Você já tinha casado antes, né?
Eu morei junto com duas mulheres. A Flor eu casei, com tudo, papel, religioso, tudo! Mas já tinha morado junto com duas namoradas.

O que para um tímido até que é um score razoável.
É que eu sou aquele monogâmico clássico. Tenho várias relações, mas várias longas relações. Com a Flor é a mais longa, vai completar oito anos agora. Quando eu consigo falar alguma coisa para uma mulher, eu tento comprometer ela. Para eu não ter que falar de novo [risos]. A segunda namorada com quem eu morei estudava na PUC e era muito amiga da Flor na época, que também tinha namorado; então eu conheci a Flor como dois casais. O menino com a namorada da PUC e a amiga dela com o namorado dela. Depois a gente se separou, fui morar nos Estados Unidos e tudo mais, mas eu continuei me correspondendo com a Flor por e-mail. Quando eu voltei para o Brasil percebi que estava apaixonado por ela. Começou na amizade e durou alguns anos antes de virar uma paixão, um amor.

E, durante essa amizade, nunca te passou pela cabeça a ideia?

Eu acho que em Nova York, quando a gente começou a trocar e-mail começou a me passar pela cabeça, sim. Mas eu só concretizei que queria aquilo quando voltei a morar no Brasil e daí encontrei ela de novo e me pareceu logo natural, daqueles amores interessantes que você já conhecia razoavelmente bem, e foi um encontro muito feliz, tive duas filhas com ela, fruto da felicidade desse encontro: a mais velha chama Teresa, fez 3 anos agora. E a mais nova chama Julieta, fez 1 ano há dois meses.

O que chama mais atenção nas duas?
Além do fato de que elas são adoráveis de qualquer maneira, é que elas são muito diferentes entre si, desde o tipo físico até a personalidade. Teresa, aquariana, muito doce, muito poética... Julieta é decidida, parte forte, sabe o que quer. E é sensacional a ideia de ver elas crescendo. E embora eu me cuide para não enclausurá-las em um estereótipo, não marcar muito as diferenças, para mim parece muito óbvio desde muito cedo.

A Flor é jornalista também, né?

Ela é jornalista de origem, trabalhou muito em TV, trabalhou muito tempo na Cultura. Mas ela deu uma virada na carreira de uns tempos para cá. Ela abriu uma loja de roupa infantil. Admirei muito a coragem dela de dar essa guinada. É uma coisa muito da vida, que é o desejo de ter mais tempo para as nossas filhas, que essa vida de mãe e pai trabalhador hoje em dia não é uma coisa simples, como você sabe.

Hoje eu almocei com Ana Paula Wehba e ela lembrou uma história muito curiosa, que a sua família e a dela têm origem na mesma cidadezinha no Líbano...
Toda minha família é do Líbano, eu sou puro-sangue, não tenho cruzamento até aqui. O meu avô era de uma cidadezinha muito pequena, uma vila, chamada Marjaium, e o avô da Ana Paula era de lá também; eu acho que a gente frequentava o mesmo clube de Marjaium quando a gente era criança. Por alguma razão, uma boa parte de Marjaium veio para São Paulo.

E o que é ser libanês?
Boa pergunta. É uma sensação que eu não sei descrever muito bem. Mas, por exemplo, quando fui para o Marrocos, senti uma coisa muito familiar na língua, uma coisa meio atávica, de você reconhecer as coisas que te são contadas. Mas acho que tem uma coisa muito ligada a família, uma coisa de se reunir em torno da mesa, mesa farta, e valores talvez meio antigos, eu acho que é por aí.

E essas coisas se refletem na sua vida pessoal? Você, que já tem a Teresa e a Julieta, pretende ter mais filhos, ter uma família grande?

A melhor coisa que me aconteceu foi a paternidade, eu adoro minha vida familiar, minha vida de pai. Mas meu lado racional diz que dois é suficiente. Não é por falta de vontade. Se eu ganhasse na loteria eu teria mais filhos com certeza, mas a razão me diz para segurar a onda.

Você tem muitos irmãos?
Não, tenho dois irmãos, mais velhos. Um que deve ter mais ou menos 43 e uma irmã que vai fazer 42. Eu sou o caçula.

E o que eles fazem?
Um é advogado, e minha irmã... Ela se formou em publicidade, mas trabalhou em TV na maior parte da vida dela.

Caçula tem sempre uma síndrome de ou ser muito mimado ou pouco mimado...
Até que eu tive uma vida boa, no sentido de ter menos o peso das expectativas, menos cobrança. Você acaba sendo naturalmente mais independente, não tem aquele medo de quebrar que os pais têm com o primeiro filho. Então você fica mais solto. E isso acaba se refletindo na sua vida depois. Você fica acostumado a estar sozinho e fazer as coisas sozinho.

Uma coisa que me surpreendeu muito quando eu te conheci é você ter estudado no Bandeirantes, que é um colégio muito conservador. É engraçado imaginar você partindo do Bandeirantes e chegando na Trip...
Ah! Sim, eu passei sete anos da minha vida no Bandeirantes, da quinta série ao terceiro colegial. Foi uma época fundamental da minha vida, não tem como não deixar marcas. Eu acho que era um colégio conservador em vários aspectos, especialmente na importância dada ao desempenho etc. Mas era também liberal em outros aspectos. Se você faltasse em 25% das aulas, ninguém ia falar nada, se você passasse disso você ia repetir de ano. Mas eles não se preocupavam muito com a tua vida fora da escola, contanto que o desempenho fosse bom. Era meio que uma educação de resultados. Eu acho que eu associo muito o Bandeirantes com uma certa timidez que eu tenho. Porque da quinta à oitava série eu estudei em classe só masculina – as classes eram separadas entre homens e mulheres –, e numa época que eu tava justamente descobrindo o sexo, o amor e tal. E acho que isso ajudou a aprofundar uma timidez natural da minha parte e que permanece até a vida adulta. E é curioso, porque realmente não faz muito sentido sair do Bandeirantes e terminar na Trip. Mas acho que isso aconteceu porque a vida foi feita de vários acasos depois disso...

Você falou que era tímido. Você era um adolescente daqueles sofridos, que leem poesia?
Eu era bem esse tipo [risos]. A adolescência foi uma fase muito difícil da minha vida, eu sofria por questões existenciais, sofria desde a menina que não me dava bola até a guerra, a fome na Etiópia. Era época em que eu me refugiava muito no cinema, mas também nos livros. E tive sempre um comportamento mais pro introspectivo, introvertido, do que para o extrovertido, expansivo. Acho que isso vem da infância, mas na minha adolescência se aprofunda de uma maneira bem radical. Mas, claro, tinha meus amigos, tinha as pessoas com quem eu tinha certa afinidade. Meus melhores amigos vêm dessa época de colégio, até hoje.

E você escrevia nessa época?
Escrevia, escrevia. Escrevia poesia, conto, essas coisas... Eu não reli muito depois, mas eu tenho certeza que eram coisas bastante ruins, não tinha nada de promissor ali. E eu acabei fazendo jornalismo depois, porque eu achava que jornalismo ia dar uma disciplina de escrita que eu não tinha muito. E acabou não dando essa disciplina e me afastou um pouco dessa ideia de ficção, de poesia.

O que você ouvia nessa época?
Nos anos 80, quando foi minha adolescência, eu ouvia muita músicas dos anos 60 e 70: Led Zeppelin, Pink Floyd, o básico. E são músicas que embora eu não ouça com muita frequência tocam algumas cordas afetivas, nostálgicas, até hoje.

E livros?
Putz, tem certas coisas que eu lia na época, que me marcaram muito, mas que eu não reencontrei. Tipo Herman Hesse. Eu, como vários adolescentes, era enlouquecido por Herman Hesse. Peguei uma fase Herman Hesse muito pop. Mas eu não reli. Eu não sei dizer se vou considerar uma coisa juvenil, mesmo hoje, ou se vou achar uma coisa bacana. Não sei se você releu.

Não, não reli. Mas talvez nestes tempos de cinismo ele faça sentido de novo, não sei. E os filmes?
Os filmes que aprendi a amar na adolescência eu amo até hoje. Dos clássicos americanos até nouvelle vague. Revi todos eles e acho que estava certo na adolescência de gostar dessas coisas, quando as outras pessoas estavam vendo outros tipos de filme.

Leio muito seus textos de crítica de cinema. E uma coisa que me impressionou é que você julga com a mesma atenção tanto um filme autoral da Claire Denis quanto um blockbuster ou filme infantil. Pensei: “Pô, tai um cara que gosta realmente de cinema”.
Já me perguntaram de que gênero eu gosto mais e eu não sei responder isso. Provavelmente eu posso ter prazer em um filme de kung fu e eu posso ter prazer em um filme alemão, vindo da década de 20. Prazeres diferentes, mas com a mesma intensidade. E isso acho que vem desde sempre. Minha formação foi muito TV, Sessão da Tarde, Corujão... Então tudo é natural para mim, desde quando você está namorando, você convencer a mulher a ver ou um blockbuster animado ou às vezes um filme parado, e tudo mais. Mas aí você vai se adaptando. Engraçado, que eu já tenho essa fama na revista de gostar de filmes chatos, parados.

Arquivo Pessoal

5.Entrevistando o rei para o documentário que estou fazendo. 6.Eu sou o do meio, com 1 ano, entre meus irmãos, Elias Jorge e Isabela. 7.Vestindo o manto sagrado do Gigio Futebol Clube ao lado dos craques da Trip. 8.Com meu saudoso cabelo, que ainda e

5.Entrevistando o rei para o documentário que estou fazendo. 6.Eu sou o do meio, com 1 ano, entre meus irmãos, Elias Jorge e Isabela. 7.Vestindo o manto sagrado do Gigio Futebol Clube ao lado dos craques da Trip. 8.Com meu saudoso cabelo, que ainda e



E tem algum herói ou heroína?

Putz. Sabe que eu já me fiz essa pergunta? Porque eu não sou o tipo de comprar pôster, camiseta, esse tipo de coisas. Mas tem umas pessoas que eu admiro muito. Tipo, Paulinho da Viola é meio que meu herói, aquela coisa muito complexa disfarçada de simplicidade, muito elegante, tem um comportamento muito nobre, são virtudes que eu admiro. Um herói de cinema é o François Truffaut. Tom Jobim é um cara que eu admiro pra caralho. Tenho admirações principalmente. Mas não converto para essa coisa de colecionador.

Você partilha daquela ideia de que ética e estética são a mesma coisa?
Andam muito juntas às vezes, e nos casos mais interessantes são indissociáveis.

Como você chegou na Trip?
O Gui [Werneck] me convidou. A gente não se conhecia pessoalmente, mas temos muitos amigos em comum. Porque os dois passaram pela Folha, a gente passou por redação de jornal, eu passei pelo Jornal da Tarde e ele passou pelo Estadão. Eu não sei exatamente quem sugeriu meu nome para ele. Mas foi uma surpresa, uma coisa inesperada que caiu do céu. Um dia ele mandou um e-mail me chamando pra conversar e gostei dele de cara... Tava no UOL na época. Tinha muito pouca experiência em revista, trabalhava muito mais como colaborador em redação. Mas já gostava da revista, daí tive a intuição de que era a coisa certa a fazer, e até agora estou certo [risos].

Você lembra qual foi a sua primeira impressão ao chegar na Trip?
Tive a impressão desse ambiente mais informal, menos carregado. Com uma disposição visual mais solta, pessoas jovens. É uma redação muito jovem, e eu venho de redações com pessoas mais velhas. Me senti confortável, embora eu não seja uma pessoa informal.

Tem algum trabalho na Trip do qual você se orgulhe mais?
Tem edições, desde que eu cheguei, de que gosto muito. Mas, em termos de matéria que eu escrevi, gostei muito de fazer o Chimbinha e a Gloria Perez, porque tenho muita curiosidade de conhecer o universo de pessoas que eu desconheço. Universos distantes do meu. Às vezes eu tenho mais curiosidade sobre essas pessoas do que de pessoas próximas. E uma entrevista com o David Lynch, que aí é um ídolo pessoal, mas ídolo em relação à obra mesmo, porque pessoalmente ele é maluco demais [risos].

Você tem algum pensamento que te dirige de alguma maneira?
Não tenho um pensamento, não sou muito disso. Mas ultimamente tem uma frase do Niezstche que me vem à cabeça volta e meia e que é muito confortável para uma pessoa indecisa e insegura como eu. Ele fala que: “O maior inimigo da verdade não é a mentira, é a certeza”. Uma frase que tenho pensado muito. Mas pode ser uma desculpa com relação às minhas dúvidas em relação a tudo, sou muito confuso.

 

Engraçado, porque já acompanhei algumas reuniões de pauta e você é um cara bastante firme nas suas decisões.
Você acha isso?


Acho.
Eu disfarço bem, porque embora o pessoal colabore, e você pode colocar isso na matéria, eu tenho que enganar a equipe [risos]. Mas eu acho que no fim das contas eles não caem, eles sabem que eu sou um pouco inseguro. Fique à vontade para colocar isso.

Já que você se definiu pouco, eu queria que você se definisse um pouco mais.

Você só faz pergunta difícil [risos]. Mas acho que é isso. Eu usei alguns adjetivos em relação a mim, que acho que depois de 37 anos já dá para dizer isso, que é que eu sou introspectivo, extrovertido, inseguro, indeciso, eu sou “in”, para dentro. E para mim estar nesse cargo da Trip é um desafio, por me colocar para fora, me exteriorizar, mostrar o que eu sinto. Uma função, não nova, porque eu já passei por essa situação em outros lugares, mas mais intensa. É isso, tenho que ficar tapeando as pessoas o dia inteiro de que eu sou uma pessoa mais segura, mais expansiva do que eu realmente sou. E eu acho que a maioria não cai no truque, mas vou continuar tentando por algum tempo.


Você estudou jornalismo?
Jornalismo e um pouco de cinema. Fiz ECA, jornalismo, na USP e depois comecei a fazer cinema na ECA, mas não consegui. E estudei um pouco de cinema em Nova York.

Quanto tempo você ficou em Nova York?
Três anos.

E o que você achou dessa experiência?

Foi uma experiência muito enriquecedora, de uma realidade muito diferente, de uma quebra de vários confortos básicos que eu tinha aqui. A maior parte do tempo eu morei no Brooklin, em um apartamento térreo, uma casa muito menor, onde não tinha faxineira, eu fazia comida. Os mimos que eu levava da infância tinham desaparecido lá e com muito menos grana, vivendo muito mais contado. E em uma cidade em que as pessoas tendem a ser muito duras. Mas eu também tinha ótimos amigos: por acaso, alguns desses meus amigos do Bandeirantes estavam morando lá na época. Eu acabei conhecendo gente do mundo inteiro, fazendo amizade com todo mundo. E no meu último ano de NY acabei tendo uma experiência profissional muito legal, como correspondente de cultura da Gazeta Mercantil. E já com salário bom, eu era pago para passar a semana vendo filmes, exposições, passar escrevendo sobre elas. Foi um período muito legal da minha vida, que durou pouco tempo porque a Gazeta depois meio que faliu.

Você sempre escreveu sobre cultura?
Quando eu entrei na faculdade, eu lembro que numa classe, numa das primeiras aulas, perguntaram “O que você quer fazer?”, e eu falei “Eu quero ser crítico de cinema”. E sempre tentei me encaminhar um pouco para essa área, minha área de maior interesse. Eu adoro cultura e adoro esporte, mas nunca trabalhei com esporte. Fui me encaminhando rápido, tipo, comecei a trabalhar no primeiro ano de faculdade, com 19 anos, na rádio Jovem Pan, fiquei quatro meses lá. Fui para a Folha, trabalhei em uma área meio geral na Agência Folha durante dois anos. Daí, já fui para a Ilustrada, quando eu tinha 20 anos já estava no caderno de cultura. Desde então, já trabalhei em muitos lugares, mas os períodos que eu não trabalhei com cultura foram períodos de exceção.

Você chegou a fazer alguma grande cagada que acabou servindo como ensinamento?
Muitas. Não sei nem por onde começar... É em ordem alfabética [risos]. Mas no cinema, por exemplo, eu acho que fui muito duro e muito injusto, muitas vezes, e fico até mais chateado quando é com filme brasileiro, tipo, estão meio desprotegidos. E acho que ultrapassei a linha do criticar o filme e atacar o diretor... Então, tem algumas críticas que me arrependo muito de ter feito, não faria hoje; hoje acho que eu sou um pouquinho mais sensato na hora de criticar, escolho mais as palavras. Mas já fiz muito besteira, que foram muito instrutivas, mais instrutivas do que os acertos.

Arquivo Pessoal

 9.Meus pais, Jorge e Evani, na Confeitaria Colombo, no Rio, na época em que eu morava lá. 10. Teresa e eu fotografados pela Trip para uma matéria sobre trabalho em casa. 11.Teresa e Julieta em Olinda, meus tesouros, no último Ano-novo. 12.Com a Flor

9.Meus pais, Jorge e Evani, na Confeitaria Colombo, no Rio, na época em que eu morava lá. 10. Teresa e eu fotografados pela Trip para uma matéria sobre trabalho em casa. 11.Teresa e Julieta em Olinda, meus tesouros, no último Ano-novo. 12.Com a Flor



O que você diria que são as qualidade necessárias para um bom jornalista?
Difícil responder, porque eu não me considero um bom jornalista.

Você acha essencial estudar jornalismo na faculdade?

Não, não acho essencial.

 


O que é essencial?
Eu não me considero um bom jornalista na visão clássica do bom jornalista, do cara que quer ir para a rua e jogar o sapato e não consegue ficar parado e tal. E eu acho que nunca fui esse tipo de jornalista. Sempre fui mais contemplativo, e tudo mais. Acho que bom jornalista é aquele que tem muita curiosidade. Que eu tenho por alguns assuntos, mas não correspondo a essa imagem clássica. Pergunta difícil essa. Acho que tem que ter um desejo de olhar o mundo mais a fundo, não se contentar com as verdades dadas. Acho muito importante uma coisa que é muito rara na profissão, que é você não ser cínico. Acho que tem que ter o desejo de você entender o outro. E eu gosto muito de bom texto, eu sou bem antiquado nesse sentido, acho que um texto sofisticado feito com estilo, que não seja feito nas coxas... É isso, mas é um tipo de pergunta que acho difícil. Acho que não ser um cínico é uma batalha diária importante.

Você sempre quis ser jornalista?
Não. Não quis ser jornalista. Foi aquilo que eu te falei, na adolescência quis ser escritor, trabalhar com arte, porque tinha o lado romântico de artista ser bacana. E aí eu usei o jornalismo para tentar ter a disciplina da escrita, mas não funcionou. Quando eu quis ser jornalista quis ser uma coisa específica que era crítico de cinema. Mas a vida me levou para vários lugares, alguns em que eu fui feliz – estou feliz na Trip hoje. E outros em que eu fui infeliz. Eu acredito no acaso, que o acaso tem um papel grande nas nossas vidas. Acho que estar na Trip é um acaso bom.

De todas as suas funções do jornalismo, qual aquela que te dá mais tesão?
Eu queria ser pago para ver o filme, assistir e não ter que escrever [risos]. Escrever é muito sofrido. Mas a melhor parte do meu trabalho é ver filmes. Eu tenho uma satisfação, também, agora como editor, quando você faz uma boa edição de uma revista. Redondinha. Forte. Que eu desconhecia antes porque eu sempre estive em áreas muitos específicas, muito estreitas. Então é um prazer interessante também.

Queria que você falasse do seu filme...
Fui estudar para fazer cinema mesmo, não para escrever sobre cinema. Mas conhecendo esse universo sabia como era difícil entrar, se você não quer galgar todos aqueles degraus, backstage, produtor e tal, até você realizar um filme. Mas há cinco anos um estudante chegou para mim e disse: “Fiz um trabalho de faculdade sobre a era dos festivais e queria que você fizesse um filme comigo”. E me pareceu um convite tão ingênuo da parte dele, que tinha 20 e poucos anos, que foi encantador! E eu falei: “Eu vou nessa, ver no que vai dar, EMBORA eu ache que não vai dar certo”. Mas as coisas foram dando certo, demoradamente, como tudo no cinema nacional. Quem produziu foi a Vídeo Filmes, uma produtora grande, que trabalhou com Walter Salles, que conseguiu ir atrás de recurso, que ficou muito tempo preparando, captando e tal e no ano passado a gente filmou. Um filme sobre uma coisa muito específica, que é o final do Festival da Canção da Record de 67. Nessa final, que é considerada um dos momentos mais fortes da música brasileira, o primeiro lugar ficou com “Trigo” do Edu Lobo; segundo lugar foi “Domingo no Parque” do Gil; terceiro lugar foi “Roda Viva” do Chico; quarto lugar foi “Alegria, Alegria” do Caetano; o quinto lugar foi Roberto Carlos, com uma música que hoje em dia é pouco conhecida. O Sérgio Ricardo quebrou o violão nessa final. Ainda estavam participando Elis Regina, Geraldo Vandré e Jair Rodrigues. Acabei conhecendo, entrevistando pessoas que eu admirava muito, admiro muito, pessoas muito diferentes entre si. Entrevistei: Caetano, Chico, Gil, Roberto Carlos. Uma experiência prima do jornalismo em certo sentido e com coisas muitos específicas também... foi tudo muito novo para mim. Se tudo caminhar bem, acho que estará no cinema em maio.

Você ficou satisfeito com o resultado?
Eu sou muito próximo do filme para dizer se fiquei satisfeito ou não, mas acho um filme muito digno. Muito simples, também, tem um pouquinho de entrevista e imagem de arquivo, não tem firula, não tem muita ilusão de revolução ao cinema e tal. Saiu totalmente diferente do que eu tinha imaginado na minha cabeça. Mas todo mundo diz que isso é absolutamente natural.

Você tinha imaginado com mais firula?
É, com um pouquinho mais de firula [risos]. Mas acho bom, acho a simplicidade muito boa, em tudo na vida, queria ser mais simples e que as coisas fossem mais simples.

Você torce para que time?

São Paulo.

Tinha que ter alguma coisa ruim...
Várias coisas ruins... Essa não é uma delas. Mas de uns tempos para cá eu tenho me arriscado em novas coisas, quando morava no Rio tentei surfar e era prego. Tentei jogar vôlei de praia e era ruim. Hoje eu jogo tênis e sou ruim. Jogo meio tudo, sou muito coerente na minha ruindade em todos os esportes e no meu prazer com todos os esportes. Eu adoro jogar, fazer qualquer esporte, gostaria de fazer muito mais, em uma vida menos corrida eu faria mais coisas.

Você tem uma preocupação com a saúde? Fica meio paranoico com a forma?
Eu tenho preocupação, mas não o suficiente para ter a disciplina de fazer alguma coisa. A idade tá chegando...

Você ta com quantos anos?
37... Então, eu me preocupo sim! Mas me inscrevo em academia e não vou, clássico. Esse fim de ano fui para a praia e aí eu vi uma foto e pensei: caramba! Eu tenho que fazer alguma coisa urgentemente. E ai comecei a correr, mas eu já comecei a correr dez vezes na minha vida e durante um mês. Eu tô na segunda semana, lutando bravamente. É uma preocupação, infelizmente, desproporcional ao meu esforço.


Por falar em preocupação, sua família vem de uma zona de conflito, né? É o sul do Líbano, você acompanha a questão israelense e palestina? Você se sente pessoalmente atingido?

Não. Tem uma herança da coisa árabe, clássica que eu te falei, que eu fico muito triste com o que acontece na Palestina, espero que as coisas se resolvam rápido. E embora eu não goste, não apoie o terrorismo, eu não gosto e não apoio as atitudes do Estado de Israel, o que não tem nada a ver com minha relação com judeus. Uma coisa curiosa, quando teve o 11 de setembro, eu ainda morava em Nova York, mas estava de férias no Brasil. Nova York, especialmente o pouco tempo que eu passei depois do atentado, me fez me sentir muito árabe, porque eu era visto muito pelo meu tipo físico, que é muito árabe. Fui muito provocado na rua, fui barrado em aeroportos... Então, esse sentimento aflorou um pouco lá.

Você tem algum posicionamento político?

Eu não definiria tão claramente. Porque eu já votei em partidos de esquerda e de centro-esquerda. Mas estou muito animado com a candidatura da Marina Silva, neste momento posso afirmar que vou votar nela. Mas eu admiro muito algumas figuras que eu vejo como figuras independentes da política. Como a Marina, como o Gabeira... Não sou necessariamente partidário, mas eu tenho tendência mais para o pensamento de esquerda, mas já votei no PSDB algumas vezes. Covas, essas coisas...

Eu não conhecia o Daniel antes de ele vir trabalhar aqui na Trip, mas nós tínhamos vários amigos em comum, e todos diziam que ele era um cara muito especial. A opinião dos amigos foi totalmente confirmada quando finalmente conheci o Daniel ao vivo. Grande sujeito, grande texto. Foi um privilégio tê-lo como entrevistador. (Por Calil)

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Postado em 03.02.2010 | 15:02 | por Diogo Rodriguez
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Começa hoje à noite em São Paulo o Social Media 2010, evento anual sobre as possibilidades e os impactos das mídias sociais. Até sábado (06/02) serão quatro palestras com profissionais especializados no tema, incluindo o colunista da Trip Alê Youssef. As inscrições estão esgotadas.

A Trip também marca presença no último dia do evento distribuindo revistas para o público participante. Não deixe de nos procurar no Social Media 2010.

 

Confira a programação completa no site do Social Media 2010

 

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Postado em 02.02.2010 | 13:02 | por Stephanie
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A surpresa de uns é a risada de outros. Quando faleceu o Mestre Shotaro Shimada, a Trip havia acabado de publicar uma matéria sobre o iogue número um, essa matéria era destaque em nossa home. Ao receber a notícia, nosso repórter em choque perguntou: Ele tinha morrido na home da Trip?

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Postado em 29.01.2010 | 17:01 | por Stephanie
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Alexandre Potascheff

 

Quem esteve esta semana aqui na Trip, gravando entrevista para o TRIP FM, foi o artista plástico Guto Lacaz. Um dos mais respeitados, admirados, premiados e curiosos artistas brasileiros, o Guto ainda é uma pessoa extremamente simpática e com humor realmente refinado. No papo com o Paulo Lima eles falaram desde a preferência do Guto por Ovomaltine batido no café da manhã, até questões mais delicadas, como o processo de criação e de monetização de uma obra de arte, passando pelas diversas experiências do Guto, seja com instalações, seja na televisão. Pra quem se liga em arte, principalmente arte contemporênea, ou simplesmente pra quem se interessa em conhecer a vida, as idéias e as opiniões de um criador realmente único, de um criativo genial, esse programa é imperdível. Vale lembrar que no site do Trip FM você encontra alguns extras da entrevista, algumas perguntas e respostas que não couberam na versão radiofônica. Passa lá!

 

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Postado em 27.01.2010 | 17:01 | por Stephanie
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Por Marco Guidi

Essa figura rara não é conhecida de hoje não...
Quando o conheci ele era meu colega, trabalhávamos num bureau de mídia “xexelento”(com toda a propriedade da palavra) onde passávamos a maior parte do tempo pensando para quem podíamos vender banners, tratamento digital, fotolito, recorte-vinil e outras tranqueiras mais que eram possíveis fazer com prego e martelo.

Com o tempo algumas afinidades justificaram a amizade: o Corinthians, a cerveja e o trailer xexelento (esse era mais) do lado da firma, onde aconteciam de pé almoços memoráveis à base de coxinhas, pastéis, refrigerantes e qualquer outra coisa que o óleo ali, sempre quente, pudesse proporcionar.

A amizade rendeu uma sociedade, onde representávamos uma gráfica do interior. Lá fomos nós trabalhar com gráfica: na ocasião vendíamos impressos promocionais e editoriais para os mais diversos segmentos. No portfolio: panfletos, adesivos, pôsteres, transparências para máquinas caça-níquel, bula de remédios esotéricos e capas de DVD pornô. Não perdíamos um negócio ali! Que fase...

O tempo passou e nesta estrada que é a vida os caminhos novamente se cruzaram. E aqui estamos, mais uma vez batalhando na mesma casa. Me orgulha manter uma amizade sincera assim por mais de dez anos e que tem origem no trabalho!

Nesta oportunidade rara de entrevistar tão nobre e respeitado colega, ops!, amigo, não podia deixar de fazer algumas perguntas que há tempos gostaria:

Já vou começar com uma pergunta que muitos que o conhecem gostariam de saber também:

 

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5.Lua de mel em Buenos Aires. 6.Cozinhando com a filha. 7.Os outros dois filhos. 8.Família unida.

5.Lua de mel em Buenos Aires. 6.Cozinhando com a filha. 7.Os outros dois filhos. 8.Família unida.

 


Sua disposição para um alimentação “xexona” vem de muito tempo? Ou foi algo desenvolvido em função da correria de um profissional de vendas?
Primeiro de tudo, acho que cabe uma breve explicação sobre a palavra “xexona”. Muitas pessoas podem não conhecer o palavra e a entrevista já começaria mal... Xexona ou xexão é um termo usado por mim e meus amigos de infância para definir algo não muito saudável ou com uma aparência estranha... Esse termo veio de um grande amigo, que o apelido dele é Xexa e ele tem uma aparência nada saudável. Quanto à minha inclinação para alimentos mais pesados e consistentes, isso vem do meu pai mesmo. Ele sempre foi um admirador de carboidratos, Catupiry e churrasco em larga escala. Sempre fui muito ligado a ele e acabei herdando esse traço. A profissão de vendas só piorou isso, pois acabo comendo muito na rua na correria e nem sempre opto pelo alimento mais saudável.

Entre o vasto cardápio, qual você admira; e lugares, quais seriam suas sugestões “xexonas” para os amigos da Trip Editora poderem conferir também?
Para uma segunda-feira?
É um dia complicado, pois normalmente comemos muito no fim de semana. Recomendo para esse dia o buffet do Consulado Mineiro, com destaque para o 2nd floor (prateleira superior do buffet com os pasteizinhos e bolinhos de aipim).
Terça-feira?
A semana já está em pleno vapor e nada como ir ao templo da gastronomia em Pinheiros, a Cantina Gigio, e degustar um belo Agnelotti com recheio de ricota e nozes, inundado por molho branco com Catupiry e gratinado na fornalha do Toninho.
Quarta-feira?
Basicamente um dia para feijoada, mas como dá muito sono recomendo uma carninha em algum lugar agradável como o Vento Haragano, por exemplo.
Quinta-feira?
Dia pós ressaca de futebol e comida mais saudável recomendada. Sushi no Hideki. O melhor buffet de peixe cru da cidade.
Sexta-feira?
Dia em que podemos ser mais agressivos. Aqui recomendo uma sugestão sua, desde que não tenhamos reunião com cliente depois: o maravilhoso e farto filé à parmegiana do Degas, respeitado restaurante de carnes na avenida Pompeia.

Já contou para alguém a respeito da sua entrevista de emprego aqui na Trip? Época que você estava mancando por conta de um ferimento no pé causado por um ouriço que você pisou na Bahia? O que aconteceu?
Esta história é bem curiosa mesmo. Só quero fazer algumas correções antes de contá-la. Estava com o pé machucado mesmo, mas não foi por causa de um ouriço na Bahia... Havia rompido os ligamentos do tornozelo jogando futebol e estava em fase final de tratamento, já sem a botinha, fazendo fisioterapia e mancando muito. Justamente nessa época, recebi a proposta da Trip e tive que fazer as entrevistas com o Roger e com o Totó. Com o Roger foi tranquilo, pois fiz a entrevista sentado na mesa do café, que na época ficava na grande sala da recepção. Porém, com o Totó, ele quis fazer a entrevista na padaria que hoje é a Ícone, não me lembro o nome na época. Quando tive que andar até lá, obviamente acabei por expôr meu tornozelo machucado e admito que era um jeito bem estranho de mancar.
Depois que fui contratado, um dia fui almoçar com o Roger e com o Totó, e o Totó me disse que havia gostado muito de mim, mas que havia perguntado para o Roger se ele havia reparado que eu arrastava uma perna. Não que ele tivesse alguma coisa contra, mas acabou ficando preocupado e perguntou ao Roger se eu era coxo... hahahahaha. Demos muita risada com a situação, porque depois ele se deu conta de que era apenas uma contusão.

A primeira vez nunca se esquece. Você lembra da primeira página vendida aqui na Trip? E para qual anunciante? Qual foi a sensação?
Existem duas diferenças nesse caso. O primeiro pedido de inserção que recebi foi de Mitsubishi via agência Africa, mas não foi uma venda que fiz. A primeira venda mesmo que fiz foi para Sony Xplod na DPZ. E essa foi uma grande vitória minha e do Totó, pois o cliente tinha um policy de não fazer anúncio em revista com ensaio sensual. Conseguimos derrubar o policy e colocar o anunciante para dentro no meu primeiro mês de trabalho. Foi bem legal.

Ser vendedor não é fácil... Quais as principais diferenças do vendedor atual para o de antigamente? Quais são as mudanças mais significativas que você percebeu nesses últimos anos?
Muita coisa mudou. Na verdade, a profissão de vendedor, algum tempo atrás, era tida como uma coisa para aquele cara que não tinha nada para fazer na vida, precisava ganhar um dinheirinho, era bom de conversa, mas meio burro e sem cultura. Além de não achar que antigamente era assim, pois conheço muitos vendedores da velha guarda que não têm nada disso que citei acima, hoje a imagem e a função do profissional de vendas mudaram muito. Hoje em dia, o profissional de vendas enfrenta um cliente cada vez mais bem preparado e uma concorrência muito mais preparada, então, o cara tem que entender muito do negócio dele e estar bem preparado para enfrentar um cara com bastante cultura e preparo do outro lado do balcão. Na minha opinião, acabou aquela coisa de vendedor que só serve para tirar pedido e que se baseia apenas na amizade para vender. Hoje o cara tem que ter pensamento estratégico, bom preparo intelectual, um networking muito eficiente e uma boa dose de paciência.

Arquivo Pessoal

5.Lua de mel em Buenos Aires. 6.Cozinhando com a filha. 7.Os outros dois filhos. 8.Família unida.

5.Lua de mel em Buenos Aires. 6.Cozinhando com a filha. 7.Os outros dois filhos. 8.Família unida.


Você é um cara superpolitizado. Num país onde temos tanta esperança por um amanhã digno, o que você considera como condição para sermos, de fato, um país melhor?
Esta pergunta é fácil e não precisa ser muito politizado para saber que todos os nossos problemas são oriundos de um grande mal que temos, a falta de educação digna e de qualidade para todos os habitantes. A pessoa que não estuda direito não tem a mínima chance de evoluir adequadamente, pois não consegue trabalhar direito, não consegue pensar direito e nem votar direito consegue. Aí fica difícil querermos algo de bom para este país.

Mudando totalmente o tema... Gostou do Flamengo campeão? A justiça foi feita ali?
Gostar eu gosto mesmo é que o Corinthians ganhe sempre, mas gostei sim. Entre São Paulo, Palmeiras, Inter e Cruzeiro, o Mengão é o time que mais simpatizo, sem sombra de dúvidas. Por sinal, o Flamengo é um time de que gosto e acho bem simpático. Torço para um time de massa e um time que tem como maior diferencial a sua torcida, coisa que o Flamengo também tem. E acho que é muito bom termos o primeiro hexacampeão brasileiro de futebol masculino.

E o Coringão, hein? Você imagina sua reação caso o todo-poderoso Timão, ano que vem, leve a Libertadores?

Olha, não gosto nem de falar muito nisso, pois tenho que segurar a ansiedade e já sofri algumas decepções nesse sentido, mas, sinceramente, não consigo imaginar não. O que sei é que estamos montando um time consistente, que mescla a juventude de alguns ótimos jogadores que temos com a experiência de craques internacionais. Boto muita fé, mas vou ficar bem quietinho por enquanto.

Como bom paulistano, do que você mais gosta na cidade e que recomenda?
Acho que esta cidade possui restaurantes, atividades culturais, bares e baladas que nenhuma outra cidade no mundo tem, principalmente a parte gastronômica. Recomendo, para um sábado comum e ensolarado, que se comece o dia na Pinacoteca, um lugar muito agradável e que se pode perder o dia inteiro conhecendo. Se não quiser ficar lá muito tempo, saia e almoce no bar da dona Onça, no edifício Copan. No fim de tarde, nada como voltar pelo centro e tomar um belo chopp no bar do Léo do centro, não aquele na Maria Carolina. Depois, passar em casa para tomar um banho e sair para comer algo nas centenas de restaurantes maravilhosos que temos. Ultimamente, recomendo uma cantina que abriu na Consolação chamada Tappo. Os pratos são extremamente tradicionais e normalmente complexos na execução, como a maravilhosa bisteca fiorentina que eles têm lá. Depois disso e com a barriga cheia, o que não falta é balada boa. Apesar de preferir ir a festas em casas de amigos no fim de semana, acho que o Studio SP, a D-Edge e o Bar Secreto são lugares bem bacanas, prefiro ir durante a semana, mas são casas muito legais.

Para quem não sabe, um famoso jargão do Cesar é “Hoje vai ser Morte e Destruição...”. Conta aqui qual sua lista de lugares e drinks “top 5” para uma noite perfeita de “Morte e Destruição”?

1) Whisky Sour – Baretto
2) Cerveja gelada com costela – Sachinha
3) Negrone – Spot
4) Gin Fizz – Jeremias, o Bom
5) Campari com Club Soda – bar do hotel Ca'd'Oro

Notei que você é um grande apreciador de Campari, coisa rara hoje em dia. Como surgiu essa paixão?

Gosto bastante sim. Como você pode reparar, na resposta anterior, dois dos drinks que citei levam Campari [o próprio Campari e o Negrone]. Sempre achei Campari uma bebida agradável, sou de uma família de bebedores de Campari e gosto há muito tempo. Porém, quando era mais moleque, tinha um pouco de vergonha de beber Campari na balada. Ele é um drink bem amargo e que leva a fama de ser bebida de velho, mas a verdade é que, assim como o slogan dele diz, “só ele é assim”.

Tem algum filme ou filmes em especial que marcaram sua vida? Por quê?
Acho que todo mundo que gosta de cinema tem alguns filmes que marcaram a vida. Acho que tenho alguns, mas três se destacam, pois marcaram três momentos diferentes da minha vida. O primeiro e que marcou muito a minha infância foi Goonies. Eu vi esse filme umas 500 vezes e tinha uma turma de amigos que praticamente se sentia a molecada do Goonies. O filme é muito clássico, revelou Steven Spielberg, que escreveu o filme, e uma geração bem curiosa de atores, entre eles o Josh Brolin, e ainda tem na trilha sonora a melhor música da Cindy Lauper, na minha modesta opinião.
Outro filme que marcou minha vida foi Pulp Fiction, na transição da adolescência para a vida de universitário. Além de ser um dos melhores filmes que já vi, foi a primeira vez que entrei dentro de um filme e consegui ver as entrelinhas dele e analisá-lo de uma forma mais profunda. Sou completamente viciado nesse filme e sei todos os diálogos dele.
Finalmente, outro filme que me marcou muito, e esse já na fase casado e com filha, foi Match Point, do Woody Allen. Além de ser um fã incondicional do baixinho, achei esse filme uma das maiores obras-primas do cinema mundial. Aborda um tema muito curioso e banal – a importância da sorte na vida – de uma forma nada convencional e muito interessante. Gosto muito também pois sou um cara que acredita muito na importância da sorte e do caráter na vida. E não acho que sorte vem por acaso, não, você pode fazer com que sua vida a encontre, desde que tome decisões corretas e saiba estar no lugar certo e na hora correta.

E o cigarro? Parou de vez?
De vez não. Já obtive uma grande vitória que foi conseguir não fumar mais de dia e nas noites que não saio. Porém, quando bebo a coisa fica incontrolável. Acho que para atingir esse objetivo terei que dar um pulinho no HC e fazer aquele tratamento que rola lá. Já ouvi várias pessoas falarem que o tratamento é muito bom e sem ficar tomando remédios.

Pode revelar o que você vai pedir para o Papai Noel este ano?
Parece papo de bispo evangélico, mas se tiver saúde está bom, pois o resto eu corro atrás. De qualquer forma, gostaria que o ano de 2010 fosse um pouco mais fácil. Este ano tive muitos problemas, principalmente porque o mercado não respondeu bem e não vendi como gosto de vender. Mas minha vida está ótima e, se continuar assim, está bom. Ho-ho-ho.

Agora, em primeira mão, o dicionário dos jargões do Cesar:

1) “Ô meu amigo!” / “Ô minha amiga!” = quando o cliente é camarada
2) “Viatura” = carro atual
3) “A chimbica” = carro antigo (cujas multas superaram o valor da chimbica)
4) “Fiota” = mulher não digna, mundana
5) “Japonês” = cliente brother dele (repete três vezes ao dia)
6) “Oi, gatona” = esposa ao telefone
7) “Ô, princesa” = a filha (Maria) ao telefone
8) “Toma uma” = Ruby de sexta
9) “Ô, professor” = referindo-se ao Luciano (do tráfego)
10) “É uma jaga” ou “jago” = cliente com processo defeituoso
11) “Émêmo?” = quando quer ironizar
12) “Óóh” = quando está surpreso
13) “Ralando o c* na lixa” = quando precisa justificar um esforço descomunal
14) “É tradição...” = quando quer mostrar respeito a um lugar
15) “Patricy” = Patricia Barros, gerente de Tpm
16) “Baratinha” = referindo-se ao carro da Patricia
17) “Minha filha...” = introdução para uma resposta mal-humorada

*Marco Guidi é relativamente novo na editora, mas amigo de longa data e parceiro de outras empreitadas. Apreciador da boa mesa, também não descarta uma alimentação mais xexona (por Cesar Bergamo).

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Postado em 26.01.2010 | 16:01 | por Stephanie
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Plataforma Lattes

Alexandre Potascheff, produtor do Trip FM, conta como foi a gravação do programa, que recebe a geneticista, Lygia da Veiga Pereira.

Quem esteve na mais recente edição do Trip FM foi a geneticista Lygia da Veiga Pereira. Professora da USP, a Lygia é uma das mais importantes especialistas em célula-tronco do Brasil e foi eleita pela revista Info Exame a cientista do ano em 2009. Distante do esteriótipo sisudo e meio avesso à conversas descontraídas que os cientistas carregam, a Lygia é uma pessoa falante, divertida e tirou muitas dúvidas sobre transgênicos, clonagem e, principalmente, sobre células-tronco. Das questões mais simples às mais complexas, Lygia deu uma verdadeira aula. À frente da primeira equipe brasileira que conseguiu extrair e multiplicar células-tronco retiradas de embriões congelados, Lygia explicou pra gente o que são exatamente essas células, quais os tipos de doenças e problemas de saúde que elas vão poder tratar no futuro e o que, de fato, já vêm sendo feito na medicina. De quebra a Lygia, que foi uma espécie de consultora da Rede Globo na época da novela O Clone, ainda falou sobre clonagem, sobre os riscos dessa prática e sobre a visão do meio científico sobre ela, e ainda sobre transgênicos. Vale a pena conferir esse papo no Trip FM. Aliás, lá você encontra não só a entrevista que foi ao ar pelo rádio, mais uma série de 'extras' que, por uma questão de tempo, tiveram que ficar de fora da versão radiofônica do programa. Confere lá.

 

 

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Postado em 26.01.2010 | 12:01 | por Stephanie
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Arquivo pessoal

Momento post-it

Momento post-it

O post-it dispensa explicações. Os fãs que nos desculpem, mas alguém conhece esse período?

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Postado em 20.01.2010 | 16:01 | por Stephanie
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*Fernanda Danelon, editora da revista Trip, bateu um papo com Regina Trama, coordenadora de produção da revista Tpm.

Regina é eficiente. De uma eficiência sutil, pois Regina coordena a produção da Tpm com uma delicadeza contagiante, refletida inclusive na gentileza de suas assistentes. Somos vizinhas, pois nos sentamos uma de costas pra outra, e confesso que sua eficiência chamou a minha atenção logo nas primeiras semanas que cheguei à Trip. Quando descobri que ela também tinha vindo de televisão, aí me identifiquei na hora e desde então a gente troca figurinhas na Redação. A Regina é muito solícita, vira e mexe gira a cadeira pra dar uma dica, um palpite, qualquer coisa que possa ajudar. E ajuda mesmo! Eu sei, pode parecer óbvio demais falar sobre o vizinho, mas acontece que a Regina assim, ali quietinha trabalhando como uma formiguinha, merecia ser mais bem conhecida por todos da editora. Com vocês, Regina Trama.

Arquivo pessoal

1.Ensaiando a coreografia com a cabeleira solta. 2.No palco em dia de espetáculo. 3.Com 6 anos, franja de lado num parque no Morumbi. 4.Curtindo um sol na cadeira de praia com menos de 1 ano. 5.Em Fernando de Noronha.

1.Ensaiando a coreografia com a cabeleira solta. 2.No palco em dia de espetáculo. 3.Com 6 anos, franja de lado num parque no Morumbi. 4.Curtindo um sol na cadeira de praia com menos de 1 ano. 5.Em Fernando de Noronha.

Você vem de TV, né? Em quais canais/programas você já trabalhou e por quanto tempo, antes de migrar para revista?
Meu primeiro emprego foi como estagiária de produção na TV Manchete. Foi ótimo pra eu ter noção de como funcionava uma emissora de TV e um programa ao vivo. O programa tinha quatro apresentadores que iam se revezando durante o dia inteiro: a Virgínia Nowick, o Sérgio Mallandro, o Otávio Mesquita e o Emílio Surita. Lembra aquele quadro do Otávio Mesquita em que ele acordava famosos? Era um dos que eu fazia! Nessa época cada vez que chegavam as férias da faculdade eu pedia demissão e ia viajar, bons tempos… Depois disso fui contratada de novo pela minha ex-chefe pra trabalhar na Gazeta, como assistente de produção no programa do Sérgio Mallandro. Eu ficava no palco ajudando a dinâmica das coisas. Tanto na Manchete como na Gazeta, meus chefes eram os atuais donos e a atual diretora-artística da RedeTV!. Nem imaginava que eles iriam comprar a RedeTV! num futuro próximo… Depois disso fui trabalhar para o SporTV, e foi quando realmente eu virei produtora e aprendi a base de tudo que eu sei hoje. Meu chefe era um cara muito especial, tranquilo e exigente, e me ensinou muitos atalhos pra fazer um bom trabalho em pauta, produção, reportagem e edição. Coisas que funcionam tanto na TV como em revista. Ele obrigava a gente a ler de tudo, a se informar, a sempre querer fazer o melhor e a não desistir. Foram pouco mais de três anos, incríveis profissionalmente. Eu viajei o Brasil inteiro, conheci muita gente interessante, de famosos a anônimos. Eu tinha que convencer uma banda tipo Skank a criar em estúdio uma música exclusiva, depois gravar um clipe, tudo sem dinheiro e uma vez por semana… Eram dois programas semanais e mais alguns especiais que a gente fazia e todo mundo fazia de tudo, a pauta, a entrevista, a edição, até legenda eu fiz e acabei segurando muita responsabilidade, foi ótimo.

A Tpm é a primeira revista onde você trabalha? Você veio direto da TV pra cá?
Nunca tinha trabalhado em revista antes. Na primeira foto que eu acompanhei, pedi silêncio, como se fosse gravação, olha que louca! No SporTV, eu conheci a Juliana, esposa do Califa, e a Lúcia, ex-produtora da Trip. Logo quando acabou a história do SporTV, a Juliana disse que tinha umas vagas de produtora na editora e que se a gente quisesse ela indicava, enfim. A Lúcia foi trabalhar como produtora na revista Trip e eu desencanei, achei que não tinha nada a ver com o que eu fazia. Depois de uns meses me telefonou a Anita, que era coordenadora de produção da Tpm, e disse que a Lúcia falava dia e noite de mim, que era para me contratar e tal... Elas me forçaram um pouquinho, ainda bem! Eu cheguei pra conversar com a Anita e ela me disse: o salário é abaixo do que você merece, a função é abaixo do seu potencial, mas é tão legal… Eu não estava fazendo nada mesmo e decidi fazer uma experiência. Comecei a trabalhar de produtora na Tpm. Adorei fazer revista, muito mais do que TV. Mas um dia pedi demissão pra manter uma produtora de vídeo que eu tinha montado com a Lúcia. Acabamos fechando e voltei pra RedeTV!. Foi quando me chamaram de volta na Tpm, pra substituir a Anita. Como era um trabalho de coordenação, mais abrangente e de mais responsabilidade do que na época de produtora, topei voltar e estou até hoje. Na verdade me encontrei mais em revista do que em TV. A dinâmica desse trabalho que tem mais tempo pra acertar os detalhes, o envolvimento com o texto, o formato do produto final, tudo isso me faz achar que foi uma boa escolha.

Arquivo pessoal

6.Com Ari e Anita, ex-coordenadora da Tpm. 7.Com Rodrigo na festa da Tpm/Trip. 8.Com Rodrigo, pai e mãe (ídolos) e amigo.

6.Com Ari e Anita, ex-coordenadora da Tpm. 7.Com Rodrigo na festa da Tpm/Trip. 8.Com Rodrigo, pai e mãe (ídolos) e amigo.

Quais as principais diferenças entre trabalhar em TV e em revista?
Acho TV mais complexo, tem mais correria, mesmo em programa gravado. A estética de locação e cenário pra imagem em movimento também exige mais. Com relação ao conteúdo, o processo de criação é parecido. TV é mais rápido, tem menos tempo pra ficar pronto, as pessoas não observam seu trabalho com tanta atenção como em revista. O alcance do que eu fazia na TV era mais surpreendente, mas às vezes me incomodava a falta de tempo pra corrigir os detalhes.

Qual sua formação? Você cursou qual colégio e faculdade?
Eu estudei toda a minha vida no Dante, tenho lindas recordações de lá. A escola teve uma importância muito grande no que eu sou hoje, de conhecimento e formação mesmo. Além das amizades, minhas melhores amigas até hoje são de lá. Depois fiz rádio e TV na Faap e letras na USP.

Quantos irmãos você tem?

Eu tenho cinco irmãos! Tudo do mesmo pai e da mesma mãe, hein!? Somos dois homens e quatro mulheres, sou a quarta. Minha família é incrível, a gente é uma gangue, um clã. Muito unidos, uma máfia mesmo. A casa da minha mãe é tipo uma pensão, cheia de gente sempre. Fora que a turma adora uma festa. Quando a gente era criança meus pais viajavam com a tropa toda, até trailer a gente já teve! Meu pai e minha mãe são pessoas muito especiais, gostaria de ter a capacidade de passar para meus filhos um décimo do que eles me ensinaram sobre respeito, inteligência, valores, tranquilidade e alegria. Absolutamente todas as pessoas para os quais os apresento me falam deles com carinho. Meus amigos perguntam mais por eles do que por mim!

Qual sua melhor lembrança da infância?
Minhas melhores lembranças da infância são das férias na praia de Barequeçaba, onde meus pais tem casa. Eu e meus irmãos passávamos muito tempo lá. Era uma liberdade incrível e tudo isso numa praia que naquela época era quase deserta. Meus pais construíram a casa quando minha mãe estava grávida de mim. Claro que com menos frequência, mas ainda hoje a gente vai bastante pra lá. É o ponto de encontro da família.

Você é casada, né? Há quanto tempo? Com quem?
Sou casada sim. Na realidade acho que casei com o Rodrigo desde o dia que eu o conheci! A gente se grudou um no outro. Pra você ter uma ideia, desde que eu conheci o Rodrigo não passamos nem um fim de semana separados. No primeiro mês, eu dormia na casa dele todo fim de semana. No segundo mês era quarta, sexta, sábado e domingo; no terceiro mês eu praticamente só passava na casa da minha mãe pra trocar de mala! Depois de 11 meses morando meio cá, meio lá a gente oficializou indo morar na nossa casa. Eu o conheço há três anos e três meses. Ele é fotógrafo, então a gente troca bastante figurinha profissionalmente. Eu chego em casa e ele me mostra o que fez; eu mostro o que eu fiz; e a gente bate opiniões. É muito saudável, eu acabo respirando fotografia 24 horas por dia. Entendo muito o lado dos fotógrafos por causa dele e ajudo muito o Rodrigo a lidar com clientes, eu sei quem é a pessoa do outro lado da linha e o que ela espera dele. Claro que acabo fazendo hora extra em casa, imagina um fotógrafo casado com uma produtora…

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 9.Com as irmãs e sobrinhas, a turma dos cachinhos. 10.Com Rodrigo, Jorge, Juliana e Lucia, ex-produtoras da Trip e Califa.

9.Com as irmãs e sobrinhas, a turma dos cachinhos. 10.Com Rodrigo, Jorge, Juliana e Lucia, ex-produtoras da Trip e Califa.

Pensa em ter filhos?
Claro que penso, sou mulher, acho que é instintivo, ou pelo menos pra mim é assim. Penso, na verdade, cada vez mais... Como se eu me aproximasse de um momento em que não tenha mais escolha! Mas estou planejando pra daqui um tempinho ainda.

O que você gosta de fazer nas horas vagas? Você dança todo dia, né?
Cada vez dou mais valor ao tempo. As horas vagas são pra dividir com a família e os amigos. Recebendo gente em casa ou indo na casa dos queridos. Dançar não é exatamente uma atividade das horas vagas, é um compromisso que eu tenho com meu corpo e minha mente. Danço de segunda a sexta, uma hora e meia por dia. Dois dias por semana é balé clássico e três contemporâneo. Na real, uma hora de aula e preparação corporal com exercícios de resistência e força e bastante alongamento. Quinze minutos são pra treinar passos específicos e 15 minutos são dançando mesmo. Só em época de ensaio é que a matemática muda um pouco, mas daí chego a dançar até no fim de semana. É incrível, se eu começar a detalhar as vantagens aqui fico até amanhã.

Você gosta bastante de viajar, não é? A praia é seu destino favorito?

Adoro viajar. Viajo bastante, mas não tanto quanto gostaria. Quando era mais nova e tinha mais tempo dava pra conhecer mais lugares. Eu ficava meses viajando. Do Nordeste, por exemplo, conheço cada cantinho, cada praia. Mesmo fora do Brasil gosto de ir pra praia, pois não tem comparação a combinação Sol, mar e areia. O Sol me recarrega. Depois que conheci o Rodrigo comecei a variar mais de destino. Como ele também conhece muita praia, a gente busca por um lugar que nenhum dos dois conhece. Isso acaba levando a gente pra outro tipo de paisagem.

Você frequentemente é citada como supercompetente, né!? A quê você atribui tantos elogios? Você se considera competente?
Sim, sou competente. Mas percebo com frequencia que muito do que as outras pessoas atribuem à competência é comprometimento com o trabalho. Sei que absorvo pra mim muito mais do que se espera da minha função e sempre foi assim, faz parte da minha personalidade. Na Tpm, por exemplo, participo de muitas decisões, da Redação e da Arte, me envolvo em todas as etapas do processo: pauta, fluxo, escolha de colaboradores, espelho… Tive a sorte de em todos os meus trabalhos ter a liberdade pra isso e sempre confiaram muito em mim. Adoro ajudar e me envolver e continuo ajudando todo mundo mesmo quando não trabalho mais diretamente com a pessoa. Não consigo me envolver superficialmente no trabalho. Na Tpm então, tenho um carinho muito especial, sempre faço como se a revista fosse minha. Sou teimosa e vaidosa (Sol em Touro, Lua em Virgem e ascendente em Capricórnio…), por isso quero acertar, ajudar e fazer o mais perfeito que eu puder porque adoro também o elogio depois.

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11.Dançando desde pequena, com um pouco mais de 1 ano. 12.Na Venezuela, pagando de modelo. 13.Topless em Baraqueçaba com 5 anos. 14.Roubando a câmera no casamento da Lucia.

11.Dançando desde pequena, com um pouco mais de 1 ano. 12.Na Venezuela, pagando de modelo. 13.Topless em Baraqueçaba com 5 anos. 14.Roubando a câmera no casamento da Lucia.

Acho curioso porque você passa uma imagem bastante calma... Você toca a produção da Tpm a todo vapor mas sem levantar poeira, sem fazer estardalhaço, sabe? Você é mesmo uma pessoa calma ou é só impressão?
Depende. Quando eu era mais nova era mais explosiva, hoje sou mais calma, mas meu marido e minha família conhecem uma Regina um pouco mais temperamental. No trabalho sempre fui tranquila. Se eu me estressar no trabalho estou perdida, afinal é muito tempo da minha vida que eu passo fazendo isso. Não pode ser um monstro, nada é tão grave. É apenas um trabalho, nada mais, a vida é muito maior do que isso.

*Fernanda Danelon, além de trabalhar como editora na revista Trip, também veio de TV, onde atuou por dez anos. Hoje, sente-se como Alice no País das Maravilhas, sempre correndo atrás do coelho com o relógio, entre fechar um texto, levar as crianças na escola e abraçar o marido.

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Postado em 19.01.2010 | 13:01 | por Stephanie
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Nossa colega querendo ser mãe, com a opção de investir no casamento... E no fim das contas está aqui, labutando, ao invés de engravidar e se dedicar ao lar. Sim! Por aqui temos de tudo, desde mulheres que sonham em ser dona de casa até executivas independentes.

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