Grandes esperanças
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Só tomei duas resoluções para 2007. A primeira é deixar as resoluções para 2008. A segunda é continuar bagunceira. Pronto. Os poucos que conhecem a minha gaveta de meias sabem do que estou falando. Como casar pares de meias (os milhares de quem mora num lugar de inverno) quando está rolando uma exposição no Metropolitan, um festival de filme francês ou uma palestra na livraria? Jamais de la vie… vou parar a vida pra dobrar meias. Esqueça.
Assim pensa uma cambada de gente que deve ter ficado MUITO feliz com uma recente matéria do New York Times: Saying Yes to Mess (ou “Diga sim para a bagunça“, cuja ilustração acima é de Edward Koren). Conta-se que nunca se vendeu tantos produtos de organização de armários e mesas de trabalho. É a eterna busca pela casa arrumada – algo impossível quando a vida não é. Arrumação em excesso, coisa de quem não tem o que fazer. A sala de uma das mulheres mais inteligentes e aclamadas que entrevistei, em Washington, é o lugar mais caótico que já pisei. Ela ganha de um intelectual que entrevistei em Bolonha, na Itália, que começou a entrevista se desculpando pela mesa imersa em papéis. Não há nada para desculpar: mesa limpinha, estilo vitrine, é sinal de vida pacata. Meus amigos mais interessantes são os mais “zoneiros”. E isso é um elogio.
“Sua mesa intimida”, analisou certa vez Tony Marques, na época correspondente de O Globo, ao observar meu local de trabalho. Um outro, que vive em Miami, mas conhece bem a casa, disse: “vou lá te ajudar a jogar as revistas fora.” Amei a idéia. Mas segundo os pesquisadores ouvidos na matéria do New York Times, apenas um em doze divórcios alegam bagunça como uma das causas de separação. Segundo eles, “mesas bagunçadas são assinaturas vívidas de pessoas com mentes criativas e ágeis (que ganham salários mais altos do que aqueles com escritórios estilo paisagismo).” E continuam: “donos de armários bagunçados são, provavelmente, melhores pais, além de ter a cuca mais fresca do que os engomadinhos, normalmente inflexíveis e com muito tempo de sobra.” Esta matéria merece o Pulitzer Prize. Leu, mãe? Feliz 2007!
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