O valor da passagem

Desde que entrou na Faculdade de Medicina da USP, Ana Claudia Quintana Arantes, 48, nunca se conformou em ver doentes morrerem em sofrimento. Tomou o incômodo como missão de vida e dedicou-se a cuidar dos pacientes com doenças progressivas e incuráveis, cujo prognóstico certeiro é a morte em curto prazo. Ao longo do caminho, descobriu que é preciso preparar-se bastante para essa tarefa. Especializou-se em geriatria e gerontologia, pós-graduou-se em psicologia, fez especializações em cuidados paliativos e, principalmente, aprendeu a cuidar de si, para poder cuidar dos outros. Após ser chamada para criar a área de cuidados paliativos do hospital Albert Einstein, percebeu que o avanço, num dos melhores hospitais do país, estava distante da realidade do restante da saúde. Criou então, em 2006, a associação Casa do Cuidar, que promove o conceito dos cuidados paliativos e oferece cursos para cuidadores, médicos e outros profissionais de saúde, além de oferecer apoio psicológico para familiares. “No tempo que resta para o paciente, nosso objetivo é proporcionar o que realmente tem valor para ele. Pode ser uma reconciliação com algum familiar, uma palavra, um sonho. Para o paciente, o que importa não é o tempo do relógio, mas que significado esse tempo vai ter para ele”, diz a médica, com mais de 20 anos de atuação cuidando de quem está partindo. “A atuação ocorre no sentido de minimizar o sofrimento causado pela doença.”

 

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