Por um futuro negro

Mestre em filosofia política pela Unifesp, a filósofa Djamila Ribeiro, 36, tornou-se em pouco tempo uma das vozes femininas negras mais influentes do país, pela coragem em apontar o machismo e o preconceito racial, mesmo dentro do discurso de esquerda, no qual ela milita. Chamou rappers de opressores, combateu políticas sociais acanhadas, questionou a hegemonia masculina na filosofia. Djamila, cujo nome significa “beleza” na língua africana suaíli, não se exime de colocar o dedo na ferida, se achar que ela está malcurada. O espírito combativo ela herdou do pai, militante, estivador e sindicalista, autodidata. Mas, mesmo dentro de um lar que pregava a igualdade de direitos, a jovem via que seus irmãos homens tinham menos obrigações domésticas e mais direitos, como o de sair sozinhos. “Sem perceber, muitos grupos oprimidos ajudam a legitimar o poder que dizem combater”, afirma. “Meu objetivo é disputar a narrativa hegemônica. Não podemos cair no silêncio institucional, precisamos mostrar que tem outras vozes, e que essas vozes têm que ser ouvidas.”

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