Tributo a Cazuza: veneno antimonotonia

O evento marcou o início do Trip Transformadores de 2018 e transbordou de bossa nova e rock´n´roll o sábado no Parque Villa-Lobos

por Nathalia Zaccaro Carol Ito em

Trip Transformadores / Cazuza / Música / Diversidade / Yoga

Com Cazuza no corpo e na mente, o primeiro evento do ano do prêmio Trip Transformadores rolou no último sábado (25) no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. A festa foi gratuita e reuniu muita gente que, assim como nós, acredita que só vai ficar tudo bem de verdade quando ficar bom pra todo mundo. Há mais de 30 anos, a Trip homenageia homens e mulheres que ousam questionar modelos tradicionais e encontram alternativas inteligentes para transformar a realidade. Clique aqui para conhecer os transformadores deste ano.

Antes das 10 horas da manhã, o centro do anfiteatro do parque já estava tomado de gente que buscava reencontrar o equilíbrio físico e psíquico na aula de ioga da professora Aline Fernandes, que mescla técnicas de ashtanga e meditação. “Se concentrem na potência da respiração, ela é a base de tudo”, pediu Aline. Os mantras que rolavam nas caixas de som entoaram pelo parque e atraíram quem estava por ali. Todo mundo junto: adultos, crianças, iogues experientes e iniciantes. “Ioga é, sim, para todos. Basta querer e estar aberto”, disse a professora. Os exercícios abriram caminho para uma tarde cheia de energia. 

“Ioga é, sim, para todos. Basta querer e estar aberto”, disse a professora Aline Fernandes - Crédito: Mariana Pekin

"Me dê de presente o teu bis"

Antes do show, a apresentadora Roberta Martinelli deu as boas vindas pra galera que já lotava o anfiteatro e anunciou o que estava por vir: Leo Jaime, Sergio Guizé, Mahmundi, Karina Buhr, Supla, Otto, Karol Conka e Paulo Ricardo prepararam versões de clássicos do Cazuza, no ano em que o músico completaria 60 anos. "A gente se preocupou em colocar nossa personalidade nos arranjos. Tem manguebeat, disco e até punk rock", explica Guizado, que assinou a direção musical do espetáculo.

Às 15h, Leo Jaime abriu os trabalhos com sua versão de “Menor abandonado” e emendou com o clássico romântico “Eu preciso dizer que te amo”, deixando todo mundo apaixonado por seu carisma. "Show gratuito no parque é muito mais democrático e isso é fundamental", disse. Em seguida, o ator e cantor Sergio Guizé mostrou sua voz em “Codinome beija-flor” e  levantou a galera com a poderosa “Por que a gente é assim?”. Assim como Cazuza, todo mundo ficou na pegada de mais um dose. Inclusive a namorada de Sergio, a atriz Bianca Bin, que curtiu tudo da plateia.

O anfiteatro do Parque Villa-Lobos recebeu o Tributo a Cazuza, primeiro evento do Trip Transformadores 2018 - Crédito: Mariana Pekin

O som oitentista da carioca Mahmundi invadiu o parque e deixou todo mundo dançando suas releituras de “O nosso amor a gente inventa”  e “Faz parte do meu show”, duas pérolas do repertório de Cazuza. "Talvez tenha sido por causa dele que comecei a andar pelas ruas do Rio de Janeiro com uma jaqueta surrada em busca do amor”, confessou a cantora. Karina Buhr ressuscitou o rock com “Vida louca vida” e “Todo amor que houver nessa vida” e declarou: “O Cazuza falava o que queria, sem filtro. E mesmo assim conseguiu chegar no mainstream, ele tinha um público gigante”. Antes de se despedir do palco, Karina fez uma dobradinha com Supla e Guizado em “Pro dia nascer feliz”.

O carisma de Supla seguiu dando o tom do show, agora com “Bete balanço”. “Cazuza abominava coisa careta. A música dele era sobre liberdade de expressão e até hoje toca o coração das pessoas”, disse. Papito saiu do palco dando espaço para Mamacita, a rapper curitibana Karol Conka. Com DJ e uma base inédita, ela mandou uma versão cheia de rap para a icônica “Brasil”. “Eu dei uma 'conkalizada' na música. Pedi pro produtor Boss in Drama preparar uma batida que tivesse essa coisa tropical e acrescentar uma guitarrinha rebelde ali no meio”, explicou.

Karina Buhr, Paulo Ricardo, Karol Conka, Mahmundi, Sergio Guizé e Otto no palco do Trip Transformadores - Crédito: Mariana Pekin

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O pernambucano Otto foi o próximo a se apresentar e soltou a cintura para cantar sua versão de “Eu queria ter uma bomba”. Em seguida, ele se misturou com a galera e cantou “Trem pras estrelas” em um arranjo cheio de maracatu. O último convidado da tarde foi Paulo Ricardo, que interpretou “O tempo não para”. “Essa é uma das melhores letras de todos os tempos da música popular brasileira", disse. O veterano emendou com “Ideologia”  e convidou Otto para um dueto de “Exagerado”. No bis, todo mundo se reuniu e cantou "Pro dia nascer feliz", de novo, e sempre.

A tarde terminou com cinema ao ar livre no gramado do parque Villa-Lobos.  O dicionário de Geovani Martins, Vai ter gorda na ioga e Egberto, o cerimonialista de scarpin foram algumas das produções do Trip TV que rolaram no telão pra completar a vibe de amor inventado de um sábado transformador.

Créditos

Imagem principal: Mariana Pekin

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