por Redação

Atletas mulheres continuam a ganhar menos que jogadores e times masculinos. Segundo o site Gênero e Número, a mídia, os patrocinadores e a falta de representatividade reforçam essa desigualdade

**Com dados da Agência Pública e Gênero e Número

Em julho de 2014, a atacante Marta, da seleção brasileira feminina de futebol, disse em entrevista à Tpm: "Quando fui jogar na Suécia ganhava em torno de R$ 3 mil. Tendo que ajudar a minha família, não sobrava muito". E adicionou: "As pessoas acham que o contrato das jogadoras que se destacam chega perto do contrato de um Neymar, mas isso é fora da realidade do futebol feminino."

Quase dois anos depois, a recompensa de atletas e equipes femininas, na maioria dos esportes, ainda é menor que os valores embolsados por times e atletas masculinos. Segundo a web revista Gênero e Número, se fossem pagos por gols, cada bola na rede da Marta valeria cerca de US$3,9 mil (cerca de R$12,2 mil), enquanto as conversões de Neymar saíram por US$290 mil (cerca de R$905 mil). Por ano, ele recebe um salário de US$ 28,9 milhões. Ela, US$ 400 mil anuais. Ela fez 103 gols com a camiseta do Brasil e foi considerada cinco vezes melhor jogadora do mundo pela FIFA. Ele, goleou 50 vezes com a camiseta amarela. 

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No ano passado, como mostra a revista, a equipe feminina dos Estados Unidos ganhou US$ 2 milhões ao vencer a Copa do Mundo. A seleção masculina alemã, que nos goleou com o clássico 7 a 1, levou para a Alemanha um prêmio de US$ 35 milhões oferecidos pela FIFA ao campeão do mundial de 2014. E não adianta mudar de esporte. Na Liga Mundial de vôlei feminino, em 2016, nossa equipe embolsou um cheque de US$ 200 mil dólares ao se sagrar campeã. Já o time masculino brasileiro ficou com US$ 500 mil, embora houvesse uma diferença substancial: eles ficaram em segundo lugar. 

Fora das modalidades olímpicas disputadas no Rio de Janeiro neste ano, a Trip já mostrou, algumas vezes, que mulheres que dedicam a vida ao surf também sofrem para conquistar patrocinadores. Existem casos como o de Silvana Lima, surfista do WCT, principal circuito de surf no mundo, que chegou a abrir um crowdfuding após perder seus principais patrocínios, em 2013.

A diferença salarial entre gêneros no esporte possui vários diagnósticos, que vão desde a falta de representantes femininas em cargos de diretorias esportivas, até o baixo interesse de patrocinadores. A Copa do Mundo de 2014, por exemplo, contou com US$ 529 milhões, enquanto o mundial feminino, disputado no Canadá, recebeu apenas US$ 17 milhões vindo de empresas.

Outro fator que reforça esse tipo de desigualdade, citado pela reportagem da Gênero e Número, é a relação do esporte com a mídia. Devido a uma suposta baixa adesão do público com modalidades praticadas por mulheres, emissoras de TV e rádios restringem ou deixam de transmitir campeonatos que são disputados por elas. Isso gera menos notícias, menos tempo de televisão e um número menor de companhias interessadas em apoiar as esportistas, uma vez que o troco em visibilidade é menor do que quando os homens entram em ação.

O resultado? Contracheques menores para mulheres que fizeram do esporte a principal tarefa de suas vidas. É um círculo, infelizmente, vicioso.  

*Este texto foi produzido em cima de dados e entrevistas levantados pela web revista Gênero e Número, uma iniciativa de jornalismo de dados que está sendo incubada pela Agência Pública em 2016. A cada mês, ela tratá uma série de reportagens com um tema relevante sobre a desigualdade de gêneros. Leia a investigação completa sobre Mulheres no Esporte. Reportagem original de 

Créditos

Imagem principal: Ricardo Stuckert/CBF

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