por Natacha Cortêz

Nina Cavalcanti conta como foi produzir disco que homenageia a obra do pai

O disco tributo Mulheres de Péricles é ideia do DJ Zé Pedro, com produção e curadoria de Nina Cavalcanti, que a convite de Zé homenageia o músico e compositor carioca Péricles Cavalcanti, pai de Nina.

O projeto, que traz texto de apresentação assinado por Arnaldo Antunes, celebra a obra de Péricles, especialmente dos anos de 1970 e 1980 e apresenta 17 cantoras da nova geração interpretando 15 músicas do compositor. No time, as vozes de Mallu Magalhães, Céu, Tiê, Laura Lavieri, Nina Becker, Juliana Kehl, Barbara Eugênia, Iara Rennó, Karina Buhr, Ava Rocha, Anelis Assumpção, Marietta Vidal, Mairah Rocha, Juliana Perdigão, Bluebell, Serena e Tulipa Ruiz. O lançamento está previsto pra novembro.

Para a Tpm, Nina contou como foi produzir o álbum que homenageia o pai.

Tpm. É a primeira vez que seu trabalho entra em encontro com a obra de seu pai? Em entrevista para Nina Lemos, em 2008, você disse que por ser muito crítica, não conseguia produzir nada com ele. Ainda é assim? De alguma forma, Mulheres de Péricles aproximou seu trabalho ao dele, não? Como foi isso?

Nina. Acho que meu lado crítico em relação ao meu pai talvez tenha a ver justamente com o fato de sermos muito próximos.  Existe uma troca entre a gente que acontece naturalmente no dia a dia quando vamos juntos a filmes e shows juntos, e nas conversas com nossos amigos em comum. A gente conversa muito e pede opinião no trabalho um do outro e isso tem ficado cada vez mais legal.  Eu trabalho com vídeo e quando há alguns anos dirigi um clipe para uma canção dele, “Conhecimento”, finalmente produzimos algo juntos. Foi uma experiência muito bacana  e que resultou num clipe que eu curto muito. Claro que um trabalho com tanto envolvimento emocional não é sempre tão fácil, mas nada que a gente não vá aprendendo a administrar.

Como surgiu a ideia de produzir o álbum? No caso de Mulheres de Péricles, a ideia do projeto partiu do DJ Zé Pedro, que me convidou pra fazer a curadoria, escolhendo que cantoras participariam e quais canções cantariam. Meu pai não participou de nenhuma parte do processo, e só ouviu o disco depois de pronto. Foi mesmo uma homenagem. Claro que eu já tinha uma relação intima com aquelas canções, mas reouvi-las,  imaginá-las nas vozes dessas cantoras e finalmente reuni-las num álbum só, único, me deu a noção de uma obra muito interessante e rica. Cada cantora produziu sua faixa da maneira como quis, com total liberdade. O resultado foi um disco maravilhoso, plural e com uma surpreendente harmonia.

Como foi a escolha das cantoras para interpretar as músicas de seu pai? Qual foi o critério para escolhê-las? Acho que os principais critérios foram mesmo afeto e admiração. Pessoas por quem tanto eu como meu pai temos muito carinho e de quem somos muito fãs! Cheguei então numa lista de 17 cantoras, em 15 faixas. Ainda assim muita gente acabou ficando de fora.

Por que somente mulheres? A ideia de fazer o disco com canções do meu pai cantadas por nomes da nova geração foi totalmente do DJ Ze Pedro.  Inclusive de cara ele já chegou com o nome: Mulheres de Péricles! Eu embarquei imediatamente!

Do repertório de Mulheres de Péricles, qual é sua canção preferida? Por que? Impossível escolher uma gravação preferida. Essas novas leituras, tão pessoais e diferentes entre si, são maravilhosas, cada uma a seu modo. Já ouvi tanto o disco! Cada dia me deslumbro com uma. Como disse a Tulipa, muito bom ser contemporânea dessa turma de mulheres artistas tão especiais, amorosas, talentosas, generosas. Muita beleza junta.

Você cresceu em um ambiente completamente embebedado por música, brasilidade e cultura. Como ele influenciou suas escolhas? Digo, especialmente suas escolhas profissionais.
Bem, acho que determinou tudo. Meus interesses, minha turma de amigos, meu trabalho. Como eu não insisti muito em tocar nenhum instrumento acabei ainda com 14 anos indo fazer produção de shows, de discos. Era uma maneira de trabalhar com o assunto também. Depois trabalhei na gravadora Trama, que foi um super aprendizado, e quando migrei pro lado do áudio visual, vi que eu poderia me relacionar com musica de um outro jeito, observando. De lá pra cá venho filmando, dirigindo e editando making ofs de gravações de discos, shows e alguns clipes. Hoje trabalho principalmente nos universos da música e da moda e sou muito feliz com isso.

Vai lá: www.ninacavalcanti.com

Clipe de Péricles Cavalcanti dirigido pela filha Nina

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