por Camila Eiroa

Retratar mulheres à vontade com sua própria beleza não parece tarefa difícil para a paulistana, que também se aventura na frente das lentes

Mayara Rios leva a fotografia com naturalidade. A paulistana de (quase) 22 anos não deixa a pouca idade intimidar seu trabalho. Aos 15 fez seus primeiros cliques — "Fotografava pra mim, sabe?" — e dois anos depois escolheu estudar fotografia no ensino superior. Não parou mais.

Mas a ideia de retratar a nudez e um lado mais sensual das mulheres começou mesmo do outro lado da lente, posando, e ela acredita que isso a ajudou na hora de criar sua própria identidade como fotógrafa. "Conhecer a vulnerabilidade da pessoa que está ali, nua, permite interagir e descobrir melhor os ângulos. A principal diferença de clicar e ser clicada está na criação. A modelo se entrega àquilo que não está vendo, enquanto o fotógrafo dá vida ao ensaio", diz.

Seus primeiros retratos foram feitos por uma colega de classe, na faculdade, assim que completou 18 anos. "Eu estava em uma fase de explorar o corpo nu e posar me fazia sentir livre", conta. Mayara se aventurou a fotografar outros corpos em 2014, quando concluiu o curso.

As linhas, formas e silhueta são os elementos que mais chamam a atenção da paulistana, que não esconde sua admiração pelo corpo feminino e confessa não sentir prazer fotografando homens nus. "Já tentei. Simplesmente não consigo gostar do resultado, parece que falta alguma coisa", conta. Para ela, o corpo feminino consegue interagir e criar uma harmonia maior com o ambiente, que em suas fotos geralmente são a própria natureza — uma escolha sutil, parte do gosto por admirar também a forma das árvores.

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Sua habilidade de captar os detalhes mais delicados e profundos da mulheres fotografadas talvez seja mesmo pelo fato de ser, também, mulher. Não importa se as celulites aparecem nas imagens: aquelas que estão ali, fazendo pose para Mayara, sabem que o importante não é parecer sexy sob o ponto de vista masculino, mas sim, se sentir livre. "Acredito que uma fotógrafa consegue captar a sensualidade de maneira mais detalhista, diferente da visão de um cara." Muitas de suas fotos não contêm nudez, mas a sensualidade está ali, seja em um gesto, em um olhar ou na forma de prender o cabelo.

"Quero fazer o corpo feminino ser visto de forma natural e bonita. Acho muito errado um homem usar de um discurso libertário para fotografar enquanto objetifica as modelos", afirma. A paulistana confessa ver homens tendo mais espaço na área e acredita ser por uma falta de interesse artístico. Para ela, o mais importante é saber como a mulher fotografada se sente no ato. "Se ela se sente bem e feliz, quem pode julgar?"

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Por enquanto, a fotografia não paga as contas de Mayara, que divide seu tempo entre os ensaios e o trabalho no shopping, em uma loja. Vontade de viver exclusivamente disso não falta, mas ela também confessa não querer simplesmente vender o que faz. "É difícil, nem eu sei se um dia vou conseguir viver disso." É ela mesma quem convida as modelos, e quando surge alguém perguntando sobre orçamento, se embaraça, não quer que a fotografia perca a qualidade por conta do dinheiro. 

Créditos

Imagem principal: Mayara Rios

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