Logo Trip

Sharon Jones, diva

Antes de iniciar sua turnê pelo Brasil, cantora americana fala sobre sua luta contra o câncer e a relação com Amy Winehouse

Sharon Jones, diva

Por Lia Hama

em 9 de abril de 2015

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

Sharon Jones
Sharon Jones: "Não sabia se estaria viva para lançar o disco" / Créditos: Divulgação

“Get up and get out” é o nome de uma das faixas de Give the people what they want, o novo álbum de Sharon Jones e sua banda, The Dap-Kings. A música ganhou novo significado desde que a cantora americana –  famosa por ser um “furacão” no palco –  foi diagnosticada com câncer há dois anos. “Depois que começamos a gravar o álbum, perdi minha mãe para o câncer. Em seguida, o irmão do saxofonista da banda morreu da mesma doença e eu fui diagnosticada com tumor no ducto biliar. Não sabia se estaria viva para lançar o disco, então falar sobre ‘levantar-se e sair’ ganhou um novo sentido”, falou a vocalista à Tpm.

Aos 58 anos, a diva da soul music e sua banda vêm ao Brasil no mês que vem para uma turnê em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraty.  A cantora, que trabalhou como carcereira antes da carreira artística, foi indicada ao Grammy deste ano na categoria de melhor álbum de R&B. De Nova York, onde mora, ela falou sobre a doença e também sobre a relação com Amy Winehouse, que, ao convidar os Dap-Kings para participar de seu álbum mais famoso, Back to Black, de 2006, fez a banda e sua vocalista atingirem um novo público.

Você está curada do câncer? A cada seis meses tenho que fazer exames. Em dezembro passado, acharam um novo tumor no meu fígado e, em janeiro, fiz uma cirurgia para retirá-lo. Em fevereiro fiz outro exame e não tive retorno do médico. Estou quase certa de que retiraram todo o tumor, que ele não se espalhou, mas é difícil dizer. Na minha cabeça e no meu coração, sinto que estou livre do câncer, mas não posso dizer com certeza.

Turnê da cantora passará por cinco cidades do Brasil em maio
Turnê da cantora passará por cinco cidades do Brasil em maio / Créditos: Divulgação/Cole Hann

Você teve o seu talento reconhecido apenas aos 40 anos. Já se sentiu vítima de discriminação? Quando você olha para a cena pop americana, para essas jovens cantoras, vê que elas são todas iguais: brancas, magras, com determinado tipo físico. Aos 19, 20 anos, é tudo o que você deseja ser. É aquilo que você encontra na TV, nas revistas. Se você tem a cor mais escura e outro biótipo é mais difícil. Mas sinto que hoje estou além disso, estou confortável com o que sou.

Você concorda com a afirmação de que se tornou conhecida por causa da Amy Winehouse? Eu não diria isso. Foi a Amy Winehouse quem nos procurou para fazer o álbum Back to Black. Ela era uma grande fã da banda. Nós já éramos conhecidos, mas com ela nos tornamos mais mainstream. Atingimos outro público, mais pessoas começaram a ouvir soul music e dizer: “Uau!”. Mas nós já fazíamos soul music muito antes de Amy pensar em se tornar cantora.

Como foi ser indicada ao Grammy este ano pela primeira vez? É uma emoção e um privilégio, mas o que eles chamam de R&B aqui nos EUA, para mim, é música pop. Me colocaram numa categoria junto com cantores pop [entre os concorrentes estavam Aloe Blacc e Tony Braxton & Babyface – este último acabou levando o prêmio], mas foi um privilégio pelo menos ter sido indicada.

A cantora e sua banda, The Dap-Kings
A cantora e sua banda, The Dap-Kings / Créditos: Divulgação

Qual é a sua expectativa em relação à turnê no Brasil? Não vejo a hora de ir para aí. Queria ter ficado mais tempo e ter visto mais coisas da última vez que visitei o país, em 2011. Me lembro muito daquele show naquele parque grande em São Paulo [Ibirapuera, no BMW Jazz Festival]. Foi incrível ver a multidão curtindo o que a gente faz. Espero que gostem do novo show.

PALAVRAS-CHAVE
COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon