Arnaldo Pappalardo por seus objetos

A Trip convidou o fotógrafo a vasculhar sua memorabilia para entender um pouco sobre o homem por trás da lente

por Giulia Garcia em

Trip / Fotografia / Comportamento

Como seria contar a vida de alguém através de uns poucos objetos que ele ama? Há 40 anos, Arnaldo Pappalardo acumula prêmios e exposições, do MASP ao MoMA. “O meu trabalho nunca teve uma proposta documental. Minha busca é pensar a fotografia enquanto expressão poética.” Abaixo, o fotógrafo registra e revela 11 objetos que abrem uma janela para sua alma.

Peão turco

“Ele é todo esquisito, pela cor e pela forma. Não é exatamente o peão antigo brasileiro, tem essa relação com a Turquia, associando o objeto a um lugar.”

Peso de papel

“Gosto da ideia deste peso que segura o papel, e o peso dessa ideia da pessoa meditando. Tem a ver com introspecção.”

Catálogos de filmes do Cine Império do Rio de Janeiro, das décadas de 20 ou 30
“Lembram o quanto uma imagem de 80 anos atrás ainda tem significado hoje.” 

Relógios de pulso do MoMA e do Guggenheim
“Eles estão sem funcionar há anos, cada um com horário diferente. Acho que o tempo pode ter outros significados, além do cronológico.” 

Marinheiro de umbanda
“É uma imagem que me toca muito mais por estar com a cabeça quebrada do que se estivesse perfeita. O partido não significa que o objeto perdeu um valor estético, muito pelo contrário.” 

Xícara do Museu de arte contemporânea de Los Angeles
“Escolhi uma com a ponta quebrada. Existe uma beleza na imperfeição. Ela é do MOCA, e a ideia de arte contemporânea tem a ver com desconstrução.” 

Presente de Dia dos Namorados de 1986
“Foi o primeiro presente que a minha mulher me deu, quando começamos a namorar. A questão está mais na poética do que no objeto em si.”

Audio Note Kit One, Single Ended Tube Amplifier
“Gosto dessa oposição ao design minimalista. É como se estivesse vendo a essência do aparelho.” 

Dominó marroquino
“É quase uma marchetaria, feita com pedacinhos de madeira irregulares. Gosto dessa beleza imperfeita, desse caráter artesanal, oposto a uma peça superindustrializada.”

Pedra da Praia de Riposto, na Sicília (Itália)
“Vou catando pedras sempre que viajo e esta é da cidade natal do meu avô. Ela carrega uma ideia de origem e as linhas sugerem os caminhos.” 

Câmera fotográfica panorâmica Linhof Technorama 617
“Ela causa um estranhamento e uma poesia maior porque não tem o design padronizado contemporâneo.”

Autorretrato com desenho de Mario Fiore

“Este desenho foi feito por um amigo há quase 40 anos. Acho que ele fala mais sobre mim do que se simplesmente eu mostrasse meu rosto em uma foto.”

Créditos

Imagem principal: Arnaldo Pappalardo

Fotos: Arnaldo Pappalardo

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