por Redação

Conheça Takeshi e Eito Yasutoko, os irmãos dos patins que dominam a categoria mais agressiva da modalidade

Por Ana Paula Canestrelli
Fotos: Divulgação

Ninguém discute que o americano Kelly Slater e o havaiano Andy Irons dominam já há algum tempo as ondas do circuito mundial de surf sem rivais à altura. No skate, o brasileiro Bob Burnquist e o americano Danny Way se destacam pela ousadia insana que tem levado o esporte a atingir extremos nunca antes imaginados.

Agora, o que acontece na patinação inline agressiva é um verdadeiro monopólio familiar: os irmãos japoneses Takeshi e Eito Yasutoko já ganharam, juntos, seis medalhas de ouro e cinco de prata nas principais edições dos X Games, as olimpíadas dos esportes radicais, nos últimos sete anos.

No último sábado, 27 de maio, a dupla roubou mais uma vez a cena ao ganhar o Pro Rad, evento que reuniu no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, mais de 200 atletas em quatro fins de semana (cada um foi dedicado a uma modalidade "radical", da patinação inline ao skate vertical passando pela BMX e pelo street skate).

Takeshi (na foto ao lado) faturou o ouro e Eito, que realizou com sucesso sua nova manobra "The Twister" (um backflip seguido por outro backflip 360°), veio logo atrás, em segundo lugar. Uma semana depois, os Yasutoko repetiram a dobradinha na edição asiática dos X Games, realizada em Kuala Lumpur, na Malásia. Dessa vez, Eito sagrou-se campeão e Takeshi teve que se contentar com a medalha de prata. Acha pouco?

Pois no ranking profissional da modalidade também não sobra nada pra mais ninguém: Eito, de 22 anos, garantiu o título de melhor do mundo em 2001 e Takeshi, de 19, fez o mesmo em 2002 e 2004. De quebra, ainda terminaram o ano de 2005 empatados na primeira colocação.

Nascidos numa tradicional família de patinadores de Osaka, os irmãos começaram no esporte com apenas três anos de idade. Aos nove, Takeshi já era o mais jovem integrante do circuito profissional e aos 11 competiu pela primeira vez nos X Games.

Por e-mail, Trip trocou uma idéia com o caçula dos irmãos para saber como funciona essa disputa fraternal pelo título de melhor patinador da atualidade:

O que você achou de competir no Pro Rad, em São Paulo?
Takeshi:
Minha performance geral no Brasil foi boa, já que eu consegui o que queria. Mas errei em alguns detalhes, então diria que foi um aproveitamento de 70%. Eu gostaria de melhorar minha técnica para patinar do jeito que idealizo.

Como é o seu treinamento? A maior parte do meu treino consiste em patinação mesmo. Acho importante fortalecer os músculos mais exigidos nesse esporte e o melhor jeito de fazer isso é praticando. Também treino corrida e no ano passado comecei a esquiar no half pipe, mas isso é mais um hobby.

Você segue alguma dieta ou não se preocupa muito com alimentação? Como o que quero na hora em que quero. Acho que não teria energia e força suficientes se minha alimentação fosse restrita.

Qual foi a pior contusão que você já sofreu enquanto patinava? Eu estava patinando em dupla com meu irmão, quando errei e caí de cara no chão. Quebrei três dentes da frente, mas o tratamento que tive que fazer depois foi o que mais doeu.

Você e seu irmão têm dominado todas as provas de patins inline agressivo nos últimos anos. Toda essa competição não afeta a relação de vocês? Nós temos vidas pessoais separadas, então não somos competitivos com nada. Pra mim é muito natural patinar com o Eito, isso não afeta nossa relação. Lógico que sempre busco o ouro, mas eu acho que o mais importante é patinar para entreter a platéia.

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