No novo episódio do Trip FM, já disponível nas plataformas de áudio e aqui no site da Trip, Lan Lanh comenta seus quase 40 anos de carreira na música. Uma das maiores referências da percussão no Brasil, ela já trabalhou ao lado de Marisa Monte, Carlinhos Brown, Tim Maia, Cyndi Lauper e muitos outros. Na entrevista, a artista relembra a parceria com a saudosa Cássia Eller: “Foi um furacão que passou pela minha vida. Todo mundo que cruzou com a Cássia foi atravessado por essa potência”.
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Na conversa com Paulo Lima, Lan Lanh também fala sobre a criação das filhas gêmeas Kim e Tiê, fruto do relacionamento com a atriz Nanda Costa, e os 57 anos vividos com muita energia. “Tenho orgulho de cada fio branco, de cada história. Essa sou eu, vivendo vários ciclos. A parte física não me atrapalha em nada, tenho muita vitalidade.”
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Você pode ouvir o programa no play nesta página, no Spotify, Deezer, Apple Podcasts, YouTube e outras plataformas de áudio, ou ler alguns trechos da entrevista a seguir.
Você costuma dizer que a música foi um chamado. Como nasceu essa relação tão forte com a percussão?
Lan Lanh. Um belo dia eu escutei uma das meninas falando assim: ‘Acho que está precisando de ritmo, nessa banda só tem violão e tal’. Trouxeram esse rapaz, ele chegou, montou a bateria e começou a tocar com elas. Aí bateu assim, me despertou, ali eu fiquei encantada, porque eu já gostava muito dos blocos afros de Salvador. Quando ele montou a bateria lá, fiquei muito encantada e olhando tudo, vidrada no jeito dele tocar. Uma certa hora parou o ensaio, eu sentei na bateria e fiquei tentando reproduzir as coisas que eu estava vendo ele fazendo. Ele falou: ‘Pô, você tem ritmo, você tem que tocar bateria. Vou falar pro seu pai te dar uma bateria’. Esse cara era Carlinhos, ainda não era nem Carlinhos Brown, ainda era só Carlinhos. Ali foi acho que o meu primeiro encantamento, meu chamamento mesmo.
A Cássia Eller foi uma virada enorme na sua trajetória. Como era estar perto dela? A Cássia foi um furacão que passou pela minha vida, pelas nossas vidas. Todo mundo que cruzou a Cássia foi, de certo modo, atravessado por essa potência, por essa mulher que tinha tudo dentro dela. Ela era pop, reggae, romântica, doce, ácida, na sua forma de se expressar musicalmente. Como pessoa, ela era uma pessoa muito doce, muito generosa, muito simples, mas tinha essa força estupenda no palco. Quando eu entrei para tocar com a Cássia, a conexão da gente foi o instrumento, foi o cajón. Então acho que teve esse caminho e essas músicas são a história da minha vida nessas canções todas aí desse mundo.
Hoje você também ocupa um lugar importante de representatividade, especialmente na maternidade ao lado da Nanda Costa. O que a chegada das gêmeas mudou em você? Elas estão maravilhosas e presentes, maior presente da vida. Acho que a minha prioridade total. As meninas e a música, eu vivo por elas. Sou grata porque é uma bênção. Ainda veio com a bênção dobrada, então é uma delícia. Pra mim trouxe também muita vontade de ficar, de me cuidar mais ainda, de ter mais força. Elas me trouxeram essa energia e essa força. Eu sempre fui muito maternal. Quando as meninas nasceram, a gente teve esse desejo e conseguiu realizar. E a gente é muito feliz, muito grata. Elas são meninas muito amadas e a gente tem um núcleo luminoso.
