Revista Trip

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Fernando Grostein Andrade

Trip FM recebeu o diretor do documentário "Quebrando o Tabu", com Fernando Henrique e outros
10.06.2011 | Texto: Luiz Filipe Tavares
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Com dois convidados mais do que especiais, o Trip FM desta semana fala sobre maconha, sobre o fracasso da guerra às drogas e sobre a regulamentação como alternativa à política de tolerância zero, que vem se mostrando cada vez mais equivocada e nociva à sociedade. Pra ajudar neste debate, separamos trechos da entrevista exclusiva que Fernando Henrique Cardoso concedeu para a revista Trip deste mês, a de número 200, que é toda voltada a essa discussão e traz o ex-presidente nas Páginas Negras. FHC viajou o mundo pesquisando sobre o assunto e hoje defende uma profunda reforma na política de drogas nacional e mundial. Toda essa pesquisa do Fernando Henrique foi muito bem registrada e acaba de virar um documentário, o Quebrando o Tabu, dirigido pelo Fernando Grostein Andrade, que também é convidado do programa. 

"Eu havia tido um encontro nos EUA com representantes do governo Bush, na época, e percebi que lá já havia dúvidas quanto à eficácia de um combate radical às drogas. E que esse problema, no fundo, ameaçava a própria democracia", declara sem medo FHC, na entrevista exclusiva concedida à Trip. "Foi essa percepção que me fez buscar gente que entende do assunto. Porque eu mesmo nunca tive conhecimento técnico da droga. Quanto mais eu e os outros líamos, mais chegávamos à conclusão de que a guerra às drogas era falida e que o objetivo de zero droga é inalcançável.os recursos estão todos concentrados em destruir a produção e combater o tráfico. Mas nada é feito para lidar com os efeitos na sociedade e em quem usa. Nada era feito de fato para reduzir o consumo. Enquanto isso,  vários mitos desabavam diante das pesquisas que nós íamos fazendo"

Com um documentário ancorado pelo ex-presidente que pretende estimular o diálogo sobre uma nova abordagem à questão das drogas no Brasil, filho do saudoso jornalista Mario de Andrade e meio-irmão do apresentador Luciano Huck, o diretor Fernando Grostein Andrade percorreu um longo caminho desde quando começou a trabalhar com 15 anos como estagiário na DM9, uma das mais importantes agências de publicidade do Brasil. Aos 21 lançou seu primeiro curta-metragem, o De Morango, que na verdade foi seu trabalho de conclusão de curso. Algum tempo depois, uma parceria com Caetano Veloso rendeu ainda o filme Coração Vagabundo, documentário que mostra a intimidade do cantor durante a turnê internacional do álbum Foreing Sounds.

"Então pra mim a questão principal era essa: "Por que a maconha pode ser vendida sem violência em um lugar e no outro não?", questiona o diretor, elogiando a vontade e o profissionalismo do ex-presidente na produção do filme. "Quando eu fui falar com o FHC a gente estava com muita energia. Pilhado para fazer as coisas. Então eu acho que ele se sentiu muito desafiado. E até por isso eu acho que o Fernando Henrique foi muito bacana. Ele está com 80 anos e agenda cheia, fazendo um monte de coisas, quando podia estar tomando sol em casa sem fazer nada. Mas ele está disposto a aprender e a dar a cara a tapa."

"Primeiro é difícil você dizer que vai questionar a lógica de guerra e proibição não é fazer apologia. Estamos falando aqui em como reduzir o dano que a droga causa nas pessoas e na sociedade. Esse é o nosso objetivo. A questão aqui é discutir. E ao mesmo tempo, ter o Fernando Henrique ajuda e atrapalha", continuou o Fernando cineasta. "Quando a gente conseguiu a entrevista com o Bill Clinton e com o Jimmy Carter (ambos ex-presidentes dos EUA), isso nos deu mais credibilidade ainda. Assim as coisas foram se concretizando e solidificando." 

Sobre a coragem do ex-presidente, Grostein ainda brincou com o único momento no qual Fernando Henrique ficou receoso: quando assistiu ao primeiro longa de Fernando e viu a nudez despudorada de um grande ícone da música nacional. "Ele só ficou preocupado quando assistiu o Coração Vagabundo e viu o Caetano pelado. Ele até ligou para a nossa roterista e pediu para avisar que ele tinha de manter a compostura. Ainda depois brinquei com ele perguntando se ele ia tirar a roupa e ele levou outro susto", diverte-se o jovem diretor.

O Trip Fm vai ao ar na grande São Paulo às sextas às 20h, com reprise às terças às 23h pela Rádio Eldorado Brasil 3000, 107,3MHz