por Marcos Candido

O sul-africano Chris Bertish concluiu a travessia após mais de três meses no oceano - e ajudou milhares de crianças carentes por isso

Uma das maiores aventuras de Chris Bertish começou há cerca de três anos anos, quando o sul-africano decidiu fazer algo com que muitos atletas apenas sonhavam: cruzar o Oceano Atlântico usando apenas uma prancha de stand-up paddle. Ainda que já tivesse experiência no assunto após atravessar o Canal da Mancha (a remada durou cerca de 5 horas), o desafio inédito exigia dele uma estratégia completamente nova.

Primeiro, era preciso pensar em um equipamento que aguentasse o tranco. Com a ajuda de arquitetos navais, Chris desenhou uma prancha com bagageiro para armazenar alimentos, água, salva-vidas e kit de primeiros-socorros. O design também foi pensado para aliviar os quase 600 quilos da mini-embarcação.

No fim de dezembro, Chris saiu remando do litoral do Marrocos e aportou na ilha caribenha de Antígua 93 dias e 8 mil quilômetros depois.

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Para manter contato com terra firme durante esse longo trajeto, a prancha também foi equipada com painéis de energia solar para manter o rádio e o GPS funcionando. A rota, claro, exigia tamanha preocupação. "Existiam muitos tubarões ao longo do caminho", conta à Trip. "O primeiro ataque foi tão rápido que nem o vi bicho chegando. Fiquei tão horrorizado que mal lembrei que tinha um conjunto de facas para me proteger, e levei um bom tempo para me recuperar do trauma".

Por dia, Chris remava por cerca de 70 quilômetros. Nem sempre a marca saía como o esperado, claro, por que é a "mãe natureza é quem manda", narra. Em alguns dias,  a maior preocupação era retirar o excesso de água que insistia em afundar a prancha. Em outros, uma tempestade. Ou quem sabe um acidente com um cabo de aço que, por um triz, quase decepa seu dedo. "Foi uma missão para resolver problemas e resolver quebra-cabeças antes que eu perdesse o controle deles. Durante três meses, todos os dias".

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Perrengues e ajustes técnicos eram de praxe para sobreviver ao mar mas, a cada treta, Chris recordava da motivação para chegar até ali. Big rider premiado com dropadas em picos como Mavericks na remada, Chris é palestrante motivacional e acredita na força do esporte para inspirar pessoas capazes a vencerem desafios da nossa nada mole-vida. "Em vez de ser bem-sucedido, acredito que tudo que nós fazemos deve ser maior que a gente. Se você tem a habilidade de inspirar e mudar a vida de milhões de pessoas, é seu dever pessoal cumprir esse propósito". Não à toa, o atleta destinou parte de renda dos patrocinadores para fundos que levam educação e saúde até crianças carentes da África. Os espectadores, que puderam acompanhar o atleta ao vivo pela internet, também foram estimulados a doar.

Se o fim de jornada o tornou um recordista, também ajudou a quem precisava. Até agora, cerca de US$ 5 milhões foram arrecadados para as instituições de caridade. Nos próximos dois anos, o sul-africano irá escrever um livro sobre a travessia transatlântica de SUP. "Agora que ofereci um impacto positivo milhares de pessoas, vou focar em novos projetos que mostrem a minha motivação em superar obstáculos… O céu é o limite!”, conclui.

VEJA FOTOS DA TRAVESSIA ABAIXO (Clique para ampliar):

Créditos

Imagem principal: Marco Bava

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