por Rebeca Puig

As séries de maior sucesso hoje mostram a força da representação e da audiência feminina quando mulheres estão à frente das produções

Nos anos 2000, a televisão americana passou por uma renovação quando HBO e FX exibiram as séries Família Soprano, A Sete Palmos, The Shield e NipTuck. Anos depois, o canal AMC explodiu como televisão de qualidade com The Walking Dead, Breaking Bad e Mad Men.

Todas essas séries foram consideradas revolucionárias. O que elas tinham em comum? Foram criadas por homens e têm protagonistas masculinos. São séries sobre ser homem - as personagens femininas eram relegadas ao papel de mães, filhas ou amantes/esposas. 

Na nova onda de renovação da televisão norte-americana, mulheres são o que elas quiserem. Personagens femininas podem até ser mães, filhas e esposas, mas também são agentes do governo, espiãs, policiais, advogadas corruptas, médicas e criminosas. Elas são as protagonistas.

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Essas personagens estão no centro de uma mudança que vem encabeçada por mulheres que conquistaram espaço por trás das câmeras.

Melissa Rosenberg, showrunner de Jessica Jones, série da parceria Marvel + Netflix, anunciou que todos os episódios da segunda temporada serão dirigidos por mulheres. Antes dela, Queen Sugar, de Ava Duvarney em parceria com o canal da Oprah, já teve toda a sua temporada de estreia dirigida por mulheres.

São mulheres abrindo espaço para outras mulheres.

As duas séries são bem distantes em gênero - uma sobre uma super-heroína, a outra sobre uma mãe solteira vivendo no interior dos EUA -, mas ambas mostram a força que a representação feminina tem dentro do mercado televisivo norte-americano.

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Shonda Rhimes talvez seja o nome mais forte por trás das mudanças na representação feminina. Suas séries se tornaram tão famosas, que ganharam uma denominação própria: Shondaland. How To Get Away With Murder, Grey's Anatomy e Scandal são aclamadas pela crítica. Com a Annalise Keating, de HTGAWM, Shonda trouxe uma protagonista icônica de caráter dúbio, acadêmica e complexa - uma personagem negra bem construída que foge dos grandes clichês de representação, um feito inédito.

Gilmore Girls ganhou quatro especiais na Netflix; Orange is The New Black vai para a sua quinta temporada. Mindy Project, Jane The Virgin e New Girl são algumas das comédias de maior êxito na televisão. Todas são produzidas por mulheres. Blindspot e Quantico são séries de ação com protagonismo feminino - ambas sucesso de audiência.

Assim como nos anos 2000, a televisão americana passa por uma renovação. Mas essa vai ser diferente e, por isso, talvez não ganhe o título de genial ou revolucionária. O que vemos hoje leva em consideração que a maior parte do público é feminino, que esse público é melhor representado quando mulheres produzem conteúdo e que personagens bem construídos são universais – mesmo se elas forem mulheres.

Que venham mais Shondas, mais Rosenbergs, mais Annalises e mais Jessicas. Nós estamos assistindo.

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