por Gustavo Giglio

Há 31 anos, o SXSW dita as tendências de comunicação, comportamento, publicidade, tecnologia, inovação, e da cena independente da música e do cinema

O SXSW é um dos maiores festivais do mundo. Acontece há 31 anos em Austin, Texas, e é dividido em três partes: Interactive (comunicação, comportamento, publicidade, tecnologia e inovação), Music e Film, em que tudo o que é produzido na cena independente nasce. 

A urgência predominante é o fluxo exponencial das mudanças. Tudo o que era analógico passa a ser digital e o constante desafio é entender o limite do que é humano e o que é máquina. Como nos futuros distópicos que crescemos lendo sobre. As nossas decisões de agora vão, realmente, moldar o futuro.

Muito fala-se, durante o SXSW, sobre o FOMO (Fear Of Missing Out) causado pela infinidade de conteúdo. Por dez dias ouvimos, e muito, sobre o mindfulness, o Big Data e sobre como o cruzamento de uma quantidade inimaginável de dados digitais aumenta a possibilidade de ganhos (até ao mapear os nossos sonhos). Aprendemos, também, a importância de entender a diferença entre estabelecer relações autênticas ao gerar amizades criando comunidades ao invés de só fazer networking. 

Vimos outros caminhos do storytelling e quais os novos passos da Realidade Aumentada, da Realidade Virtual (para a saúde, a arte, games e comportamento) e da - cada vez mais assustadora e impressionante - Inteligência Artificial. 

Outra tendência clara são os BOTs, os prováveis novos websites em todo o seu potencial. E, desta vez, não só falaram sobre diversidade como convidaram muita gente para falar e ser ouvida. Vimos a volta da mixologia e da comida menos processada (vinda diretamente dos produtores). Necessidade inevitável e tendência.

Parte importante da lição, que pode ser usada por nós, é saber que autenticidade pode trazer resultados incríveis e que a boa tecnologia continua sendo o caminho mais claro para conectar marcas às novas gerações, entendendo que transformar rotina em algo divertido é o melhor método para abordar novos consumidores. De uma forma ou de outra, o SXSW cria oportunidades para exercer o mais básico dos nossos instintos: o de se relacionar.

Outro exemplo sempre inspirador e que merece destaque é ouvir da boca do evangelizador Casey Neistat a "Teoria do Tarzan". Aquela que diz que cada cipó (oportunidade) que você pega pode te levar a algum lugar diferente, talvez não exatamente ao lugar que você quer ir, mas definitivamente vai te levar mais próximo do seu destino (objetivo) final.

Menos poéticos e mais pragmáticos, diversos líderes do mercado de entretenimento e tecnologia discutiram como a televisão e o cinema estão trabalhando lado a lado com o Vale do Silício para ajustar todo o seu processo criativo. Baseando os novos avanços em dados compartilhados pelo público-alvo. Os novos caminhos apontam não apenas para ditar aos consumidores as novas maneiras de consumo mas sim aprender e fazer com eles. 

De forma muito séria abordaram o tema “pós-verdade” (a palavra do ano de acordo com o dicionário Oxford). É o adjetivo em que se relaciona circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais. A expressão tem sido muito usada por quem avalia que a verdade está perdendo importância, principalmente no debate político. O mundo clama para a volta da verdade ao jornalismo. 

Quanto a comportamento e atitude, vimos inovações tecnológicas escaláveis como a sustentável "Local Roots", que traz um novo processo que garante uma colheita 50% maior, usando 99% menos água através de fótons específicos, cuja intensidade é controlada. O projeto garante o processo durante o ano todo em um ambiente absolutamente controlado. Temos a sensação de que ainda é possível fazer muito pela sociedade. 

Um outro bom exemplo, é a computação cognitiva, considerada o próximo grande avanço da humanidade no campo tecnológico. A computação cognitiva nada mais é que uma tecnologia capaz de processar informações e de aprender com elas de forma muito semelhante ao cérebro humano, sem que precise ser programada. Esse sistema de inteligência artificial é capaz de compreender e aprender com a linguagem natural e com textos, imagens e outros dados não estruturados, aqueles que ainda não foram convertidos para a linguagem tradicional das máquinas. Algoritmos sofisticados permitem ainda a análise de uma quantidade massiva de dados, para gerar insights e novas soluções para a humanidade.

Ainda sobre empreendedorismo, um ponto interessante que esteve presente em diversas conversas é o do papel do mercado independente. Vale frisar o quanto essa palavra deixou de ser sinônimo de algo que não vai dar certo e passou a ser uma escolha bem valorizada. É uma mudança profunda no conceito de sucesso. Ser independente significa ser dono das suas próprias escolhas. Algo imensurável. 

Mesmo com tudo isso na mesa, aprendi (ou lembrei) o quanto a paixão, os erros, e a nossa capacidade de mudar (principalmente quando somos submetidos à narrativas potentes), continuam sendo o nosso principal combustível. O SXSW é para ser digerido durante todo o ano. Te faz repensar praticamente tudo. E como disse Buzz Aldrin, o segundo homem que pisou na Lua: "A gente tem que explorar para não expirar".

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