por Lygia da Veiga Pereira

A oferta de probióticos é vasta em supermercados e farmácias. Eles prometem melhoras efetivas na saúde no nosso corpo

Estava num supermercado nos Estados Unidos quando me deparei com uma geladeira repleta de frascos do que pareciam remédios ou vitaminas. Os rótulos diziam:“probióticos”. E nas letras menores, algo como “8 bilhões de Lactobaccilus”. As opções eram muitas, e todas prometiam melhoras na saúde, seja na digestão ou no funcionamento do intestino, ou mesmo no sistema imunológico. 

De frente para aquela estante gelada repleta de opções, como escolher as melhores bactérias com as quais quero dividir meu corpo? Sabendo do poder desses micro-organismos em diferentes aspectos da nossa saúde, tenho condições de decidir sozinha qual deles tomar? Fiquei paralisada. 

Enquanto estamos no útero, ainda somos livres de qualquer micro-organismo. A colonização do nosso corpo começa no nascimento, quando passamos pelo canal vaginal, e segue na amamentação, tanto pela pele quanto pelo leite maternos. Bactérias fundamentais para a digestão e a construção da nossa imunidade invadem nosso corpo e passam a fazer parte de nós, de forma que aos três anos de idade já temos nosso microbioma estabelecido.

O parto por cesariana compromete esse processo. Existem estudos mostrando uma maior incidência de alergia, asma e doenças autoimunes em crianças nascidas por esse procedimento mais estéril – o microbioma da criança fica comprometida pela falta de contato com organismos presentes no canal vaginal. 

Já a falta de ingestão de leite materno, que além de ser um probiótico é um alimento também para os micro-organismos do bebê, pode ser compensada pela adição desses fatores nas formulas de leite comercial.

Alias, foi aí que a indústria de probióticos começou: investindo esforços em transferir bactérias boas para fórmulas comerciais que controlam diarreias em bebês não amamentados no peito. A  indústria se expandiu para a produção de bactérias que reforçam o sistema imunológico, na forma de iogurtes e outros produtos do leite fermentado, até chegar às bactérias em forma de pílulas.

No entanto, é importante desmistificar. As bactérias que compõe os probióticos que encontramos à venda não colonizam nosso sistema digestivo por muito tempo, e mais, desaparecem do nosso corpo duas semanas depois de paramos de consumi-las.

Além disso, rigorosamente elas ainda não foram associadas a nenhum estado de maior saúde. Na verdade, cientistas não sabem bem o que os atuais probióticos comerciais fazem no nosso trato intestinal – existem relatos de efeitos benéficos, mas os estudos não são muito rigorosos.

E então? Probióticos, tomar ou não tomar, uma questão ainda sem resposta certa. A meu ver, os que estão disponíveis hoje entram naquela categoria de vitaminas e suplementos alimentares, que para algumas pessoas fazem milagres e para outras acabam não tendo efeito nenhum.  A decisão de experimentar é sua.

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