Travesteens unidos jamais serão vencidos

Trip esteve na escola de Campinas que batalha pelo orgulho de adolescentes gays

Lohren Beauty gritou “whaaaaat?” quando o Ministério da Cultura aprovou seu projeto em 2010: a criação da Escola Jovem LGBT, entidade em Campinas (SP) que se intitula a “primeira escola gay do país” e que ganhou naquele ano investimento de R$ 60 mil do governo. “Jamais ia acreditar. Liberar dinheiro para este bando de viado fazer curso ensinando a virar drag queen?”, conta Lohren (nome que o costureiro Chesller Moreira adota em parte do tempo, numa homenagem à atriz Sophia Loren).

A ideia é “empoderar” a cada semestre cerca de 30 alunos entre 13 e 27 anos, quase sempre de classe baixa. O convênio com o governo não foi renovado para 2013, mas mesmo assim um novo ano letivo acaba de começar – com mensalidade. A Trip acompanhou a aula inaugural, com direito a “open-bar” de salgadinho e refrigerante. São três módulos: cinema, literatura e drag queen, no qual o aluno aprende a se maquiar, ter etiqueta, dublar e “não se envergonhar andando de salto”.

Lohren, que há 12 anos desenvolve projetos voltados a adolescentes gays, abriu a escola na casa onde vive com o marido, Deco Ribeiro. O casal quer abrir três filiais no estado de São Paulo ainda este ano. “Não tem política boa para a juventude LGBT. A maioria deixa de estudar justamente por ser gay, porque o preconceito já está lá.”

Stefane Gardner, que aprendeu na escola a se montar como Florence Welch (vocalista da banda Florence and the Machine), vinha de uma depressão profunda antes de se matricular. “Minha mãe entrou no quarto quando eu estava prestes a me cortar”, conta. Hoje, aos 17 anos, já sabe o que responder quando alguém fala sobre seu nome de batismo: “Mário? Que Mário?”.

 
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