por Nyle Ferrari

Adaptado e ilustrado por Yumi Takatsuka e Thais Ueda, Batoquim prova como a amizade pode ultrapassar fronteiras geográficas, temporais e culturais

A Mongólia está a mais de 15 mil quilômetros do Brasil e, por aqui, pouco conhecemos de sua cultura. Com ilustrações em tinta acrílica e uma narrativa leve, o livro Batoquim traz um dos principais contos daquele país, que se espalhou por regiões como Ásia, China e Japão, contado de geração em geração pela tradição oral. E, apesar da distância e das diferenças culturais, a história transmite uma mensagem universal: a amizade é capaz de transpor qualquer barreira. 

Batoquim é um instrumento musical, uma espécie de violino com uma talha da cabeça de cavalo no cabo. Seu nome deriva de uma aproximação fonética de “morin khuur” (no idioma mongol). Segundo o conto, o instrumento nasceu da amizade inseparável entre Suho, um menino de origem humilde, e seu cavalo branco, que o protegia e ajudava a superar as dificuldades enfrentadas por sua família. 

A história de Batoquim surge pela primeira vez no Brasil pela editora Lote 42.

Todo o texto é ilustrado por pinturas feitas pelas mãos das autoras Yumi Takatsuka e Thais Ueda. Enquanto Yumi focou nas pinceladas e escolhas de cor, Thais cuidou dos desenhos e dos traços dos personagens. Ambas são artistas plásticas com exposições feitas no Brasil e no Japão.

Nascida no Japão, onde ficou até seus 27 anos, Yumi viajou para a Mongólia duas vezes e conta que se inspirou em suas lembranças para colorir. Segundo a artista, o espírito do país também está presente na obra por meio da forte ligação com cavalos e gados, marcante naquela cultura.

Entrar em contato com outra cultura é poder olhar para si mesmo através de outro ângulo.

Thais, responsável pelos traços da obra, disse à Tpm que suas principais influências são os quadrinhos e as ilustrações de moda. “Para o livro, pensamos em utilizar cores bem vibrantes em contraste com o cenário da Mongólia, que é bastante árido”, completou. O encantamento da artista pelo país surgiu a partir do contato com dois amigos da Mongólia, quando morou no Japão.

A arte de Batoquim também pode ser conferida no Epicentro Cultural, em São Paulo. Sete originais do livro foram expostos nas paredes da galeria, que abrigará a amostra até o dia 31 de outubro. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 12h às 19h.

Vai lá:

Batoquim

Thais Ueda e Yumi Takatsuka

Editora Lote 42

Disponível aqui

matérias relacionadas