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Bob, o esponja

Com livro e exposição no Brasil, Bob Gruen desembarca com as fotos da história dos palcos, camarins, farras e ressacas do melhor rock?n?roll dos últimos 40 anos

Bob, o esponja

em 21 de maio de 2007

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Por Bruno Torturra Nogueira  fotos Bob Gruen

 Em 1965, aos 18 anos de idade, depois de ser despedido de um emprego besta, Bob Gruen pegou 500 dólares de indenização, a câmera do pai, uns filmes P&B, uma carta fajuta que era de uma agência de notícias e foi de carro ao festival de Newport. Clicou Bob Dylan no palco e backstage – diga-se, na primeira vez em que o ídolo pegou em uma guitarra elétrica, exato instante em que virou o judas do folk americano. Vendeu as fotos para várias revistas pequenas e descobriu a vocação: “Meu trabalho é simplesmente estar no lugar certo na hora certa”, explica.

Nada mau o ofício de Bob Gruen. Até porque os lugares, no caso, eram camarins, hotéis e bares. E as horas, em geral, as madrugadas das melhores bandas de rock do mundo. Suas lentes e seus tanques de revelação produziram muitas das mais clássicas fotografias da história do rock. Lennon, Dylan, Elvis, Clash, Pistols, Stones, Iggy, Bowie, Queen, Ramones, Warhol e… Supla! O segredo não era uma técnica apuradíssima ou olhar clínico. Era algo mais complicado de conseguir: intimidade e confiança dos pop stars. Motivo? Bob morava em Nova York e não era lá muito diferente dos caras que clicava. Estava nas festas, nas ressacas e nos lugares e nas horas certas. Clicar tudo era seu jeito de fazer rock.

“Eu pedia para clicar. Não gosto de fotografar furtivamente. Gosto que as pessoas saibam que estou tirando a foto, e gosto que me ajudem a fazer uma boa foto. Daí gosto de mostrar a foto e talvez as pessoas me contratem para fazer aquilo novamente. Gosto que as pessoas gostem de mim.” Mick Jagger e Keith Richards no auge da carreira – e das carreiras –, ao vivo no Madison Square Garden, Nova York, 1972.

“Estava mudando o filme e senti aquela presença, como algo atrás de mim. E eu me virei, e, você sabe, esse cara com 2 metros de altura, como um monstro assustador. De repente havia quatro mons­tros na minha casa, e isso realmente fazia diferença.” Bob explica como começou a dizer xis para o Kiss, acima, mostrando que homem que usa maquiagem é macho pra caramba.

“Para mim era apenas uma outra nova banda terrível, você sabe, eles não eram nada. Era um cara horrível, com um monte de caras tocando alto, e a platéia era barulhenta e furiosa. Na época eles não tinham um grande disco – nem mesmo tocavam o disco no rádio”: o autor das melhores fotos dos Sex Pistols conta em que condições trombou com a banda antes de cair em turnê com os caras.

Vai Lá: Faap – Salão Cultural, r. Alagoas, 903, Higienópolis – São Paulo. Telefone (11) 3662-7200. De 16 de maio a 1º de julho. Terça a sexta-feira das 10h às 20h. Sábados e domingos das 10h às 17h. Grátis. Livro “Rockers”. CosacNaify/Faap, 220 págs., 274 imagens, R$ 69.

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