O que a moda fez comigo

Alice Caymmi, Magá Moura, Rita Comparato e Maria Clara Spinelli listam suas peças mais marcantes e falam sobre sua relação com a moda

por gabriel monteiro em

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Barbies como brincos
"Fui para Londres em 2012 estudar marketing de moda e criei uma relação tão forte com a cidade que me senti livre para usar o que eu bem quisesse, ousar e ser autêntica. Um dia até gastei as libras da comida em um moletonzinho colorido. Voltei para o Brasil nesse impacto: fiz trança rosa porque vi minha musa Rihanna de peruca pink e também usei cabeças de Barbie como brincos – a imagem viralizou. A moda me deu liberdade de expressão, um trabalho e a possibilidade de me conectar com muita gente. Hoje em dia recebo mensagens de meninas negras que começaram a se colorir, que passaram a usar batons nos lábios grossos e compram perucas de todos os tipos. O meu sonho agora são as botas brilhantes da Saint Laurent, mas, nossa, tá dez pau! Saint Laurent, me patrocina!"
Magá Moura, 29 anos, blogueira e influenciadora digital

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Boka loka
“Minha mãe era dona da Acessórios Modernos, uma marca dos anos 80. Acordava todos os dias de manhã, antes de ela ir trabalhar, só pra ver ela se vestir. Foi por causa dela que, desde criança, brincava de usar batom vermelho e vestia cangas – as amarrações são a base e a inspiração para as minhas modelagens. Comecei a frequentar o ateliê dela durante as férias. Foi uma paixão que cultivei ainda muito nova. Faço roupas que uso e acredito. E me dá muita alegria ver alguém vestindo uma peça minha.”
Rita Comparato,  estilista à frente da Irrita  

O vestido azul
"Sou conservadora por natureza. Moralista, não, mas conservadora, sim. Meus amigos dizem que preciso me modernizar, mas tenho outra relação com a roupa. Eu comunico ao mundo o que quero que as pessoas saibam de mim. Nem todos sabem, mas nasci mulher transexual. Tive que passar por um processo de readequação de gênero no qual a vestimenta teve papel fundamental. Nunca vou me esquecer de um dos primeiros vestidos que comprei para mim. Era azul, de costas nuas, e o usava com sandálias vermelhas. Marcante. Fiz fotos com ele e até enquadrei algumas. A vestimenta é uma ferramenta de expressão social muito forte sobre gênero e, com ela, mesmo quando fujo dos estereótipos, encontro a mulher que quero ser."
Maria Clara Spinelli, 43 anos, atriz 

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"Eu quero artistas como Alexander McQueen e John Galliano na moda de novo. Quero disputas entre artistas como eles acontecendo hoje. Sinto falta, é algo que não existe mais. Foi por esta moda, que vem da performance, que me apaixonei. Desde quando comecei a cantar profissionalmente, em 2008, levo comigo tudo o que aprendi no teatro e nas artes plásticas para a minha roupa. 
Neste tempo, conheci novas pessoas, circulei por vários lugares, mas nunca deixei de usar o que gosto. As combinações mudaram, mas adoro misturar coisas loucas, usar sapatos loucos. É meu jeito de me comunicar. A moda tem sido a plataforma que me expande enquanto artista. Já me vesti de Iansã e usei um casaco cheio de penas pretas. São os momentos icônicos que marcam não só a mim como também aqueles que me acompanham."
Alice Caymmi, 28 anos, cantora

 

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