por Camilla Menezes
Tpm #75

Londres tem até baile oficial, com Tati Quebra-Barraco e a dupla Cidinho e Doca no palco

Que os gringos gostam de rebolar ao som do funk carioca a gente sabe. Mas a coisa está ficando séria. Londres já tem até baile oficial, com Tati Quebra-Barraco e a dupla Cidinho e Doca no palco

Nascida a 1.600 quilômetros do berço do funk, achei que estava fadada a ver MCs só pela TV. Mas Deus quis que eu, uma gaúcha há dois anos fora do Brasil, fosse descobrir o baile funk ainda mais longe: na Inglaterra. Depois dessa experiência fiquei muito religiosa: descobri que Jesus deve ser exclamado sempre que algo é muito bom (ensinamentos da Tati Quebra-Barraco...).

Esse não era só o meu primeiro baile, mas também o primeiro baile funk oficial de Londres – segundo Robson Coelho, da Popozão Shop, loja organizadora do evento e revendedora do “Brazilian jeans” (calça da marca carioca Gang), não se tinha registro de nenhuma festa dedicada só ao funk brasileiro na terra da rainha.

Rebolado gringo
O Clube Galtymore – para 4 mil pessoas – é tipicamente irlandês, mas, a cena, brasileira: muita festa e pouca roupa. E os 6 graus do lado de fora não impediram os shorts e minissaias. Foi no salão que reencontrei Juliana Paradello, natural de Santo André (SP) e há sete anos no exterior, com quem havia tido um peculiar diálogo na tarde anterior, na sessão de autógrafos. “Quem é?”, ela me pergunta indicando a Quebra-Barraco. Tentei explicar, mas ela não pareceu convencida – “Famosa? Só no Brasil!”. Perguntei o que fazia ali. Ela foi direta: “Só vim tomar guaraná”. O balcão cheio de coxinhas e pastéis me fez acreditar. Mas, vendo-a requebrando no baile, não resisti: “Esse é o seu primeiro baile mesmo?”. “Claro, é de quebrar o barraco”, provando que funk se pega rápido!

E o DJ anuncia: “Direto de São João de Meriti pro mundo vem... Natália!”. Entra a dançarina, fazendo uma performance que só o DJ soube descrever: “Jesus”. Entre as muitas tendências do funk, estava a Dança do Créu – com todas as suas velocidades.

Yulia Álvares da Silva reproduzia todas as requebradas. Há um ano e meio em Londres, a russa casada com brasileiro, embora cause inveja às popozudas experientes, jura que é iniciante. Um pouco mais tímida, a chinesa Hui Zhang foi levada por uma amiga carioca: “Gostei da batida, mesmo que não entenda o que eles cantam”, disse.

O baile veio abaixo quando Cidinho e Doca lançaram: “Pá, Pá, Pá, Pá...”, o “Rap das Armas”, popularizado no Tropa de Elite. A dupla, que se lançou no Brasil com o “Rap da Felicidade” (“Eu só quero é ser feliz...”), vibrava com a estréia no exterior.

Tati já cantou na França e na Alemanha, mas não negou a ansiedade: “Frio na barriga dá porque estou em Londres, longe de Caxias, no Rio. Mas a força do funk é tanta que chega até aqui!”. “Jesus”, pensei.

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