Terrorismo não-declarado
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Enquanto um avião batia prédio adentro perto de Congonhas, a rua 41 perto da Lexington Avenue, em Manhattan, ia pelos ares por causa de encanamentos que explodiram debaixo do chão deixando um morto e alguns feridos. Tragédias de diferentes proporções, mas com um aspecto curioso: em momento algum pensou-se em terrorismo quando o prédio defronte Congonhas estava em chamas. Já em Nova York, qualquer bombinha estilo São João já provoca a dúvida. A tragédia, ou acidente, “torna-se menor” quando se descobre que não se trata de Al-Qaeda. Rola sempre um “ah, tudo bem, não foi terrorismo”. Não, não é tudo bem. É pior: os culpados somos nós e não um homem das cavernas fundamentalista.
Isso aconteceu dois meses depois de 11 de setembro de 2001, quando um avião que partiu do JFK caiu três minutos depois da decolagem rumo a Santo Domingo, na República Dominicana. Todo mundo morreu, incluindo os moradores do Queens que tiveram suas casas espatifadas. Mas a tragédia perdeu a magnitude na percepção da mídia e dos nova-iorquinos por não se tratar de terrorismo. Isso foi muito intrigante. Passei o dia cobrindo a morte das vítimas na sede da comunidade dominicana em Washington Heights, norte de Manhattan, vendo avós e netos, pais e filhos, todos ali em busca das vítimas. No final, a perda é a mesma. Às vezes é até melhor saber que a culpa é de um infeliz Osama do que – mais uma vez – de um governo brasileiro mais infeliz ainda. Poderíamos até dizer que o descaso com a aviação nacional ou desvio de verbas relacionadas às obras públicas também são formas de terrorismo. Ou seja, terrorismo é tudo aquilo que provoca terror.
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