Revista Trip

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The I AM Journey

Indiano faz viagem de motocicleta pelo Brasil e registra sua jornada para documentário
21.08.2012 | Texto: Elza Cohen (*)

Reprodução/Elza Cohen

Deepanker Dua

Deepanker Dua

Deepanker Dua é um sorridente e carismático indiano de Nova Delhi que está viajando há cinco meses de motocicleta pelo Brasil com o projeto The I Am Journey [A Jornada Eu Sou]. Em uma série de mini-documentários publicados no Facebook, ele tem o olhar de alguém que veio do outro lado do globo pra encontrar aqui diferenças e especialmente semelhanças com seu país de origem. A ideia é juntar tudo em um só documentário ao final da viagem. Em entrevista ao site da Trip, o aventureiro falou sobre a ideia:

Qual é a sua idade e profissão?
Sou um sonhador de 29 anos de idade. Sou Engenheiro de Tecnologia da Informação e trabalhei como vendedor de tecnologia da informação na India e em Singapura. Mas eu gostava mesmo era de trabalhar como barman.

Qual o principal objetivo dessa sua viagem de moto pela América do Sul? The I Am Journey é um projeto pessoal?
É sobre viagens para lugares distantes, viagens com as pessoas e sobre viagens na minha mente e coração. Enquanto eu passeio de moto pela América do Sul, eu descobri mais sobre mim mesmo através das pessoas, suas paixões e sonhos. Essa jornada é uma missão de ser simples, livre e cheio de convicção nos meus pensamentos e ações. The I Am Journey é sobre mim mesmo e sobre pessoas. São historias sobre pessoas que conheço, as suas paixões na vida, experiências e histórias que chamam a minha atenção... em coisas que ajudam a descobrir o meu próprio "eu". Quando voltar pra India irei editar o material e tranformar essa experiência em um documentário pra web.

Como veio parar no Brasil e porque escolheu o país pra essa jornada?
Eu queria ver o outro lado do mundo, longe da Índia. Mas eu não escolhi o Brasil, o Brasil me escolheu. Cheguei aqui para ficar apenas por um mês, mas amei tanto essa terra e seu povo que eu acabei ficando seis meses.

Qual momento da viagem voce achou mais emocionante?
Foram vários momentos. Os mais emocionantes foram quando eu encontrei com estranhos e eles se tornaram minha família. Eu conheci os meus pais e irmãos do coração aqui no Brasil. Foi como se eu os conhecesse de vidas anteriores. Olha, eu sou um indiano. Eu acredito em vidas passadas, leitura de mão, elefantes, as vacas, kamasutra... Are baba!

Nessa viagem, o que você descobriu no Brasil que é muito diferente da India?
Aqui as pessoas trabalham para viver hoje, o brasileiro gosta de viver cada dia, ficar tranquilo. Na Índia as pessoas trabalham para viver amanhã, economizam o seu dinheiro para gastar amanhã.

E a religiosidade dos dois países, voce viu semelhanças?
As pessoas são muito semelhantes. São seres humanos. Eu não posso dizer o mesmo sobre a religião. Eu não sou uma pessoa muito religiosa. Mas uma coisa que me surpreendeu muito aqui no Brasil foi descobrir que existem muitas pessoas que seguem o hinduísmo, o budismo, sikhismo [em Belo Horizonte existe um grupo de Sikhs muito sério], yoga e meditação. Aqui eu encontrei mais pessoas que seguem estes aqui, do que entre os meus amigos na Índia. Por exemplo, eu conheci um cara chamado Milton no Vale do Capão. Ele é um brasileiro que nunca foi para a Índia. Mas ele sabe mais sobre a cultura indiana e tradições do que qualquer dos meus amigos na India. Isso me fez ficar tão espantado e emocionado que eu fiz um documentário sobre ele. Você pode ver esse filme na minha página no Facebook.

"Uma coisa que me surpreendeu muito no Brasil foi descobrir muitas pessoas que seguem o hinduísmo, o budismo, sikhismo, yoga e meditação. Aqui eu encontrei mais pessoas que seguem estas filosofias aqui do que entre os meus amigos na Índia"

É verdade que voce ganhou um nome brasileiro dos amigos que fez pelo caminho?
Sim, eles me chamavam de Caetano. É um bom nome para usar quando as pessoas não conseguiam pronunciar meu apelido - Deep.

Voce disse que as pessoas na Bahia sempre diziam que voce se parece com o cantor Caetano Veloso quando era jovem. Voce sobe sobre ele? gosta das suas musicas?
Sim, meus amigos da Bahia me deram esse nome. Eles dizem que eu pareço com ele um pouco quando era jovem, principalmente o sorriso. Às vezes, quando eu quero brincar, eu digo às pessoas que eu sou o filho dele da Índia que ele nunca chegou a conhecer. Ele foi à Índia fazer show, deixou a esposa lá e retornou ao Brasil sem saber que ele tem um filho [risos]. Claro que é só brincadeira, só para umas boas risadas. Mas uma vez eu encontrei uma mulher que acreditou nesta história. Ela foi tão doce, chamou toda a sua família para pensar em como ela podia ajudar a me apresentar ao meu pai - Caetano Veloso [gargalhadas]. Eu gosto de sua música. Especialmente de um vídeo que um amigão me mostrou de uma musica que ele canta com Djavan, "Sina", quando ele era muito jovem. 

O seu português é muito bom, como voce aprendeu tão rápido?
Aqui no Brasil as pessoas são muito solidárias, quando eu falo errado elas me corrigem. Acho que foi por isso que eu aprendi rápido. E eu gosto de falar português para me comunicar melhor com as pessoas.

Vai lá: www.facebook.com/Eu.sou.jornada

(*) Elza Cohen é jornalista, produtora, fotógrafa e está produzindo o documentário India nos meus olhos. Seu blog é o http://elzacohen.blogspot.com.br