Sai pra lá!
Catharina criou o Sai Pra Lá com o dinheiro de sua formatura, mas foram tantos acessos que foi necessário abrir um financiamento coletivo pra mantê-lo a todo vapor
em 13 de novembro de 2015

“Eu pensei ‘vou responder, vou responder, vou responder’. Mas acabei não respondendo, porque fiquei com muito medo do que ele poderia fazer comigo”. O relato de Catharina Dória, 17 anos, é familiar para muitas mulheres. O assédio em questão foi há 4 meses, enquanto ela andava na rua. Desde então, a sensação de que algo deveria ter sido feito não passou.
Ao final do seu último ano no colégio, enquanto as conversas sobre a formatura enchiam o corredor, Catharina viu uma oportunidade de colocar sua inquietação em prática. Chamou dois amigos que entendiam um pouco mais de tecnologia com a proposta de um aplicativo para mapear assédios como o dela e tantos outros. “Eu disse que não tinha dinheiro algum, só uma ideia, e perguntei se eles topariam me ajudar”, conta.
Foram dois meses de trabalho que só conseguiram sair do papel quando ela fez uma proposta para sua mãe: “você aceitaria trocar minha viagem de formatura pelo meu aplicativo?”
Depois de questionar se a filha tinha realmente certeza da decisão, o pedido foi aceito e catharina conseguiu desenvolver e finalizar o app, que ganhou o nome de Sai Pra Lá. No último dia três de novembro o projeto foi enviado para aprovação das distribuidoras e o resultado foi positivo, mais de 2600 likes em 12 horas, como conta a criadora.
“O app já teve mais de 30 mil downloads e 5 mil assédios registrados”
Catharina Dória
O Sai Pra Lá está disponível para o Brasil inteiro e pra registrar seu assédio — seja ele físico, verbal ou sonoro — basta escrever o endereço e classificar o que aconteceu. “O problema foi que o acesso ao aplicativo foi tanto, que quando 200 pessoas estavam registrando ao mesmo tempo, ele caiu. Na hora de escrever a denúncia, ela não conseguia ser marcada no mapa”.
Devido ao boom, Catharina organizou um crowdfunding pra conseguir arrecadar o suficiente para fazer as mudanças que o aplicativo, feito “da forma mais barata possível”, precisaria. O pedido inicial foi de 5 mil reais, e em 4 dias a meta já tinha sido ultrapassada. “Com esse dinheiro a gente vai contratar um profissional para fazer as melhorias necessárias para suportar todos os acessos”, afirma.
Ela, que se considera “feminista, sim”, diz que o app já teve mais de 30 mil downloads e 5 mil assédios registrados. Mas ela não ainda não se contentou: “Tudo o que sobrar do financiamento coletivo vai ser revertido para melhorias. Queria ampliar algumas coisas na denúncia, como o horário que ela aconteceu, por exemplo”. Outra mudança planejada é incluir as linhas de metrô como locais para registro.
Vai lá: facebook.com/appsaiprala

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