Revista Trip

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Tabatha Fher

A cantora capixaba tira a roupa no meio do Guarujá e diz: 'Olha pra mim. Estou no ápice!'
12.04.2011 | Texto: Autumn Sonnichsen | Fotos: >Autumn Sonnichsen

Num sábado ensolarado, a cantora capixaba Tabatha Fher tira a roupa no meio da cidade, toma água de uma fonte na beira da estrada, entoa standards enquanto troca a calcinha e declara: “Olha pra mim. Estou no ápice!”

Melhor imaginar Tabatha em todas as suas possibilidades.

Ela, bebê, nascendo há 23 anos em Linhares, no Espírito Santo. O médico virando para a mãe e dizendo que tinha um choro afinado.

Gosto de imaginá-la também aos 19 anos, no lounge do Hyatt de Tóquio, no 28º andar, de longo e batom vermelho – “tinha um stylist!”, conta, com os olhos brilhando –, cantando bossa nova para George Clooney e Kaká, tomando Dom Perignon, machucando geral os corações presentes e a cidade brilhando aos pés dela. Um espécie de Bond Girl B – não a femme fatale principal, mas aquela que você vê em segundo plano, dá alguma ajuda a 007, acaba salvando a vida dele, e você sai do filme a achando mais linda que a Halle Berry. Aos domingos, a única folga, ela pegando a bicicleta e andando por Tóquio, arranhando japonês, se perdendo pelas ruazinhas.

Sentada na mesa na casa dos pais dela, comendo a moqueca capixaba da dona Noranei – “Minha mãe tem nome de cantora!”. Ela sabe fazer o prato agora e faria para você se quisesse te conquistar. Eu perguntei se existe algum segredo para fazer a tal da moqueca, e ela, com uma cafonice completamente sincera: “Muito amor e carinho”.

E, com 22 anos, descabelada e de canga, cantando descalça nos barzinhos de Caraíva, se apaixonando pelos garotos da praia. Ela indo pra passar três dias, e ficando três meses, cantando e tomando água de coco. “Cantei em todos os palcos daquele paraíso... cantei pra lua, pro mar, pras estrelas.”

Acordando no apartamento aqui em São Paulo, que ela divide com uma amiga, ligando o som, tomando um copo de água, esquentando o pão, lendo o horóscopo na internet, olhando pro verde que se vê pela janela, pegando ônibus para trabalhar numa produtora de música brasileira.

Mas a Tabatha de que mais gosto é a que conheci num sábado ensolarado recente, no dia em que, diz ela, fez sua maior aventura até agora. Tomando água da fonte de um condomínio X na beira da estrada. Cantando trechinhos de standards enquanto trocava de calcinha, com aquela voz rouca dela, cheia de fumaça e extremamente clara ao mesmo tempo. Suja de melancia no deck (sim, é a fruta predileta dela), cuspindo as sementes, lambendo o braço, o sorriso bobo de quem vira criança novamente, só por 1 minutinho. Sentada no buggy, os cabelos ao vento (queria que ela dirigisse, mas ela só sabe dirigir carro automático). E deitada na cama de ferro, se espreguiçando, os olhos escuros cheios de fome. A fome de ser linda, de viajar, de cantar, de brilhar e principalmente a fome de se tornar mulher.

Depois do ensaio, no jantar, perguntei o que ela achou, se ela se sentiu bem, essas coisas. Ela joga o talher dela na mesa com uma força que chacoalha a taça de vinho branco: “Olha para mim! Eu tô no ápice!”.