Diana Assennato
Natasha Madov

por Diana Assennato
Natasha Madov
Tpm #162

Para questionar nossa relação com o mundo digital, Caio Andrade cria projetos de baixo custo e rápida confecção, incluindo adesivos e aviõezinhos de papel

O publicitário baiano Caio Andrade, 28 anos, tem um apego pelo toque: gosta de sentir nas mãos o peso ou a textura de uma folha de papel, por exemplo. Ironicamente, na agência onde trabalha, desenvolve projetos digitais para grandes marcas. Trata seu trabalho como um simples ofício: “A publicidade é um transatlântico que está afundando lentamente. Eu quero ser um barquinho”, diz.

É nas horas vagas que ele se torna de fato um mensageiro humano, trazendo a atenção dos demais para o que ainda chamamos de mundo real. Leva mensagens e provoca reflexão. Seus projetos questionam nossa rotina on-line e oferecem um outro ponto de vista sobre a humanidade digital, tudo de um jeito simples, como um aviãozinho de papel.

O amor pelo mundo físico é caso antigo, uma herança da sua formação como engenheiro civil, carreira que cursou sem gostar, mas que o ajuda a viabilizar seus projetos autorais de forma ágil. Um adesivo, uma placa de rua, uma frase. Não importa muito o “como”, contanto que o investimento inicial não passe de R$ 10 e de um dia para sair do papel. Esta é a regra: tem que ser fácil e rápido para botar logo na rua, mas bom o suficiente para viralizar mundo afora.

Todas as suas campanhas estão disponíveis de graça para download no seu site com apenas um pedido: “Compartilhe a sua foto”.

Ele e o sócio Rafael Ochoa já receberam imagens de seus feitos nas mais variadas regiões do mundo. Uma história melhor do que a outra. Algumas campanhas como Not Available on the App Store ou Pular Anúncio receberam atenção de publicações como Time, FastCompany, Gizmodo e Wired. Mas Caio garante que isso não importa: “A minha métrica é a história que cada campanha gera. A mídia é só a métrica do ego”.

Caio acredita que em cinco anos os jovens não vão saber o que é “a internet”, por isso vai ser difícil julgar o que são escolhas boas ou ruins com relação a nossa rotina digital. “Entender o que se está aprendendo é mais importante do que aprender”, diz o cara que se oferece para cancelar a NET ou conta de celular por você em troca de dicas do que fazer nas férias.

matérias relacionadas