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May be or may be not?

Ludov ? Dois a rodar [Independente], Mechanics ? Mechanics [Monstro Discos]

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Dois ótimos lançamentos do rock alternativo nacional recolocam uma velha e desfocada polêmica: bandas brasileiras podem cantar em inglês? Cada um destes CDs responde a pergunta à sua maneira. O Ludov, da excelente vocalista Vanessa Krongold, nasceu Maybees e fez ?fama? cantando em inglês nos precários porões da cena paulistana. O underground ficou pequeno demais para eles, que adotaram a flor do Lácio como idioma e rebatizaram a banda de Ludov (nome russo pode?). Os Mechanics, donos de uma das perfor-mances mais ensandecidas do rock goiano, estrearam em 1994 cantando nas duas línguas. A opção definitiva pelo inglês soldou de vez as portas da espe-rança, como conta o vocalista Márcio Jr.: ?As razões foram meramente estéticas. Mas o estrago já havia sido feito?. As rádios e gravadoras? Ao que parece, continuam insistindo no tabu da língua nativa ? a ponto de ignorar solenemente o Sepultura até que a banda estourasse lá fora. Suprema hipocrisia de um mercado que despeja nas lojas toneladas de lançamentos gringos todas as semanas, gritados pelas FMs 24 horas por dia à base de jabá. Gente inteligente no Brasil costuma tachar de americanófilos estes jovens roqueiros que se esforçam por tocar (e cantar) o que gostam, sem apoio privado nem mamata estatal. Mas alguém aí acha que as bandas suecas, islandesas e dinamarquesas cantam em inglês porque sofrem de crise de identidade?


Ivan Marsiglia é redator-chefe da TRIP e baixista da banda The Books

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