Na fogueira do pecado

Ava Rocha celebra a tríade feminismo, bruxaria e maconha e lança na Tpm o clipe de "Joana Dark", primeiro single do novo álbum, Trança

por Nathalia Zaccaro em

Tpm / Música / Arte / Feminismo

Ava Rocha está se despedindo de Ava Patrya Yndia Yracema. Três anos depois do lançamento do disco vital de sua carreira, ela lançou seu novo álbum no último dia 15. “É um disco que tem uma conexão muito forte com a memória do artista plástico, e meu amigo, Tunga, que partiu desse mundo”, define. As homenagens começam pelo título. 

“Primeiro o nome era pangeia, porque o Tunga dizia que ele era um homem de pangeia e isso é muito a alma do disco. Fala de um território comum único de irmandade, de união cultural entre as pessoas. Mas depois mudou para Trança, que de alguma forma é uma tradução de pangeia. Eu estou trançando muitas coisas, é um disco com uma força coletiva muito presente.” O show de lançamento do trabalho será dia 27 de julho, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

"Eu estou trançando muitas coisas, é um disco com uma força coletiva muito presente"

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Trança marca a vinda da carioca para São Paulo. “Viemos eu, meu marido [o músico Negro Léo] e minha filha, em fevereiro do ano passado. Não foi uma ruptura com o Rio, mas São Paulo é uma cidade onde consigo me expandir. Vem de uma vontade de aprofundar criativamente encontros musicais", explica.

O resultado é um disco cheio de participações especiais. Tulipa Ruiz, Karina Buhr, Domenico Lancellotti, Linn da Quebrada, Kiko Dinucci, Curumin  e Juçara Marçal são alguns dos nomes que marcam presença. "Existe um momento de muita troca e união na minha geração, até por conta do momento político-musical que a gente está vivendo. Tive vontade de trazer várias pessoas capazes de construir a sonoridade do disco, a música e a poesia”, conta.

"São Paulo é uma cidade onde consigo me expandir"

O disco Trança é resultado de um trabalho de múltiplos encontros que dialogam diretamente com a obra de Tunga e sua pangeia. “A gente se amava. O trabalho dele é das coisas mais deslumbrantes da arte contemporânea. Ele fez a capa do meu primeiro disco e foi uma das pessoas importantes para que eu cantasse. Sempre fui muito influenciada pela linguagem dele, de uma maneira inconsciente, meio mágica, meio espiritual. Ele mora nesse disco, que é tão inspirado pela memória dele.”

Mais de 35 músicos participaram do processo de gravação. Com Tulipa e Gustavo Ruiz, gravou a poética "Lilith”, em que mais uma vez celebra a mulher. O single é "Joana Dark", uma música que se apropria do funk e revive a simbologia da francesa para falar sobre bruxaria, feminismo e maconha. “É uma tríade de libertação”, diz.

No clipe da música, lançando com exclusividade na Tpm, Ava acorda em uma floresta habitada por entidades femininas surreais. Tem bruxaria, erotismo e música. "Sou eu queimando na fogueira do pecado", canta a feiticeira Ava. Dá o play:

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