Marcelo Maragni, o fotógrafo MacGyver Marcelo Maragni, o fotógrafo MacGyver

Marcelo Maragni, o fotógrafo MacGyver

No Rali Dakar de 2017, Marcelo rodou quase 9 mil quilômetros para fotografar a prova, enquanto improvisava baterias, dormia no assento do 4x4 e inventava formas criativas para desatolar o carro

por Gustavo Ziller em

Lembra do MacGyver? Sim, ele: um pedaço de chiclete, outro de palha de aço e, sei lá, BOOM, lá se vai uma cela super segura. Qual a formação do personagem? Engenheiro? Ou físico? Ou fuçador profissional? Há pessoas que, de fato, nasceram para fuçar. MacGyver é uma delas. O paulista Marcelo Maragni, 38 anos, é outra.

Marcelo é o fotógrafo brasileiro com mais coberturas do Rali Dakar. Mais precisamente oito anos seguidos desde que a competição passou a ser realizada na remota região dos Andes centrais, na América do Sul. Maragni não cursou fotografia ou direção de arte. Formou-se arquiteto. Foi depois de três temporadas em Fernando de Noronha que a paixão pela fotografia ficou óbvia. Lá, Maragni se divertia fazendo fotos de surf durante o dia. Depois, corria para montar DVDs e vendia o trabalho para os próprios surfistas.

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Desenvolveu faro pros negócios – e para caçar cenas improváveis. Anos depois, o fotógrafo MacGyver inventou um sistema de LEDs e registrou os surfistas Adriano de Souza e Pedro Scooby nas ondas de Abu Dhabi durante a noite.

Bruno Crivilin, Campeão Brasileiro de Enduro FIN, em sessão de treinos no Tapete Branco, Minas Gerais Bruno Crivilin, Campeão Brasileiro de Enduro FIN, em sessão de treinos no Tapete Branco, Minas Gerais
Bruno Crivilin, Campeão Brasileiro de Enduro FIN, em sessão de treinos no Tapete Branco, Minas Gerais - Crédito: Marcelo Maragni

Marcelo queria viver da arquitetura, imagine você, no ambiente controlado de um escritório. Não bastava para ele. Fuçar coisas fazia um bem danado. Essa inquietação o levou aos ralis, ao surf, ao paraquedismo e a escalada, a diversos campeonatos de esportes de aventura e a expedições a lugares que encantam só pelo cenário envolvido.

No Dakar de 2017, rodou quase 9 mil quilômetros para fotografar a prova. Dirigiu por 7 mil. E como um bom MacGyver, improvisou baterias, dormiu no assento do 4x4 quando o tempo permitia, inventou formas criativas para desatolar o carro e sempre era o primeiro a subir as imagens do dia para divulgação mundial. E em boa resolução.

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Conheci Maragni em Belo Horizonte durante um longo dia de fotos. Na parte da manhã, teve que improvisar para o flash funcionar enquanto fotografava uma jovem promessa do Enduro Fin brasileiro. Na parte da tarde, correu até o Estádio Mineirão para registrar um salto de parapente de um helicóptero. O atleta pousou dentro do estádio e entregou ao juiz a bola do jogo entre Atlético Mineiro e Cruzeiro.

Fernanda Maciel, ultramaratonista, durante uma sessão de treinos na Lapinha da Serra, Minas Gerais - Crédito: Marcelo Maragni

Da terra ao ar, passando pela chuva intensa do dia seguinte que acabou encharcando seu equipamento. Mesmo assim, com improvisos e habilidades diversas, o fotógrafo registrou imagens perturbadoras nas 48 horas em que esteve em solo mineiro. E ainda comprou mel feito na terrinha, ‘senão minha mulher me mata’. Calma: ainda encontrou forças para uma sessão de escalada com a comunidade local. Um rali pessoal.

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Para exercer sua profissão? Precisa de uma boa noção de eletrônica, carpintaria, culinária, introdução e prática de diversos esportes, habilidades com mecânica e comunicação por satélites, noções de primeiros socorros, utilização de softwares de imagens e desenvolvimento de técnicas de "vai dar tudo certo". Definitivamente, o curso de fotografia precisa de uma chacoalhada. Conhecer o trabalho de Maragni é um bom começo.

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