por Daniel Izzo

O “egoísmo patológico” que paralisa e faz todo mundo perder com isso. E você o que faz?

No início deste ano, com a ajuda de um semáforo com defeito e o excesso de carros da hora do rush em São Paulo, tivemos a oportunidade de testemunhar um evento muito interessante. Hilário, se não fosse trágico. Em um cruzamento da avenida Faria Lima, dezenas, se não centenas de carros, geraram um nó que travou as quatro direções do fluxo do trânsito, gerando um engarrafamento gigantesco em toda a cidade.

Essa cena lamentável dificilmente teria acontecido se, acometidos de uma lucidez incomum aqui entre nós, os motoristas dessem passagem para que um lado avançasse por vez, para que ninguém ficasse preso. Ao invés disso, sofremos de um “egoísmo patológico”: queremos chegar mais rápido que o outro, passar na frente, ser mais esperto etc. Resultado: ninguém anda, todo mundo perde.

Essa cena é uma analogia maravilhosa do que vivemos em grande parte do mundo dos negócios ainda hoje. Esses motoristas são milhares e milhares de empresas e empresários que colocam a busca do lucro individual ou organizacional acima de tudo. Aquelas empresas que buscam a vitória e a conquista solitária, guiadas por frases como “vamos detonar a concorrência” ou cujo grande propósito é “gerar valor ao acionista” independentemente das necessidades ou das questões da sociedade como um todo.

Não podemos ver, pois não existe foto aérea desse “cruzamento”, mas essa mentalidade está nos levando para uma situação bastante grave, com uma desigualdade social crescente, questões ambientais sem precedentes, escândalos éticos dos mais variados, doenças físicas, depressão, entre outras questões. Estamos em um ponto em que essa busca egoísta ameaça travar todas as direções que seguimos, próximos de um momento em que ninguém mais vai andar e todo mundo vai perder.

Hoje, quando abrimos os jornais ou o nosso site de notícias favorito, somos expostos a realidades que nos mostram, cada vez mais, que é necessária uma nova abordagem para tratar o mercado, os clientes a “concorrência”. Precisamos criar modelos ganha-ganha, modelos que ajudem a tornar a nossa sociedade mais equilibrada, a diminuir a desigualdade, a garantir uma vida melhor para a população como um todo.

É hora de assumir que também temos um papel e somos responsáveis pela situação como um todo. Não é de responsabilidade de ninguém, além da nossa. E isso não é para amanhã. É para hoje. Uma necessidade urgente e prioritária. Porque, como no cruzamento da Faria Lima, se não trabalharmos para fazer com que a situação seja boa para todos, ela não vai ser boa para ninguém.

 

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