Histeria e sexo oral com Julio Iglesias

por Redação em

Por Ana Cristina d´Angelo

 

Pense num romântico das antigas. Coloque requebres, amor cantado em espanhol e uma porção de tradição. O ídolo-mor da música romântica internacional, Julio Iglesias, está de volta. Depois de dez anos sem pisar aqui, o mancebo, agora com 64 anos, põe senhoras, moças e, sim, moços em ponto de bala. Quem esteve no Credicad Hall, em São Paulo, no último dia 9, presenciou uma trupe delas e deles invadir o palco nos momentos finais e se atracar com o madrilhenho sem vergonha nenhuma.

Julio retribuiu a histeria com muita esfregação no seu terno, olhares laterais e conversas de safadeza durante quase duas horas. “Antes só conseguia cantar se fizesse amor 20 minutos antes; hoje, se faço isso, não consigo cantar”, diz a lenda, antecipando-se a qualquer comentário sobre sua idade. Os cabelos revoltos e o bronzeado são os mesmos do auge da carreira, há 40 anos. Talvez um pouco menos de rebolado e, provavelmente, alguma plástica discreta ou botox no rosto.

O mais famoso artista espanhol do século 20 – com 77 discos gravados e 250 milhões de cópias vendidas em todo o mundo – fez declarações de amor ao país, não deu nenhuma entrevista e conversou com a platéia sobre seu pai e memórias das vindas anteriores.

“Meu pai adorava o Brasil porque aqui o amor não tem idade, isso é privilégio de vocês”, diz o hombre. “Pensei sobre isso na casa de Hebe”, continua o cantor, interrompido por uma mulher que parte para o convite: “Porque você ainda não conhece a minha casa, é muito mais bonita”. Hebe e outras celebridades ocupavam as primeiras filas da casa.

“Soy de un tiempo que no tiene edad; me gusta la gente de verdad”, canta Iglesias, deslizando a mão sobre o terno, como se fosse arrancar o coração, gesto repetido até o fim do concerto. Diante do palco sóbrio, músicos de preto e fundo preto com uma luz que o favorece, Iglesias emenda uma música na outra. Na segunda canção, abre o terno, puxa um banquinho, fecha os olhos e, aproximando-se da platéia, manda “Nathalie”, seguido dos gritos de gostoso, lindo e maravilhoso, nessa ordem.

Abre a sessão de músicas latinas. Com pose de machão, tira a backing vocal do canto do palco e põe a moça para rebolar no centro. E agüenta coração. O latin lover se insinua e, muito rápido, tasca um, dois, três beijos na boca da companheira de turnê. As mulheres se agitam. Os sisudos pedem silêncio, mas elas não estão nem aí.

Do novo disco, Iglesias apresenta versões para “Crazy”, “Always on My Mind” e “How Can You Mend a Broken Heart”. O inglês é a tentativa de conquistar um público mais jovem. Nos finalmentes, a platéia não se segura e, para desespero dos seguranças, todo mundo de pé, disputando uma brecha para a foto ou para ver o ídolo mais perto.

A mais afoita pula no palco e é seguida de mais quatro ou cinco companheiras e um homem com uma câmera numa mão e a outra balançando no ritmo da festa. Reforço na segurança. “Eu beijei a boca dele e disse que o amava, só isso”, conta Carmem Souza, que esperava pelo momento há pelo menos 30 anos. O ídolo latino agora tira o terno e joga a peça entre o mulheril concentrado na beirada do palco. Débora Souza salta, agarra o terno preto e dele não se desgruda. “Só saio daqui se ele me receber e só dou entrevista se ele me receber”, diz a abusada, 39, fã ardorosa desde os 12. Ela espera o público começar a sair do auditório e permanece rodeada de seguranças, com medo de lhe roubarem o troféu. Fim de show. Nada de bis. A advogada paulista Shirley Tebaldi, 40, diz que agora já pode morrer.
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