Opostos complementares

“Não tem cachê maior ou melhor do que ver a vida de alguém mudar por conta do seu trabalho. É foda”, diz Dexter, 45 anos. O rapper paulista usa sua visibilidade para promover o projeto Trampo Justo, iniciativa do juiz Iberê Dias, que cuida dos cerca de 8 mil jovens que vivem em casas de acolhimento no estado de São Paulo. O foco é criar pontes para o mercado profissional para quem, aos 18 anos, precisa encarar o mundo sozinho.

O juiz de 42 anos e o rapper, que passou 13 anos de sua vida atrás das grades e está em liberdade há quase dez, mostram que a desigualdade de oportunidades é o que leva muitos jovens a ingressarem no mundo do crime. Para ajudar a mudar essa história, Dexter faz questão de usar a sua própria experiência como alerta. “Minha ideia é mostrar para essas pessoas que elas têm, sim, um potencial muito grande, que não precisam do crime para sobreviver”, diz. A figura de alguém que saiba falar de igual para igual com esses jovens é fundamental para o sucesso do projeto, segundo Iberê. “É inevitável que eles olhem para mim e digam: ‘Pô, é fácil você vir aqui me falar para trabalhar. É um homem branco, de classe média alta, que estudou em bons colégios… Você não faz ideia do que é ser pobre e negro na periferia’. E eles têm razão”, explica o juiz paulistano.

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