por Giulia Garcia

Coletivo Escopeia ilustra mapas astrais e se opõe ao determinismo da astrologia de Facebook

Você é canceriano? Chorão. Leonino? Se acha! Capricorniano? Mão de vaca… Libriano? Dava pra ser mais indeciso ou ainda não sabe?

Costuma ser assim a astrologia de Facebook, cheia de estereótipos e memes. Mas, na vida real, ela tem bem mais a nos dizer. "Essa astrologia que temos hoje na internet é muito determinista. 'Vênus em tal signo quer dizer tal coisa.' Não é bem assim”, explica o astrólogo Pedro Pantai. Em 2016, ele e o irmão, com quem também divide a profissão, João Grego, encontraram um jeito diferente de falar de signos: desenhando.

O coletivo Escopeia, que fundaram juntos, parte de uma leitura tradicional do mapa astral, mas tem um processo novo de interpretação, por meio de narrativas ilustradas. A ideia é usar a arte para devolver às questões astrológicas seu potencial mais expansivo e menos concreto do que acontece através das palavras.  

"Não sou um vidente para prever as coisas", diz João, que explica que a astrologia não define destinos nem predetermina todas as nossas ações. Segundo ele, o contexto em que somos criados e vivemos é capaz de nos alterar. "O mapa astral não serve para limitar a pessoa, mas sim para ampliar a percepção de si e do universo. Uma boa conversa sobre o mapa provoca novas perguntas em vez de dar respostas definitivas." Para os irmãos, a astrologia deve ser vista como um verdadeiro processo de autoconhecimento.

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O interesse deles pelo tema surgiu em 2012, quando o papo sobre signos virou tendência na rede. Pedro fuçou uma série de sebos atrás de referências holísticas e, nisso, descobriu alguns astrólogos modernos que pareciam dar mais sentido ao mundo. 

Ele foi o primeiro, entre os irmãos, a usar a arte em favor da astrologia. Em uma edição da Feira Plana, em São Paulo, decidiu: além de ler mapas astrais, desenharia uma criatura que sintetizasse cada um. As pessoas chegavam a ele com as informações de nascimento e saíam com uma referência gráfica de seu mito pessoal, feita na hora. A ideia deu certo e cativou João, um mestre da aquarela que àquela altura começava a estudar astrologia. 

"Sempre desenhei pessoas. Sacava que existiam tipos e tipos, alguns traços muito sutis, mas não associava com signos", conta. Formado em grego clássico pela Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (FFLCH - USP), começou a relacionar a astrologia com os mitos gregos. "Ligar essas histórias com as estrelas e a astrologia parecia natural. Aí comecei a pirar." Em maio de 2016 nasceu a Escopeia.

Usando também mitologia e simbologia, as ilustrações tomaram outra forma. Deixaram de ser simples criaturas e passaram a traduzir as características apontadas pelos astros a partir de cenas completas – com roteiro, atores e cenários; tudo aquarelado. Agora, funcionam como uma síntese simbólica, ou seja, representam em um só desenho toda a influência astral que tem aquela pessoa.

Para os irmãos, a leitura não se resume a uma soma dos significados de sol, ascendente, lua e planetas, mas a como os astros, em suas diferentes posições, influenciam em conjunto. E isso precisava transparecer na produção gráfica.

Além dos mapas, que podem ser encomendados, a Escopeia produz conteúdos que não estão à venda, mas contribuem para a circulação da cultura astrológica. Entre eles, a série Crianças astrais, representações das combinações de sol e ascendente por meio de figuras infantis – João percebeu que a manifestação dos astros é muito mais perceptível na infância, graças à espontaneidade, daí a ideia dos desenhos.

Ativa no Facebook e no Instagram, a Escopeia também compartilha gravações em metais, feitas por Pedro, e ilustrações das análises astrológicas mundiais, feitas a partir das mudanças nas posições dos planetas. No ano que vem, os irmãos pretendem também promover workshops de astrologia em São Paulo. A ideia é disseminar uma visão astrológica não determinista, para que as pessoas entendam as influências astrais de forma mais ampla e possam ir além dos estereótipos, dando um passo adiante na autocompreensão.

Créditos

Imagem principal: Escopeia

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