Parque das Neblinas é lar de peixes raros e em extinção
Recente levantamento das espécies de peixes presentes nas águas que permeiam o Parque da Neblinas aponta importantes descobertas e identifica espécies raras e ameaçadas de extinção. A riqueza natural e a importância ecológica do Parque das Neblinas são cada dia mais conhecidas e valorizadas. Entre os destaques da fauna local estão os peixes. O Parque está localizado em uma região litorânea, em meio à Mata Atlântica, e sua hidrografia é formada pelo Rio Itatinga e seus vários riachos, que nascem dentro do Parque.
A variedade de peixes dali ainda é pouco conhecida – com muitas áreas inexploradas, como o próprio Parque das Neblinas, onde não havia sido feito nenhum levantamento até o presente momento. Portanto, é possível que o local possa abrigar espécies raras ou até novas para a ciência. Os peixes associados à Mata Atlântica são geralmente pequenos e, por isso, muito vulneráveis à degradação ambiental. Durante muitos anos, essa região enfrentou um grave processo de devastação, quando a área do Parque foi utilizada para a produção de carvão e posteriormente para a plantação de eucalipto – tal exploração foi responsável pela retirada de grande parte da mata nativa. Hoje, a floresta está restrita a cerca de 5% da extensão original – o que certamente reduziu a população de peixes no local. Afinal, o número de espécies em rios e riachos cercados por mata preservada tende a ser muito maior do que em regiões onde a mata foi retirada.
Apesar de o Rio Itatinga apresentar uma pequena riqueza de espécies, é um local interessante para o desenvolvimento de estudos, pois apresenta raridades. Além disso, estudos no longo prazo são importantes para que seja possível verificarmos o impacto positivo da recuperação da mata em relação ao aumento da população de peixes. O levantamento realizado no Parque das Neblinas acusou a presença de sete espécies. As mais freqüentes e abundantes foram: Astyanax paranae, Phalloceros caudimaculatus e Coptobrycon bilineatus. De todas as espécies coletadas, quatro estão na lista das espécies brasileiras ameaçadas de extinção. São elas: Coptobrycon bilineatus, Glandulocauda melanogenys, Pseudotocinclus tietensis e Taunaya bifasciata. Uma das espécies, a Trichomycterus sp, é provavelmente uma espécie nova para a ciência.
A coleta de Coptobrycon bilineatus, Glandulocauda melanogenys, Pseudotocinclus tietensis e Taunaya bifasciata no Rio Itatinga consiste no primeiro registro dessas espécies em regiões litorâneas, pois até agora elas eram encontradas apenas em outras bacias hidrográficas brasileiras. A drástica diminuição nos tipos de espécies acontece porque a retirada da mata ciliar (vegetação encontrada ao longo das margens dos rios) prejudica o ecossistema, elevando a temperatura da água e atingindo espécies sensíveis a essas variações. Além disso, muitos peixes se alimentam de folhas e frutos e algumas de insetos terrestres, provenientes das margens. Isso mostra a importância da vegetação para a manutenção desses animais, que, por sua vez, pode acarretar também o desaparecimento de uma série de outras espécies que se alimentam desses peixes – como peixes carnívoros, várias aves e alguns mamíferos.
A identificação da fauna de peixes no Parque, portanto, ampliou a necessidade da realização de novos levantamentos, pois o registro das espécies raras encontradas destaca o alto valor científico do local. A conservação do Rio Itatinga e de seus pequenos afluentes, bem como a recuperação da mata de seu entorno, contribuirá de maneira significativa para a manutenção da fauna de peixes já existente. Futuramente, poderá permitir ainda que a comunidade se recomponha e volte a ter uma composição semelhante à que existia no passado, antes de sofrer a ação predadora do homem.
Vai lá: http://www.ecofuturo.com.br/parque-das-neblinas
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