por Nathalia Zaccaro
Tpm #174

Renata Prado quer unir as mulheres na luta pelo respeito aos corpos femininos nos bailes funk

Ser funkeira é ser audaciosa. Quem dá a letra é Renata Prado, produtora da edição paulistana da festa Batekoo (criada em Salvador), dançarina e funkeira. Ano passado, ela fundou a Frente Nacional de Mulheres do Funk e começou a puxar a discussão sobre machismo dentro da massa funkeira. “A gente não quer fiscalizar nada, a ideia é trazer reflexão. Não tem problema falar de sexo nas músicas, a gente gosta de sexo. Mas temos que pensar sobre como a mulher é colocada nos funks”, explica.

A questão aqui é o respeito ao corpo das mulheres no baile. “A sensualidade faz parte do lifestyle das funkeiras e vamos, sim, abusar de roupa curta, rebolar até o chão. A gente gosta de ser glamourosa. Vão ter que aceitar e respeitar”, diz.  A proposta é organizar conversas, workshops e eventos para discutir machismo e sexualidade feminina dentro desse universo.

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O espaço do palco também precisa ser ocupado por mulheres, não só dançando, mas também cantando. Renata cita as MCs Pocahontas, Sabrina, Drica e Carol como alguns dos nomes que fazem a pista ferver no baile.  "Gosto muito também da Tati Quebra Barraco. Ela foi pioneira. Era uma mulher dizendo que dar o cu é bom.  Ignorou todos os tabus que tinham sido impostos a ela e foi fazer sucesso. O funk é descontraído, tem um jeito mais solto, mas isso não significa que não seja politizado", explica.

 “Muitas garotas da periferia podem não usar o termo feminismo, mas quando elas se impõem de shortinho em uma sociedade que mata mulheres como a nossa estão sendo feministas, estão sendo audaciosas”, diz. Na Batekoo, Renata promove a autoestima feminina, em especial das mulheres negras. “É um movimento cultural de empoderamento da juventude periférica e é por isso que tem uma aceitação tão grande”, explica.

A festa, que nasceu em Salvador, já bomba em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. “A gente preza pela liberdade sexual. A Batekoo foi o lugar que mais me libertou sexualmente. É um ambiente seguro para eu me vestir e dançar como quiser”, diz.

Bailarina desde pequena, Renata mostra através da dança as raízes culturais do funk. Em um dos espetáculos dos quais participa, chamado Dos Tambores ao Tamborzão, ela remonta a linha do tempo das danças afro, passando por ragga, dancehall, pagodão baiano e, claro, funk.

“Assim como o samba, que era crime e hoje é patrimônio, e o rap, que era perseguido e hoje está na televisão, o funk veio da periferia negra e foi recriminado, mas agora estamos em todos os lugares e isso é reflexo da relação entre juventude negra e cultura”, diz.

Créditos

Imagem principal: Luan Batista

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