por Nina Lemos

Para Nina Lemos, a nova edição do Big Brother Brasil não muda a fórmula. Mas, pelo perfil dos participantes, parece querer encenar na TV o que já acontece o dia inteiro nas redes sociais

Ainda existe público no mundo para programas estilo Big Brother? Cada vez menos. E a minha teoria é que não precisamos mais desse tipo de show, porque já temos as redes sociais, onde assistimos o Big Brother da vida dos outros e encenamos o nosso próprio. Passamos o dia inteiro vendo BBB. O que é o Periscope e o Snapchat se não um reality?

O Big Brother Brasil que estreia hoje não muda a fórmula - teria como? Mas parece querer encenar na TV o que já acontece o dia inteiro nas redes sociais: gente malhando, gente discutindo o empoderamento e a diversidade, gente xingando muito. Pelo o que entendi até agora, essa edição vai ser como assistir um Facebook com gente se movendo (socorro, imagina o pesadelo?!) ou um Instagram com vídeos de mais de 20 minutos (de novo, socorro, alguém salva!).

Por que? Eu explico.

Para começar, o cenário vai ser hipster gourmet. A cozinha vai ser industrial, a casa vai parecer um galpão, uma coisa, assim, “supermoderna”, como se fosse uma hamburgueria em um cenário estilo “prédio invadido”, mas que cobra 40 reais no hambúrguer (vegano, claro).

E os participantes, bem, eles parecem ter saído do Twitter.

Nesse BBB vai ter um hipster. Pelo menos é o que parece quando olhamos a barba longa de Laércio e vemos sua profissão: tatuador. Também, quem diria, muita gente de humanas. Eu contei: dos 12 participantes, 9 são de humanas! Dois são filósofos (um estudante e um doutor) e dois são jornalistas (o que prova mesmo que a minha profissão está em crise, como escreveu alguém no Twitter).

Já Harumi entra como favorita por quebrar a hegemonia dos jovens de 20 e poucos anos que só falam de whey e academia. Ela é uma jornalista experiente, diferentona, já fez loucuras na vida, teve um caso com o Jimmy Cliff. Aos 64 anos, é a participante mais velha desse BBB.

No que isso vai dar? Será que ao invés de falar sobre whey os participantes vão falar sobre Mariana e sobre os Guaranis-Kaiowás?

Ainda não dá para saber. Mas, opinião de quem assume que, sim, assiste ao programa por vício e escapismo: ou vai dar certo ou vai ser muito chato. Já pensou, por exemplo, se eles decidem discutir por dias (como fizemos nas redes sociais) se você pode ou não ficar triste ao mesmo tempo por causa da tragédia de Mariana e do atentado em Paris? Isso ninguém aguentaria, pior do que ver gostosonas e gostosões malhando na academia. Será?

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