Para onde vai a mulher quando a mãe nasce?
Uma breve reflexão a respeito de como a energia feminina é capaz de acomodar em um só corpo as condições de mãe e de mulher
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A gente foi bater um papo com três mães para entender a experiência feminina depois da maternidade: Sara, 34, Mariana, 22, e Lua, 35. Em comum, a constatação de que dar à luz transforma a mulher de maneira irreversível, e que criar um filho é tarefa igualmente divina e duríssima, cheia de heroísmo, mas também de fragilidades.
A criança exige coisas que nenhum tutorial ou livro a respeito de maternidade, por mais detalhista e cativante que seja, pode antecipar. Há beleza, inspiração e prazer, mas também medo, angústia e solidão. Ao dar à luz, a condição feminina se transforma antes mesmo de o cordão ser cortado.
Os primeiros meses são de trabalho constante – físico, emocional, espiritual – e não há muito como se olhar no espelho, pensar na melhor roupa, dedicar um tempo à maquiagem. Não há como passar alguns minutos sozinha, contemplar, refletir.
Mas uma hora a mulher que agora é mãe quer, e precisa, ser resgatada. E então, grávida dela mesma, a mulher se entrega a executar um outro nascimento, dessa vez metafórico. A partir daí uma nova pessoa ganha vida, e passam a existir duas versões femininas dentro de um só organismo. Nasce um ser humano mais forte, mais maduro, mais completo; para sempre transformado, para sempre elevado e para sempre mulher.
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