por Marcos Candido

Surfistas cubanos se unem para divulgar o esporte pelo país de Fidel Castro

A calle 70, em Havana, termina e começa no mar. Como outras ruas da capital de Cuba, é tomada por automóveis da década de 50, referências revolucionárias em outdoors, prédios antiquíssimos e coletivos lotados de passageiros.

Próximo a um hotel com vista pro mar e do colossal prédio soviético da embaixada russa, é possível encontrar o cubano Yumiel Valderrama. Com uma fala calma e pausada, Valderrama recebe doações de pranchas e dinheiro para ajudar o Surfistas Cubanos, grupo de que participa junto com cerca de 200 surfistas de Cuba.

Há 17 anos o coletivo tenta obter investimentos do governo Castro, se empenha em organizar equipes de surf femininas e masculinas, oferece guias para iniciantes e fazem o registro das melhores praias para o esporte no país. Em Cuba, as ondas quebram para a direita e para a esquerda. Vão do Golfo do México ao Mar do Caribe.

Um grafite com grossas letras azuis em um muro na beira da praia de Havana anuncia a calle 70 como point de Valderrama e sua equipe. Outras seis praias em todo o país possuem a marca do HavanaSurf. Eles não são uma agência de turismo e tampouco contam com apoio do regime. Do embargo norte-americano, herdaram a necessidade de improvisar pranchas que são fabricadas com madeira, cola e sucatas de geladeiras antigas. Pranchas convencionais são normalmente doadas por turistas que se hospedam nas chamadas casas particulares, ou casas de família, em que se pode alugar um quarto por menos de US$ 20.

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"Tudo é questão de grana, e o governo cubano não vai investir em equipamento necessário, mas com as doações nós podemos continuar", explica Bob Samin, australiano fundador da Associação dos Surfistas Cubanos. Desde que entrou em contato com os surfistas da calle 70, em 1999, Bob se uniu a Valderrama e ajudou o surf e o bodyboard a serem reconhecidos como "esportes do mar" pelo governo cubano. A dupla também criou um manual de iniciantes em que contam a história do surf, com termos usuais ("o que é um 'swell'?"), instruções ilustradas para remar e as funções de equipamentos. O resultado explica, são 15 a 20 novos surfistas cubanos ao ano ocupando as águas de todo o litoral castrista, como se a ilha inteira fosse um pedaço da calle 70.

Vai lá: havanasurf-cuba.com

Créditos

Imagem principal: Maxence. "Surfing in Havana". Free copyrights @Flickr

Foto destaque: Maxence. "Surfing in Havana". Free copyrights @Flickr http://bit.ly/1V7xxGw

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