por Nina Lemos

Domingo é Dia Internacional da Mulher. Essa é uma data em que recebemos flores na firma, na churrascaria e no restaurante por quilo. Para que servem elas?

Domingo é Dia Internacional da Mulher. Essa é uma data em que recebemos flores na firma, na churrascaria e no restaurante por quilo. Nessa semana de dia da mulher, resolvemos não entrevistar essas flores. Para que servem elas? Para mostrar que somos frágeis e delicadas? Tá bom, ganhar flor é legal. Mas nesse Dia Internacional da Mulher estamos aqui gritando: não me mande flores, assim como dizia uma canção de rock dos anos 80.

Aproveitamos também para não entrevistar as mensagens "bonitas" de Facebook e Instagram com textos do estilo: "Mulher, de todas as mais lindas e delicadas flores, vieste para embelezar nossa existência, embelezar a nossa vida, perfumar nosso caminho", e todas as outras mensagens em cor de rosa. As lembrancinhas e promoções, tipo em loja de depilação, também não serão entrevistadas.

Por que tanta raiva? Será que nós somos recalcadas?

Pois é, uma das coisas que gostaríamos no Dia Internacional da Mulher é que a palavra recalque parasse de ser usada para qualquer mulher que reclama ou que está mal humorada. Gostariamos também de não sermos chamadas de loucas, enquantos os homens, enquanto estão de mau humor, levam a justificativa de estarem com problemas no trabalho.

Acontece que nós tambem estamos com problema no trabalho! Isso porque, no Brasil, as mulheres ainda ganham 30% a menos que os homens! Sim! Sem contar que trabalhamos mais. Jornada dupla, tripla, se lembram?

Também gostaríamos que, ao invés das flores, nessa semana e nesse dia a gente falasse mais sobre legalização do aborto e tivéssemos alguma esperança de que um dia ele possa ser descriminalizado no Brasil. Lembramos que mais de 1 a cada cinco mulheres no Brasil na faixa entre 18 e 39 anos fez aborto, e que o número de abortos ilegais é de cerca de um milhão por ano.

Falando em números, lembramos também que 3 em cada 5 mulhers jovens ja sofreram violência por parte de homens no Brasil, em dados de pesquisa da Avon. E que o New York Times informa que 40% de nós ja sofreram assédio sexual na internet. Isso, claro, sem falar nas vezes em que fomos chamadas de feias, barangas e, claro, recalcacadas!

Entenderam porque não entrevistaremos nem as fores, e nem os presentes? É, recalque...

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