por Autumn Sonnichsen
Tpm #176

Uma mensagem faz nossa colunista lembrar de todas as mulheres que passaram pela sua câmera nos últimos dez anos

Esta imagem não é nada nova. Fiz ela dez anos atrás, é uma daquelas do fundo do baú, que nunca foi publicada, uma perolazinha escondida.

Lembrei dela outro dia, quando essa mulher, Flavia, que na época ainda era moça, um ser doce e orgulhosa de si, me mandou uma mensagem lembrando que havia se passado dez anos, que mereciam ser comemorados. E sei que datas especiais têm seu valor, sua própria graça.

Acabo me lembrando de todas as mulheres que passaram pela minha câmera nos últimos dez anos. Penso nas mulheres de agora e nas que já foram.

É algo recente esse poder de achar tão bom ser mulher, se apresentar como um ser humano mais selvagem, primitivo.

O ato de fotografar a pele do outro tem o poder de me levar para mais longe e mais profundamente do que me acho capaz. É mais que adrenalina, mais que o momento, mais que impulso. Me traz para um lugar mais doce, mais belo; me traz para o cenário no qual quero viver.

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É um delírio, a pele delas, de todas, nem sei quantas foram. Algumas viraram as minhas melhores amigas, minhas companheiras; outras só vi uma vez na vida. Há as que vieram com a urgência da juventude à flor da pele, outras que chegaram com a força do decorrer do tempo, mas todas andam comigo no meu passado e no meu futuro de uma forma graciosa e sutil.

Um amigo me falou outro dia dessa forma de viver, de mergulhar fundo nas imagens, na vida, na pele dos outros. A voz dele ficou comigo como se fosse um eco ou uma trilha sonora baixinha, de fundo, sussurrando meu nome e me trazendo para um lugar profundo nesse oceano do coração.

Créditos

Imagem principal: Autumn Sonnichsen

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