por Letícia Flores

Lisa Lynch lista em livro as experiências de um traumático e vencido câncer de mama

"Na minha extensa lista de coisas pra fazer antes dos 30: ver a aurora boreal, engravidar, escrever um livro, perder peso, comprar sapatos Christian Louboutin, não havia pensado em incluir enfrentar um câncer de mama".  

É desta forma que a bela Lisa Lynch, hoje com 32 anos, inicia seu livro. Em Coisas pra fazer antes dos 30, lançado no Brasil pela editora Panda Books, a inglesa relata de uma forma bem peculiar as experiências do seu traumático câncer de mama descoberto aos 28.  Como ela bem explica na introdução do livro, "A literatura é toda bem escrita, repleta de informações frias e de uma atitude tão doce do tipo 'isso não é tão ruim', como uma cortininha tentando esconder o corpo enorme de um elefante. (…) Não estou fingindo ser a única mulher de vinte e poucos anos no mundo a ter recebido um diagnótisco de câncer. Mas provavelmente sou a mais bocuda. Porém todo mundo precisa de uma estratégia, e a minha tem sido escrever ao longo da Porcaria”.

A Porcaria do parágrafo acima foi a forma que Lisa encontrou para se referir à sua doença. A descoberta aconteceu numa situação corriqueira. A jornalista morava em uma cidade próxima a Londres, tinha uma vida social ativa que se dividia entre baladas, bares e festivais com os amigos. Ao retornar para casa, tinha o carinho de P., seu marido. E foi em uma dessas brincadeiras de casal (aquele ataque de cócegas que os homens adoram fazer), que P. tocou o seio de Lisa e sentiu algo diferente.

Daí em diante foram difíceis notícias, tratamentos doloridos e uma série de novos medos que Lisa não imaginava sentir. Para desabafar sobre o assunto e também conseguir atingir o maior número de familiares e amigos, ela criou um blog: Alright Tit [Tudo bem, Peito], o ponta pé inicial para o livro que chegou recentemente ao Brasil.

Lisa não foi uma mulher que se anulou por conta da doença. Encontrando humor até onde parecia impossível existir graça, ela venceu o mal e tirou várias lições da trajetória. Sem papas na língua e com um certo sarcasmo que lhe é peculiar, a inglesa bateu um papo com a Tpm.

Qual foi a sensação quando você descobriu que estava doente?
A sensação ao ser diagnosticada com câncer de mama foi de puro pânico e descrença. Eu ouvi as palavras "câncer de mama" e o resto foi o ruído branco. Meu primeiro pensamento imediato foi "merda, eu vou morrer". Minha segunda foi "merda, eu vou perder meu cabelo". Mas então, veio a sensação de que a doença faria com que todos ao meu redor (meu marido, minha mãe, meu pai, meu irmão) sofressem. Esse sentimento quebrou meu coração.

Quais foram seus maiores medos?
Foram vários. Um deles foi um tratamento que eu fiz para que minha vida fosse prolongada. Porém, o próprio tratamento me debilitou muito. Fiquei doente num estado que eu não conseguia acreditar que ainda estava viva. Também tive receio de não ser capaz de lidar com o que ainda vinha pela frente Os efeitos colaterais eram intermináveis, mas nada foi pior do que a depressão que veio com a doença. E depois, claro, foi a preocupação sobre o que isso traria para mim e meu marido. Ele me viu em alguns estados verdadeiramente terríveis. Eu pensei que ele nunca mais poderia colocar um dedo em mim de novo! Mas, felizmente, hoje eu vejo que não precisava ter me preocupado tanto. 

E a sensação de quando descobriu que estava curada, consegue expressar?
Eu nunca descobri se fui curada e acho que nunca vou ter certeza. Como o estágio de agressividade do meu câncer foi bem avançado, eu ainda espero uma liberação completa do meu médico em 2013, ano que vou ter ultrapassado os cinco anos cruciais do câncer de mama.

Qual foi a melhor sensação em todo este processo traumático?

Os melhores sentimentos para mim foram as coisas que nasceram da minha experiência. Primeiro meu livro e agora uma adaptação dele para a TV, em parceria com a BBC. Além disso, a minha festa de aniversário de 30 anos aconteceu e nós conseguimos arrecadar 10 mil libras para a Breast Cancer Care, uma fundação em prol do tratamento do câncer de mama.

Qual o seu conselho para quem está passando por um câncer de mama?
É tão difícil dar conselhos a qualquer outra pessoa que tem câncer de mama porque eu acredito que cada um deve encontrar seu próprio caminho e agir nele enquanto o inferno parece se aproximar. Eu recomendo simplesmente se render aos profissionais da medicina, confiar na força deles e acreditar pra caralho que essa tal força vai fazer as coisas acontecerem da melhor forma. Em termos de filmes e música e outras coisas para distrair, eu lembro de uma coisa. Durante o tratamento eu ouvi menos música do que em qualquer outro momento da minha vida. É realmente engraçado, mas eu acho que eu não queria sujar nenhuma música com a memória de um tempo de porcaria.

 

Vai lá: Coisas pra fazer antes dos 30
Editora Panda Books
304 páginas
R$ 42,90
Alright Tit

 

 

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