por Bruna Bittencourt

Com um pé na França e outro em Cuba, a dupla Ibeyi conquistou fãs como Beyoncé e se apresentou do Coachella a desfile da Chanel com sua mistura particular de ritmos, que mostram esta semana no Brasil

Beach Boys, Jackson 5, Oasis, Kings of Leon, Disclosure... Não faltam exemplos de bandas formadas por irmãos. Lisa-Kaindé e Naomi Diaz engrossam a lista, mas com o adendo de serem gêmeas, ou ibeyi na língua iorubá, palavra que deu nome à dupla.  

Uma das boas novidades da música, as irmãs de 21 anos fazem uma interessante mistura entre jazz, hip-hop e eletrônica, alternando letras em inglês e iorubá (herança de seus ancestrais). Os brasileiros poderão conferir ao vivo esse mix bem particular da Ibeyi, que se apresentará em São Paulo nesta quinta-feira (13) e no Rio de Janeiro, dois dias depois.

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Naomi tem cabelos compridos, toca instrumentos de percussão, cria os padrões rítmicos da dupla e anda escutando nomes do rap como Kendrick Lamar e Calle 13. Lisa exibe black power, é a voz principal da dupla, toca piano, escreve parte das melodias e letras e ouve o indie quase eletrônico de Bon Iver e James Blake. "Nós somos opostas e complementares. Yin e yang, melodia e ritmo, dia e noite, água e fogo. Isso é Ibeyi", resume Lisa à Tpm.

A dupla carrega genes musicais: são filhas do percussionista cubano Miguel "Angá" Díaz (1961-2006), que integrou tanto a Irakere, prestigiada orquestra do qual fizeram parte alguns dos melhores músicos cubanos, quanto o fenômeno Buena Vista Social Club. "Ele não influenciou diretamente nossa música já que morreu quando tínhamos 11 anos, mas herdamos seu amor por ela", conta Naomi. A canção Mama Says, do disco de estreia da dupla, lançado no ano passado, é sobre o luto vivido pela mãe das garotas, a franco-venezuelana Maya Dagnino. A irmã mais velha, Yanira, vítima de aneurisma sete anos após a morte do pai, é homenageada com uma canção homônima no álbum, que abre e fecha com um cântico e traz várias referências a orixás. 

As irmãs nasceram em Paris, mas foram criadas entre a França da mãe e a Cuba do pai, de onde acabam de voltar de férias. Em maio, elas abriram cantando o desfile da coleção resort 2017 da Chanel, inspirado na ilha e apresentado em Havana. "Se tivesse tempo, iria sempre para lá", diz Naomi.  

Lisa e Naomi eram adolescentes quando começaram a se apresentar em Paris. Aos 18 anos, em 2013, passaram a viajar fazendo shows. Foi quando a mãe, que colabora com as letras da Ibeyi, se tornou empresária da dupla. "Ela sabe nos proteger", diz Lisa. O duo conta ainda com uma segunda empresária mulher. "Somos uma equipe poderosa de garotas", completa Lisa.

Naquele mesmo ano, Richard Russell (dono da gravadora inglesa XL Recordings, que tem ninguém menos que Adele e Radiohead no seu casting) assistiu a um vídeo das irmãs cantando Mama Says. Na sequência, levou elas para Londres e para um estúdio de gravação.    

Um ano e dois singles depois, elas já se apresentavam no Later…With Jools Holland, programa da TV britânica que reúne a nata do pop. Em fevereiro de 2015, lançaram seu álbum homônimo de estreia. Foi Beyoncé que apresentou as Ibeyi para uma audiência global: em julho daquele ano, postou um vídeo para seus mais de 80 milhões de seguidores no Instagram com a canção "River" do duo como trilha. Não parou por aí: neste ano, a cantora convidou as irmãs para participarem de seu álbum visual Lemonade. "Não há nem como agradecer Beyoncé por jogar um pouco de luz em jovens artistas que não fazem música comercial", diz Lisa.

Os dois shows no Brasil encerram uma turnê de dois anos da dupla, que incluiu uma apresentação no Coachella este ano. Em novembro, elas voltam a Londres para gravar seu segundo disco. Vem muito mais de Ibeyi por aí.

Vai láIbeyi - 13 de outubro, no Audio Club

Créditos

Imagem principal: Flavien Prioreau

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