Da atrofia à urgente evolução

Na corrida pelo 10º título, Kelly Slater vence na Austrália e a ASP busca se modernizar

por Carlos Sarli em

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Na corrida pelo 10º título Kelly Slater vence na Austrália, e a ASP busca modelo de competição e organização mais moderno.

"Falando como fã e não como ‘cartola', a vitória dele traz o tempero de que o Tour precisa", assim o brasileiro Renato Hickel, diretor do World Tour da ASP, avaliou a vitória de Kelly Slater sobre o atual campeão, Mick Fanning, na final do Rip Curl Pro, em Bells, Austrália, segunda etapa do ano.

Aos 38 anos, 16 de circuito e nove títulos mundiais, Slater continua sendo a maior atração do esporte, e nessa condição tentou negociar privilégios que causaram ruído entre seus pares. Slater pleiteia competir em outros eventos, o que é vetado aos atletas da ASP.

O tal contrato especial teria por trás o "Rebel Tour", que o próprio Slater esteve promovendo em 2009, mas que não saiu do papel. Previsto com quatro etapas e premiação milionária, o projeto, que envolve a rede de TV ESPN, involuiu para três provas no Havaí, mas, ao que parece, o dinheiro ainda não existe.

Saindo ou não, o anúncio do circuito alternativo já incentivou mudanças importantes no WT. As principais foram a criação do ranking único, integrando o que era o WCT e o WQS, o corte de 45 para 32 atletas na elite, já no meio da temporada, e a consequente dinamização da ascensão, a possibilidade de competidores subirem mais rápido pra elite.

Depois de 18 anos estagnado, mudar o circuito ganhou caráter de urgência, o que leva a dúvidas e revisões. Implantado no ano passado, o formato com pré-classificados já foi abandonado, uma vez que a proposta passou a ser incentivar a troca de posições e não privilegiar os mais bem classificados. Os próprios atletas têm dúvidas, o que motivou uma reunião em Bells para a organização explicar o modelo, especialmente a importância de correr as provas "Prime" do WQS, cujo título equivale em pontos a um terceiro lugar numa etapa do WT.

A inclusão de três novos membros no Board da ASP, hoje composto de dois surfistas e dois representantes dos patrocinadores, também será importante, entre os indicados estão uma alta executiva da Disney e o capitão da equipe francesa de tênis, ele surfa. E, na esteira disso tudo, esperam-se melhores premiações.

BIG SURFE
Mais dois brasileiros entram na lista de indicados ao Billabong XXL. Carlos Burle para a categoria Best Overall Performance, que premia o conjunto da obra na temporada, e Maya Gabeira na feminina.

BRASILEIRO DE SURFE
A etapa de abertura do Brasil Surf Pro teve ondas grandes, organização impecável e as vitórias de Léo Neves e Suelen Naraisa, a quarta dela em Ubatuba.

CORRIDA DE AVENTURA
Viabilizado a partir da lei de incentivo fiscal ao esporte, o Hyundai Adventure abre o circuito paulista neste sábado no Guarujá.

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