Quem frequenta parques urbanos provavelmente já percebeu a transformação. Onde antes havia somente gramados livres e espaços de convivência, surgem cada vez mais áreas voltadas ao consumo: quiosques, festivais patrocinados e ativações de marca. O debate sobre a concessão desses espaços à iniciativa privada costuma ser apresentado como um dilema entre preservação e abandono. Mas será que essa é, de fato, a única escolha possível?
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O arquiteto e urbanista Ciro Pirondi propõe ampliar essa discussão. Antes de falar sobre concessões, ele defende que é preciso refletir sobre o significado do espaço público. Parques não são apenas áreas verdes: são equipamentos coletivos construídos com recursos públicos e fundamentais para a vida nas cidades. Sua função vai além do lazer. São lugares de encontro e convivência entre pessoas que, muitas vezes, não compartilham nenhum outro espaço.
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A presença da iniciativa privada pode contribuir para a manutenção desses locais, mas também levanta uma questão importante: até que ponto a lógica do mercado deve ocupar um espaço pensado para todos? Quando o acesso é livre, mas a experiência passa a depender do consumo, quem continua pertencendo à cidade?
