por Natacha Cortêz

Documentário filmado nas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro mostra depoimentos de mulheres vítimas de assédio sexual

O inspetor da escola. O irmão. O patrão. O namorado. O primo mais velho. O melhor amigo. O agressor é, na maioria das vezes, um rosto familiar. Quanto à vítima, basta que seja mulher. É nesse cenário que Paula Sacchetta, diretora do documentário Precisamos falar do assédio, quer jogar luz. “O filme mostra que, infelizmente, nenhuma mulher está livre da violência sexual, e que o agressor é quase sempre alguém muito próximo”, conta. 

Em março deste ano, Paula e sua equipe levaram uma van-estúdio a nove locais em São Paulo e no Rio de Janeiro para gravar depoimentos de mulheres que foram vítimas de assédio sexual. Ouviram 140 histórias. “Elas têm de 14 a 85 anos, são de áreas nobres ou periféricas e viveram agressões dentro de casa, em um beco escuro ou no meio da rua, à luz do dia.” O documentário traz 26 relatos. Nos depoimentos sem qualquer tipo de interlocução ou entrevista, assistimos a desabafos, momentos íntimos e muitas vezes à oportunidade de as vítimas falarem daquilo pela primeira vez.

Além do doc

Mais de 12 horas de material ficaram fora do documentário. Paula uniu esse material com a vontade de continuar falando de assédio e criou o site do projeto, um espaço onde podem ser assistidos todos os depoimentos gravados, sem edição alguma, entre São Paulo e Rio e mais: novas histórias podem ser contadas através da gravação e envio de vídeos. A ideia é que se forme ali um espaço de acolhimento e registro de violência sexual contra mulheres, algo que infelizmente faz parte da rotina de qualquer brasileira. Para gravar o seu e endossar o projeto, acesse precisamosfalardoassedio.com/#fale

Precisamos Falar do Assédio - Trailer from mira filmes on Vimeo.



Vai lá: Precisamos falar do assédio, nos cinemas a partir de 27/9.

LEIA TAMBÉM: Não, a culpa não é sua.

matérias relacionadas